quarta-feira, 22 de abril de 2026

Guilherme Studart

Guilherme Studart - (1856-1938) d.C

Autor: Alysomax Soares

Introdução

Guilherme Chambly Studart - Foi um filósofo cearense ligado às correntes de pensamento da filosofia historiográfica. Atuou como médico, historiador, filósofo e cônsul. Ficou conhecido como o “Barão de Studart”. Iniciou seus primeiros estudos no Ateneu Cearense, deslocando-se em seguida para o Ginásio Baiano, onde concluiu seus estudos secundários na área de Humanidades. Depois ingressou na faculdade de Medicina da Bahia, formando-se por volta do ano de 1877. Retornou ao Ceará, onde passou a exercer atividades médicas no Hospital da Caridade de Fortaleza. Escreveu sobre uma variedade de assuntos técnicos e científicos, tratando de temas históricos, geográficos, médicos e literários. Chegou a atuar como professor, lecionando as disciplinas de Inglês, Geografia e História do Brasil. Participou de variadas agremiações nacionais e internacionais. Foi um dos fundadores da Academia Cearense de Letras, tendo ocupado inicialmente a cadeira de número 2, migrando posteriormente para a cadeira de número 11; além disso, ocupa o quadro de honra deste cenáculo.

Era filho de um Cônsul Inglês chamado John William Studart e da senhora Leonísia de Castro Barbosa Studart. Na linhagem genealógica, pelo lado paterno, era sobrinho de José Smith de Vasconcelos, primeiro “Barão de Vasconcelos”. Pelo lado materno, era bisneto de Joaquim José Barbosa e de João Facundo de Castro Meneses, o “Major Facundo”. Nasceu na cidade de Fortaleza, no dia 5 de janeiro de 1856, e faleceu na capital cearense, no dia 25 de setembro de 1938.

Filosofia da História

Contribuiu notavelmente com a sistematização da história alencarina, produzindo um conjunto de obras que ajudaram na compreensão da história do Ceará. Reuniu um arsenal literário e uma variedade de documentos que serviram de fontes para o entendimento da vida e dos costumes do povo cearense. Produziu obras de destaque sobre o folclore e a cultura popular nordestina. A obra intelectual de Guilherme Studart estendeu-se por diversas áreas do saber. A produção bibliográfica do Barão de Studart totalizou mais de cem trabalhos de elevado saber e ampla projeção mundial. Realizou várias viagens pelo mundo, a fim de reunir documentos comprobatórios que validassem as informações dos historiadores. Muitos desses documentos foram importantes para a comprovação de fatos relacionados à História do Estado. Entre suas principais viagens de pesquisa estão países como Inglaterra, Portugal, França, Holanda e Espanha.

A metodologia abordada pelo Studart, nas suas obras, buscava apresentar uma verdade mais detalhista do ponto de vista histórico, utilizando documentos autênticos e inéditos que legitimassem essa verdade. Além disso, é possível compreender certo criticismo apresentado por ele sobre a questão das dificuldades que existiam na realização do trabalho de pesquisador historiográfico, apontando também sua dedicação e afeição pelo Ceará. Defendia um tipo de história fundamentada na pesquisa documental, na autenticidade das fontes e na imparcialidade do historiador. Essa estratégia, segundo ele, visava incorporar matérias e materiais para os futuros historiadores, servindo de referência vindoura para os estudos históricos cearenses. Dedicava-se a inventariar, colecionar e publicar documentos e textos sobre a História do Ceará, aplicando de maneira rigorosa os métodos científicos de pesquisa histórica. Boa parte de sua obra foi, e ainda é, uma importante fonte de consulta, não apenas histórica, mas também política e jurídica, pois muitas vezes serviu de bússola orientadora para solução de contendas envolvendo terras e limites territoriais.

No âmbito local, o barão realizou inúmeras ações a fim de reunir seu acervo sobre a história. Muitos negociantes e grandes personalidades lhe procuravam com a finalidade de retribuir alguns auxílios solidários, enviando, para ele, como forma de agradecimento, importantes documentos históricos, pois sabiam que Studart estaria montando uma espécie de museu documental. Seu acervo não se limitava apenas a documentos, mas também tinha outros objetos e demais peças de estimado valor patrimonial e histórico. Relata-se que, logo após a sua morte, o acervo histórico do Barão teria sido esquecido e abandonado. Ele teria deixado e doado uma grande quantidade de documentos originais e inéditos sobre a História do Ceará e do Brasil; porém, devido ao descaso e à falta de cuidados do poder público, grande parte de seu material se perdeu no tempo. Todavia, épocas depois, o historiador Raimundo Girão conseguiu salvar e preservar partes do acervo, o que mais tarde se constituiu na chamada “Coleção Studart”.

