quarta-feira, 26 de março de 2025

Fuxi da China

Fuxi da China – (2900 a 2000) a.C    

Autor: Alysomax Soares

Introdução

Foi um filósofo da China antiga considerado o fundador da escrita na cultura chinesa. Pode ser enquadrado na chamada filosofia mítica dos primeiros pensadores primitivos. Escreveu uma obra clássica conhecida como “I Ching”, que é apontada como um dos livros mais antigos da humanidade. Conhecido como o “livro das mutações”, a obra também descreve profecias, provérbios e predições oraculares, sobre a cultura chinesa. Ficou afamado como o fundador da nação chinesa, sendo descrito como o primeiro imperador chinês, assim como quem formulou o primeiro sistema de leis desse povo. Seu nome também é especificado como Fushi, Paoxi, Pao-hsi, ou Taihao, podendo ter vários significados, sendo o mais utilizado, traduzido por o “grande brilho”.

Fuxi nasceu na localidade de Chengji, situada na província de Gansu, no curso médio-baixo do Rio Amarelo. Faleceu em uma localidade chamada de Henan, e acredita-se que ele tenha vivido aproximadamente 197 anos, tendo sua existência se dado, provavelmente, entre os anos de (2900 a 2000) a.C. Um monumento foi construído, em sua homenagem, na cidade onde ele foi sepultado, servindo atualmente como atração turística. No templo descrito, em uma das colunas, encontra-se grafada a seguinte mensagem: "Entre os três primogênitos da civilização, Fuxi ocupa o primeiro lugar". Segundo os mitólogos, sua genitora era um ser mitológico conhecido como Huaxu que tinha surgido através da criação de Pangu, e este, por sua vez, adveio de um ovo primordial.

Filosofia Mítica

Na mitologia chinesa a história do povo teria se iniciado por três seres lendários chamados de “os três Augustos” ou “os três Soberanos”, que era uma classe de governantes. A lenda da criação chinesa compreende elementos que estruturam a organização social e cultural daquele tempo. Fuxi e Nüwa foram considerados, pelos chineses, como dois dos “Três Soberanos” na primeira sociedade patriarcal da China. Acredita-se na filosofia chinesa que Fuxi, juntamente com sua irmã Nüwa, teria criado a humanidade. Nasceu de um milagre, sendo uma espécie de semideus que possuía um corpo híbrido, tendo cabeça humana e corpo de serpente. Ele surgiu em um tempo que o mundo vivia mergulhado no caos e na desordem, sendo incumbido de trazer ordem ao mundo. Teria inventado a escrita chinesa, a música, a caça, a pesca, a culinária e a domesticação de animais. Algumas esculturas antigas retratam Fuxi segurando um esquadro nas mãos, sendo descrito como o primeiro "arquiteto" da história chinesa por ter inventado a casa meia-caverna. Também criou um modelo de calendário antigo, concebeu mapas e estabeleceu as fronteiras de várias regiões da China antiga. Enquanto Nüwa é apresentada segurando uma bússola nas mãos, indicando orientação.

Filosofia Chinesa

Ele criou o “Baguá”, também conhecido como os “oitos trigramas”. Estruturando esses diagramas em 64 formatos de hexagramas e sistematizando as mutações dos elementos que representavam os princípios elementares da realidade, bem como também, os padrões de regulação da natureza. Os trigramas são os símbolos básicos do I Ching, que significam a harmonia entre os opostos, eles são os elementos fundamentais do livro chinês, que descrevem os desenhos, dentre os quais, representam as combinações entre as energias “Yin e Yang”, sendo divididas em três linhas. Esses traços podem ser cortados ou contínuos, sendo as contínuas denominadas de “Yang” e simbolizam o universo masculino (ativo), já as cortadas são chamadas de “Yin” e representam o mundo feminino (passivo).

Na simbologia chinesa o princípio do “Yin e Yang” é um símbolo que caracteriza a dualidade e o equilíbrio entre forças antagônicas, podendo assumir diversas analogias e simetrias, sendo algumas delas descritas como a Vida e a Morte, o Espírito e o Corpo, o Céu e a Terra, o Sol e a Lua, a Luz e a Escuridão, o Calor e o Frio, Energia e Matéria, Movimento e Calmaria. Os trigramas espelham o espaço-tempo que é simulado em um holograma universal, como uma bússola cósmica. O universo macrocósmico e microcósmico, representados pelo cosmos e pelo organismo humano, respectivamente, são explicados pelo chamado sistema “Yin e Yang”.

Filosofia Sapiencial

+ “É muito importante manter sua integridade no silêncio”.

+ “Cultive paciência, tolerância, adaptabilidade e desapego”.

+ “Depois de um período de escuridão e obscuridade, a luz sempre volta”.

+ “Aceite o fato de que a única coisa que pode fazer é mudar a si próprio.”

+ “Semeie as sementes corretas agora para ter uma boa colheita no futuro”.

+ “Se os resultados estão dando errado, troque o caminho, não os objetivos”

+ “Não é aconselhável revelar todos os seus pensamentos a quem o rodeia”.

+ “Nas trevas, esteja sempre ciente de que a luz, mesmo que escondida, existe”.

+ "É preciso sabedoria para se desfrutar do momento presente sem inquietar-se quanto ao futuro"

+ “Prosseguir sempre com justa discrição, evita muitas dificuldades e abre a estrada para o sucesso”

+ "Aquele que conhece a sua alma está imune ao temor e ao medo causado pelas coisas exteriores".

+ “Assim como o caos tumultuado de uma tempestade traz uma chuva nutritiva que permite à vida florir, assim também nas coisas humanas tempos de progresso são precedidos por tempos de desordem. O sucesso vem para aqueles que conseguem sobreviver à crise.”

Fatos e Curiosidades

A filosofia mítica de “Fuxi da China” exerceu muita influência não apenas na cultura oriental, mas também em grandes pensadores do ocidente. Ao longo dos anos da História da Filosofia, filósofos como Leibniz e Francis Bacon, dentre outros, escreveram ideias e teorias, sobre sistemas de pensamentos ligados a filosofia chinesa da antiguidade.

Fontes:

ABREU, Antônio Dantas. Mitologia Chinesa Primitiva: Quatro mil anos de história através das lendas e dos mitos chineses. São Paulo: Landy Editora, 2000.

BIRRELL, Anne. Uma Introdução a Mitologia Chinesa. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 1993.

BODDE, Derk. Mitologia da China Antiga. Garden City: Anchor Books, 1960.

CAMPBELL, Joseph. O Poder do Mito. São Paulo: Editora Palas Athena, 1990.

CHRISTIE, Anthony. Mitologia Chinesa. Londres: Hamlyn, 1950.

COSTA, Matheus Oliva da. Filosofia Chinesa I: Textos Selecionados. Série Investigação filosófica. Pelotas: Editora UFPle / Dissertation, 2022.

FISHER, Leonard Everett. Deuses e Deusas da China Antiga. Nova York: Holiday House, 2003.

LIU, Tao Tao. Os Mitos Chineses: Um guia para os deuses e lendas. São Paulo: Editora Vozes, 2024.

SEGANFREDO, Carmen. As melhores histórias da Mitologia Chinesa. Porto Alegre: Editora L&PM, 2013.

VULIBRUN, Jorge. Uma leitura filosófica de termos chineses utilizados no I Ching. Revista de Ciências Humanas. Florianópolis: EDUFSC, 2006.

WILHELM, Richard. I Ching. O livro das mutações. São Paulo: Editora Pensamento; 1984.

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