Filosofia Humanista

Participou ativamente de movimentos sociais e políticos de sua época. Apesar de ser considerado politicamente conservador, Studart atuou de forma significativa no movimento abolicionista do Ceará, integrando inicialmente a Sociedade Cearense Libertadora. No entanto, por não concordar com os métodos adotados por essa entidade, afastou-se e, juntamente com Meton de Alencar e outros intelectuais de peso, fundou o Centro Abolicionista “25 de Dezembro”, reforçando seu compromisso com o fim da escravidão. Lecionou de maneira altruísta, promovendo a instrução pública e criando espaços de leitura. Para ele, o Ceará teria a capacidade de colaborar com a formação de uma nação civilizada por meio da produção intelectual e literária.

Desempenhou um conjunto de ações caridosas que ajudaram a aliviar o sofrimento do povo cearense. Entre suas principais iniciativas estão as que ele exerceu na sua atuação como médico. Criou algumas instituições filantrópicas alinhadas com a Igreja Católica que buscavam socorrer enfermos, instruir crianças desamparadas e consolar os aflitos de alma. Seu trabalho, em favor dos mais necessitados, lhe rendeu a alcunha de o “Barão da Caridade”. Como reconhecimento, o então bispo do Ceará, D. Joaquim Vieira solicitou a outorga do título de barão da Santa Sé, concedido, em 1900, pelo Papa Leão XIII. Paralelamente, em ratificação aos seus serviços prestados à sociedade e à cultura brasileira, recebeu o título de nobreza de Barão de Studart, autorizado conjuntamente pela Igreja Católica e pelo governo brasileiro. Esse título simbolizou não apenas seu prestígio social, mas também a importância de sua atuação intelectual e humanitária. Desse modo, sua filosofia pode ser sintetizada na frase que simbolizava a Sociedade de São Vicente de Paulo: “Enlacemos o mundo numa grande rede de caridade”.

Filosofia Sapiencial

+ “A providência tudo preside”

+ “Os gênios não têm pátria, são cosmopolitas”

+ “Nem sempre é possível fugir da fria realidade”

+ “É condição essencial num historiador a inteira imparcialidade”

+ “As pesquisas e estudos historiográficos me distraem ‘das agruras da minha vida de médico’.

+ “Não posso esquecer esses investigadores do passado da nossa história que fazem dos salões do Instituto o campo de suas operações”

+ “Conto que meus filhos jamais se afastem dos ensinamentos sobre Pátria e Religião, que jamais eles esqueçam, deverá ser a sua divisa e o seu Norte”.

+ “Peço que minhas obras sejam recebidas com o rigor, que deve haver para as obras desse gênero. Da minha parte nas apreciações criteriosas e desapaixonadas sobre seu valor beberei lições e adquirirei incentivos”

+ “Holocaustava-me no altar da ideia, que há longos anos me seduz, e pela qual há muito me bato, a organização e difusão das associações como escolas de moralização, como um dos elementos primordiais do progresso humano”

+ “Transmitir às massas populares, ilesa e ininterrupta, a tradição, ensinar-lhes os altos feitos dos nossos maiores, zelar com carinho as datas nacionais quer de guerra, quer de paz, é manter brilhante e fecunda escola de civismo, é conservar viva e pujante a sementeira do patriotismo e da liberdade”.

+ “Na Pátria de Iracema, o que ele, Camões, mereceu-nos, o que ao Gabinete de Leitura despertou a magia de seu nome, proclamam bem alto esse alcançar das letras, e essa instituição em hora feliz projetada de um curso noturno para a grande família dos artífices. Que ele seja perene são os votos ardentes dos pelejadores da causa sagrada da instrução popular; eis o que nós almejamos”.

+ “Para a existência de muitos desses documentos, o amanhã será demasiado tarde; a ignorância, o desleixo, as afrontas do tempo os terão consumido em parte ou totalmente; é mister, pois, velar por eles, e o melhor modo de fazer é confiá-los à letra impressa. Assim considerando, é que faço públicos meus documentos, muitos deles originais. Que eles aproveitem a alguém e dar-me-ei por contente”.

Fatos e Curiosidades:

Segundo os biógrafos descrevem, o interesse de Guilherme Studart pela pesquisa histórica surgiu após seu retorno ao estado do Ceará. Depois de formado, ao regressar, constatou que havia apenas registros fragmentados sobre a história local, com ausência de fontes fundamentais para uma compreensão mais ampla do passado. Motivado por essa lacuna, financiou do próprio bolso diversas viagens à Europa, onde realizou pesquisas aprofundadas nas principais bibliotecas europeias. Como resultado, trouxe ao Brasil documentos até então desconhecidos pelos estudiosos da história cearense.

Participou de diversas instituições culturais, literárias, científicas e filantrópicas:

Academia Cearense de Letras; O Instituto do Ceará; O Centro Literário; O Centro Abolicionista; A Associação Médico-Farmacêutica do Ceará; O Centro Médico Cearense; O Círculo Católico de Fortaleza; O Círculo dos Operários Católicos de Fortaleza; O Instituto Pasteur; A filial da Cruz Vermelha no Ceará; O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro; Gabinete de Leitura do Aracati; Colônia Cristina; O Instituto Geográfico e Histórico da Bahia; O Instituto Histórico e Geográfico Pernambucano; Sociedade de Estudos Paraenses; O Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina; O Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo; O Instituto Histórico e Geográfico Paraibano; O Instituto Histórico e Geográfico Fluminense; A British Medical Association, a Sociedade de Geografia de Paris e a Sociedade de Geografia de Lisboa; Iracema e Boêmia Literária; Gabinete de Leitura Camucinense; Gabinete Viçosense de Leitura; Sociedade de Estudos Paraenses; Instituto Histórico do Pará; Instituto Geográfico e Histórico Piauiense; Arcádia Americana; Centro de Ciências, Letras e Artes de Campinas; Academia Anchieta de Friburgo; Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais; Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte; Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe; Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro; Grêmio Literário e Recreativo Paraibano; Sociedade Brasileira de Homens de Letras; Academia Mineira de Letras; Instituto Geográfico e Histórico do Rio Grande do Sul; Instituto de História e Geografia do Maranhão; Centro de Letras do Paraná; Grêmio Literário e Cívico do Colégio Militar do Ceará; Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo; Instituto Arqueológico e Histórico Alagoano; Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro; Academia Pernambucana de Letras; Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa; Londres; Societé de Geographie, Paris; Societé de Geographie de Havre; Societé Bibliographique de France; Academia Físico-Química Italiana de Palermo; Academia Americana de La História em Buenos Aires; Academia Nacional de História da Venezuela; e Sociedade Acadêmica de História Internacional de Paris; Membro honorário da Academia Anchieta de Curitiba; Professor emérito da Faculdade de Filosofia e Letras do Rio de Janeiro; Conselho Central Metropolitano das organizações vicentinas.

Obras:

Dicionário bibliográfico cearense; A diocese do Ceará; Família Castro, ligeiros apontamentos; Elementos da gramática inglesa; Geografia do Ceará; Seiscentas datas para a história do Ceará na segunda metade do século XVIII; Climatologia, epidemias e endemias do Ceará; Notas para a História do Ceará; Datas e Fatos Para a História do Ceará; Notas sobre a linguagem e costumes do Ceará; Documentos para a história de Martim Soares Moreno; Três mil datas para a história do Ceará no presente século; Documentos para a história do Brasil, especialmente do Ceará; Tese de Doutorado sobre a Eletroterapia;

Fontes:

AMARAL, Eduardo Lúcio Guilherme. Barão de Studart: memória e distinção. Fortaleza: Museu do Ceará e Secretaria da Cultura e Desporto do Ceará, 2002.

AMORA, Manoel Albano. Academia Cearense de Letras: Síntese Histórica. Revista da academia Cearense de Letras. Fortaleza: Imprensa Universitária do Ceará,1957.

AZEVEDO, Rubens. Os 40 da casa do Barão. Brasília: Revista instituto do Ceará, 1993.

BARREIRA, Dolor. História da Literatura Cearense. Fortaleza: Editora do Instituto do Ceará, 1948.

BATISTA, Paula Virgínia Pinheiro. Arquivo de si e do Ceará: a coleção e a escrita de Guilherme Studart (1892–1938). Tese de Doutorado. Fortaleza: UFC, 2014.

FILHO, Rogaciano Leite. A História Do Ceará Passa Por Esta Rua. Fortaleza: Fundação Demócrito Rocha, 2002.

GARCIA, Fátima. Barão de Studart: O Historiador do Ceará. Fortaleza: Blog Ceará em Fotos e História. Publicado em 14 de agosto de 2015, Acesso em 05/04/2026.

GIRÃO, Raimundo. A Academia de 1894. Fortaleza: ACL, 1975.

NOBRE, F. Silva. 1001 Cearenses Notáveis. Rio de Janeiro: Editora Casa do Ceará, 1996.

SACRAMENTO BLAKE. Dicionário Bibliográfico Brasileiro. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1895.

STUDART, Luís. Apontamentos para a biografia do Barão de Studart. Fortaleza: Revista do Instituto do Ceará, 1956.

domingo, 29 de março de 2026

Escola Eleata

Escola Eleata

Autor: Alysomax Soares

Introdução

Foi uma escola de pensamento filosófico da Antiguidade grega, pertencente à fase pré-socrática, por volta dos séculos (IV e V) a.C. Recebeu esse nome devido à sua localização, situada na região da cidade de Eleia. O mentor e inspirador dessa escola é apontado por muitos pensadores como sendo o filósofo Xenófanes de Cólofon, porém a escola ganhou maior notoriedade com o pensador Parmênides de Eleia, que teria sido seu discípulo. Além desses nomes, a escola também se destacou com outros importantes membros, como Zenão de Eleia e Melisso de Samos.

O desenvolvimento da filosofia eleata ou eleática pode ser compreendido da seguinte forma: Xenófanes apresentou um formato de monismo ainda incompleto, em processo de formação, com forte caráter teológico. Já Parmênides aprofundou o pensamento eleata de modo mais rigoroso, formulando um racionalismo de natureza metafísica. Zenão dedicou-se a sustentar e defender, por meio da dialética e dos paradoxos, as ideias de Parmênides; e, por fim, Melisso executou e relacionou essas ideias no campo físico da natureza. Os eleatas empreenderam concepções do fenomenismo, bem como também do ilusionismo, ao afirmarem que as mudanças não possuem existência real, sendo apenas aparências enganosas produzidas pelos sentidos, os quais deveriam ser retificados pela razão.

Filosofia Eleata

Refletiram sobre a natureza da realidade, defendendo a ideia do monismo e do imobilismo, opondo-se aos conceitos de multiplicidade e mobilidade das coisas, explicando que a mudança não seria real, mas apenas fruto da ilusão dos sentidos. Nesse contexto, a realidade axiomática só poderia ser reconhecida por meio da razão, e não pelo conhecimento sensitivo. Os eleatas se utilizavam da ideia de “logos” para introduzir o raciocínio lógico na percepção da realidade. Caracterizando-se, em explicar a realidade, pelo logos, e não mais, propriamente, pela natureza física da matéria.

A influência de Xenófanes, nessa escola, pode ser descrita pelo fato de ele ter sido, possivelmente, um dos mestres de Parmênides, direcionando-o em alguns pensamentos. Xenófanes combateu o chamado antropomorfismo teológico, introduzindo o monoteísmo filosófico, pois argumentava que a divindade seria una, imóvel e imutável. Diferenciou a verdade da opinião, sugerindo que o conhecimento humano era limitado e que a verdadeira compreensão pertenceria ao "Deus uno". Escreveu em formato de versos, desenvolvendo um estilo de escrita lógico-crítico, baseado na unidade e na razão, distanciando-se dos pensadores da época que focavam na matéria.  

Outro dos principais representantes da escola de Eleia era conhecido como Parmênides. Ele acreditava que a realidade era única, imutável e eterna, argumentando que “o ser é e o não ser não é”, ou seja, “tudo que é, ‘é’, e não pode deixar de “ser”. A essência da realidade não seria mutável, mas a aparência das coisas poderia mudar. Afirmava que tudo estaria em um eterno repouso, concluindo que “toda mutação é ilusória”. Explicava que haveria dois caminhos para o entendimento da realidade, que seriam: a razão e a opinião. No primeiro era possível se chegar à verdade; já no segundo o homem seria levado a um entendimento ilusório ou aparente das coisas. Para Parmênides, os sentidos conduziam o indivíduo ao engano, afastando-o da verdade autêntica, ao produzirem contradições; isso levaria os indivíduos a confundirem o “ser” com o “não-ser”.

O pensador Zenão de Eleia buscou aprofundar as ideias de Parmênides, utilizando os paradoxos para demonstrar que a noção de movimento era apenas uma ilusão, constituída por sucessivos e constantes instantes de momento. Demonstrava que o movimento e a pluralidade seriam logicamente impossíveis, defendendo a ideia de imobilidade do ser. Seu método utilizava técnicas de argumentação que ficaram conhecidas como “redução ao absurdo”. A dialética de Zenão refutava um argumento a partir de princípios admitidos pelo seu interlocutor. Partindo dos paradoxos, ele passava a demonstrar como as opiniões ou contradições poderiam levar seus interlocutores a pensamentos equivocados sobre determinados assuntos.

Para Melisso de Samos, a realidade, além de única, eterna e imutável, também seria infinita. Sua principal contribuição com a escola visou igualar a ideia de natureza ao conceito de ser, além disso, desenvolveu a percepção de infinitude eleática. Realizou uma comparação entre os valores do pensamento sensitivo e do pensamento racional. Desenvolveu uma teoria que ficou conhecida como “a natureza infinita e inalterável do ser”. Sobre a imutabilidade do “ser”, ele afirmava que o "ser" não se transformava e não se alterava. Sistematizou grande parte dos conhecimentos dessa escola, organizando e corrigindo alguns desses saberes.

Considerações Finais

Nessa perspectiva, os principais pontos em comum entre os pensadores dessa escola eram a ideia de que a realidade seria única, imóvel, eterna, imutável, sem princípio ou fim, contínua e indivisível. Partes desses conceitos foram definidas como sendo uma espécie de monismo radical. Entre as principais características da filosofia eleata estão a ideia de monismo, que seria a crença em uma única substância, enquanto ser. Um modelo de racionalismo que poderia ser compreendido pela valorização da razão (logos) sobre o conhecimento sensitivo, definindo uma “lógica-do-ser”, que seria o entendimento de que o “ser” não pode vir do “não-ser”. A contraposição de ideias à filosofia heraclitiana mobilista do “devir”, que se apoiava na noção de mudança da realidade. Quanto à imutabilidade e eternidade, nenhum “ser” poderia gerar outro, nem deixar de existir, pois isso implicaria aumento ou diminuição do próprio “ser”, algo considerado impossível. O pensamento eleata contribuiu, significativamente, para o desenvolvimento da metafísica e da dialética.

Fontes:

ARISTÓTELES. Metafísica. Trad. Edson Bini. São Paulo: Edipro, 2012.

BORNHEIM, Gerd. Os Filósofos Pré-Socráticos. São Paulo, Editora Cultrix, 1967.

CHAUÍ, Marilena. Introdução à história da filosofia. Vol. 2. São Paulo. Editora Companhia das letras. 2010.

COPLESTON, Frederick. História da Filosofia: Grécia e Roma. São Paulo: Editora Loyola, 2021.

DUMONT, Jean. Paul. Elementos de história da filosofia antiga. Brasília: EdUnB, 2005.

KENNY, Anthony. História Concisa da Filosofia Ocidental. Lisboa, Temas e Debates, 1999.

REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. História da Filosofia: Antiguidade e Idade Média. São Paulo: Editora Paulus, 2017.

RUSSELL, Bertrand. História da filosofia ocidental. São Paulo. Companhia editora nacional. 1957.

SIMPLICÍO. Física.  Trad. Alexandre Costa. Anais de filosofia clássica. Vol. 3. N; 06. UFRJ. 2009.

SPINELLI, Miguel. Filósofos Pré-Socráticos: Primeiros mestres da filosofia e da ciência grega. 2ª ed. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2003.

 

domingo, 15 de março de 2026

Heráclito Graça

Heráclito Graça – (1837 a 1914) d.C

Autor: Alysomax Soares

Introdução

Heráclito de Alencastro Pereira da Graça - Foi um filósofo cearense ligado as correntes de pensamento da filosofia linguística. Escreveu uma importante obra gramatical chamada de “Fatos da Linguagem”. Laborou como escritor, político, magistrado e filólogo. Formou-se em Direito, por volta de 1857, na escola de Recife. Migrou para a cidade de São Luiz onde exerceu atividade de Promotor de Justiça. Assumiu os cargos políticos de Deputado Provincial e Deputado Geral pelo estado do Maranhão. Posteriormente, atuou como presidente das províncias da Paraíba e do Ceará. Encantou-se com o mundo das letras, buscando realizar um ativismo político através da escrita de periódicos. Exerceu algumas atividades laborativas ao lado do pensador José de Alencar, com quem mantinha certo grau de amizade. Foi membro da Academia Brasileira de Letras e do Instituto do Ceará. É considerado patrono da cadeira n° 12 da Academia Cearense de Letras e da cadeira n° 19 da Academia Cearense de Ciências, Letras e Artes do Rio de Janeiro (ACCLARJ). Era filho de José Pereira da Graça, popularmente conhecido como o “Barão de Aracati”, e da senhora Maria Adelaide da Graça. Heráclito Graça também era tio do escritor pré-modernista Graça Aranha. Nasceu no município de Icó, em 18 de outubro de 1837, faleceu na cidade do Rio de Janeiro, em 14 de abril de 1914. Recebeu, em sua homenagem, o nome de uma importante avenida que corta o centro de Fortaleza.

Filosofia da Linguagem

Dedicou-se aos estudos da gramática, da história da língua e da literatura no Brasil. Segundo os biógrafos, ele era avesso ao mundo da publicidade, sendo muitas vezes descrito como um homem modesto, por conta da discrição que mantinha sobre seu trabalho. Dissecou uma análise reflexiva a respeito das obras do lexicógrafo português Cândido de Figueredo. Afirmava que era preciso ser impessoal na análise reflexiva sobre o uso da linguagem. Criticava o contexto educacional brasileiro que ensinava a língua portuguesa de maneira simplista, ou seja, sem explorar o refinamento que a língua possuía. Advertia que o brasileiro não tinha clara consciência de sua língua. Na obra Fatos da Linguagem, buscou utilizar um estilo vocabular que unia precisão e concisão, alternando, ao mesmo tempo, entre uma linguagem elevada e compreensível. Valorizando o registro de expressões populares e regionais, que já haviam se integrado ao idioma. Posicionava-se contrário ao chamado purismo exagerado da língua, porém, paralelamente a isso, defendia certo rigor gramatical, registrando uma característica singular aos seus textos. Apropriava-se do método histórico-comparativo com a finalidade de abordar variadas visões sobre o universo linguístico.

Filosofia Juspolítica

Vivenciou partes dos acontecimentos políticos do período imperial e início do republicanismo. Nesse contexto, escreveu para importantes revistas de cunho político e jurídico. Fundando um periódico chamado “A Situação” em que defendia ideias do partido conservador. Operou estudos hermenêuticos, relacionando seus saberes linguísticos com os conhecimentos jurídicos, objetivando esclarecer possíveis equívocos interpretativos, que poderiam ocorrer, caso um jurista empregasse mal uma palavra, ou não fosse claro e assertivo, na escrita correta de suas alegações. Colaborou com um semanário literário de cunho cultural que tinha outros importantes intelectuais como Gentil Braga, Trajano Galvão e Joaquim Serra. Participou de grandes debates políticos sobre a reforma judiciária, o recrutamento eleitoral e a lei do ventre livre. Como administrador, sofreu forte resistência das classes dirigentes, por conta de seu caráter austero e probo. No campo acadêmico, colaborou com a revista jurídica de Pernambuco. Desempenhou consultorias jurídicas trabalhando como advogado do Ministério das Relações Exteriores, na cidade do Rio de Janeiro. Explicava que a noção de paz seria um reflexo do trabalho árduo e habitual, praticado diariamente com esforço, resultando disso, a consolidação de direitos, a prosperidade e o progresso social.

Filosofia Sapiencial

+ “O dialeto é o mais poderoso reparador e conservador da língua”

+ “Em todas as línguas e na sua constante evolução há e há de haver dúvidas e incertezas”.

+ “Somente a paz firma direitos, e desenvolve a prosperidade e o progresso das sociedades”

+ “Que lucre também a língua portuguesa com o nosso limitado debate, separando do joio, o bom trigo, é o meu mais ardente desejo”.

+ “Só os espíritos pequeninos se consideram sabedores de tudo e indefectíveis em suas ideias e pareceres, bamboleando-se em vaidades, que se enviperam irritadiças à primeira e mais leve observação”.

+ “O filósofo Protágoras formulou regras sobre os gêneros, e increpou as de Homero, por isso que divergiam das suas; vaníssima lhe foi a empresa. Homero, o divino Homero sobrepujou ao crítico, em cujas palavras nem os contemporâneos nem os pósteros jamais juraram”.

 

Obras:

Notações Filológicas; Fatos da Linguagem; Periódicos.

 

Fontes:

AMORA, Manoel Albano. Academia Cearense de Letras: Síntese Histórica. Revista da academia Cearense de Letras. Fortaleza: Imprensa Universitária do Ceará,1957.

BARRETO, Mário. Estudos da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Editora Garnier, 1903.

COUTINHO, Afrânio; SOUSA, José Galante de. Enciclopédia de literatura brasileira. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional; ABL, 2001.

GIRÃO, Raimundo. A Academia de 1894. Fortaleza: ACL, 1975.

GONÇALVES, Inez Beatriz de Castro Martins. A banda de música da Força Policial Militar do Ceará: Uma História Social de Práticas e Identidades Musicais. Tese de Doutorado. Belo Horizonte: UFMG/UNL, 2017.

GRAÇA, Heráclito. Fatos da Linguagem. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 2005.

INEP. Guia de fontes em política educacional do Ceará. Brasília: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, acesso em 2026.

LEÃO, Múcio. Suplemento Literário de “A Manhã”: Autores e Livros. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 1945.

MACIEL, Maximino. A Gramática Descritiva. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves & Cia, 1914.  

MELO, Hélio. Heráclito Graça: Grandeza e Simplicidade. Fortaleza: ABL, 1977.  

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Karl Marx

Karl Marx – (1818 a 1883) d.C

Autor: Alysomax Soares

Introdução

Karl Heinrich Marx - Foi um filósofo alemão pertencente ao período contemporâneo. Seu conjunto de ideias ficou conhecido na filosofia como Marxismo. Direcionou seus estudos para o campo político e econômico, sendo considerado um dos precursores do chamado socialismo científico. Seus conhecimentos serviram de base para a sistematização do pensamento comunista moderno, inspirando vários países que buscaram implementar um regime comunista. Sua obra também influenciou várias áreas do conhecimento, exercendo mudanças nos campos econômicos, políticos, filosóficos, históricos e sociais. Iniciou seus estudos no Liceu Friedrich Wilhelm, em Tréveris, posteriormente ingressou na Universidade de Bonn, onde começou o curso de humanidades, porém abandonou a área, migrando para a universidade de Berlim, local em que passou a estudar Direito e Filosofia. Doutorou-se em Filosofia, em 1841, com a tese: “Diferenças entre os sistemas filosóficos de Demócrito e de Epicuro".

Fundou juntamente com o Friedrich Engels a "Sociedade dos Trabalhadores Alemães”. Participou da fundação do Partido Social Democrata Alemão. Criou uma entidade política denominada de “A Liga dos Justos”. Sofreu muitas perseguições políticas por conta de seu ativismo social. Seu pai era um advogado que trabalhava como conselheiro de justiça, conhecido pelo nome de Herschel Marx. Sua mãe era uma senhora chamada Henriette Pressburg. Karl Marx nasceu na cidade de Tréveris, região da Alemanha, no dia 5 de maio de 1818. Faleceu em Londres, na Inglaterra, no dia 14 de março de 1883, vitimado por complicações respiratórias.

Filosofia Política

O cenário político de sua época era favorável ao espírito revolucionário, diversos movimentos de transformação social permearam o universo europeu, como as revoluções burguesas e industriais. Nesse sentido, Marx escreveu uma obra clássica da filosofia política chamada de “O Capital”, no qual ele fazia uma dura crítica ao capitalismo, explicando como funcionava esse sistema e advertindo sobre como esse modelo econômico explorava o trabalhador. Argumentava que o capitalismo, por sua natureza, construía desigualdades e conflitos entre classes sociais. Sustentava a tese de que as sociedades humanas se desenvolvem através da luta de classes, explicando que as transformações sociais ocorrem por meio de conflitos entre classes antagônicas, impulsionadas por mudanças nas forças produtivas. Ele partia da análise das necessidades humanas, considerando que o homem lutava com a natureza, porquanto conflitava, iria aos poucos se descobrindo como um ser produtivo, passando então, a ter consciência de si e do mundo. 

Desenvolveu uma abordagem crítica conhecida como “materialismo histórico dialético”, em que advertia sobre o autodeclínio do capitalismo, pontuando que as crises políticas e econômicas dos sistemas capitalistas levariam esses sistemas a colapsarem, produzindo um novo sistema chamado de socialismo, sendo esse socialismo, uma fase de transição para o sistema comunista. Conforme defendia Marx, o materialismo histórico seria um modelo de estudo social, na qual ele julgava que a história se movia através dos conflitos de classes, em que essas classes, buscariam transformar a sociedade, a partir das condições materiais de vida, principalmente nas relações de produção. Afirmava que a base estrutural da sociedade seria a economia, sendo esta, responsável por moldar a cultura, a política e as ideologias. Isto significava, que as condições materiais e econômicas de uma sociedade determinavam suas estruturas sociais e políticas.

Sincretizou elementos da filosofia idealista hegeliana com ideias materialistas de Feuerbach, relacionando a dialética dos conflitos transformadores com o materialismo histórico. Essa combinação do materialismo filosófico com a dialética, produziu uma filosofia de cunho revolucionário. Apontava que a desigualdade social do seu tempo estaria ancorada numa classe detentora dos meios de produção, chamada de burguesia, que explorava outra classe possuidora da força de trabalho, denominada de proletariados. Argumentava que, conforme as forças de produção se desenvolvem, elas vão transformando os modos de produção em novos sistemas, daí ele citava como exemplo a passagem dos sistemas: escravistas, feudalistas e capitalistas, no curso da história. Realizou fortes análises a respeito da estrutura de classes, pontuando conceituações técnicas sobre filosofia política. Sua teoria definia alguns princípios como a ideia de: Mais-Valia, Alienação e Fetichismo.

Filosofia Marxista

Embora Karl Marx não se autopercebesse, propriamente, como um marxista, pois acreditava que suas ideias não deveriam ser substanciadas em uma doutrina fixa, mas sim, adaptadas conforme uma realidade histórica. O Marxismo foi interpretado, por estudiosos, como sendo uma corrente de pensamento filosófica, que objetivava analisar a sociedade capitalista e propor sua transformação, aspirando construir uma sociedade mais justa e igualitária. Estando centrada na análise materialista e dialética da história, focando na luta de classes como motor impulsionador das mudanças sociais. Propondo como substituição ao sistema capitalista, o modelo socialista, sendo este modelo, uma alternativa de superação do capitalismo, visando uma sociedade sem classes, onde os meios de produção seriam coletivos, através da transformação revolucionária da base econômica.

Segundo Marx, o sistema capitalista lucrava com a exploração gerada entre os donos dos meios de produção e a classe operária, pois o patrão não pagava ao funcionário a quantia justa pelo trabalho realizado, ou seja, os frutos produzidos não eram divididos de maneira igualitária. Nesse sentido, ele conceituava a ideia de “mais-valia”, que seria o valor real, não pago, pelo serviço concluído, isto gerava um capital excedente que era apossado pelos donos dos meios de produção e que não seria repassado ao empregado, fazendo com que o trabalhador não recebesse o valor correto, por seu devido trabalho prestado, provocando uma diferença entre o que o trabalhador produzia e o salário que ele recebia. Para Marx, esse excedente deveria retornar para o trabalhador, na forma de salário, numa porcentagem do valor equivalente ao que foi produzido, e a outra parte teria que ficar com o dono dos meios de produção. Esse seria, então, o conceito que Marx chamou de “mais-valia”.

Entendia que a “Alienação” seria o afastamento do trabalhador de sua própria essência humana, fazendo com que o trabalhador não se reconhecesse dentro do sistema de produção, ou seja, ele tornava-se estranho ao próprio produto de sua atividade. Isto faria com que o trabalhador perdesse sua identidade, o controle de sua vida e do seu trabalho, sendo apenas uma peça dentro da engrenagem capitalista. Segundo Marx, o “Fetichismo” era o deslocamento do real valor humano e natural de um produto para um valor sobrenatural. Esse valor sofreria sua modificação, após o processo de produção. Para ele, durante o processo de produção, os produtos passariam do valor natural de “uso”, para um valor de “troca” mercadológica, sendo adicionado um valor não-natural ao produto. Como exemplo, alguns produtos que são fabricados para atender as necessidades humanas, mas acabam sendo adquiridos para satisfação dos desejos sociais.  

Filosofia Sapiencial

+ “Tudo que é sólido se desmancha no ar”

+ “Tudo que eu sei é que não sou marxista”

+ “As revoluções são a locomotiva da história”

+ "Ser radical é atacar o problema em suas raízes."

+ “A ideologia é um produto das condições materiais da vida”

+ "O trabalho é a fonte de toda a riqueza e de toda a cultura."

+ "A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa."

+ “Mais importante do que interpretar o mundo, é contribuir para transformá-lo”

+ "A história de todas as sociedades até hoje é a história das lutas de classes".

+ "O controle da produção da riqueza é o controle da própria existência humana."

+ “Uma ideia torna-se uma força material quando ganha as massas organizadas”

+ “Os filósofos apenas interpretaram o mundo de diferentes maneiras; o que importa é transformá-lo”.

+ “A desvalorização do mundo humano aumenta em proporção direta com a valorização do mundo das coisas”

+ “O dinheiro é a essência alienada do trabalho e da existência do homem; a essência domina-o e ele adora-a”

+ “Os indivíduos que compõem a classe dominante regulam a produção e a distribuição das ideias de seu tempo."

+ “Não é a consciência dos homens que determina seu ser, mas, ao contrário, seu ser social que determina sua consciência”

+ “Aos oprimidos é permitido uma vez a cada poucos anos decidir quais representantes específicos da classe opressora devem representá-los e reprimi-los”

+ “Que as classes dominantes tremam à ideia de uma revolução comunista! Os proletários nada têm a perder nela a não ser suas cadeias. Têm um mundo a ganhar. Proletários de todos os países, uni-vos”

+ "A classe que tem à sua disposição os meios de produção material dispõe também dos meios da produção espiritual, de modo que a ela estão submetidos aproximadamente ao mesmo tempo os pensamentos daqueles aos quais faltam os meios da produção espiritual”

+ “A sociedade burguesa moderna, que brotou das ruínas da sociedade feudal, não suplantou os velhos antagonismos de classe. Ela colocou no lugar novas classes, novas condições de opressão, novas formas de luta. A sociedade divide-se cada vez mais em dois vastos campos opostos, em duas grandes classes diametralmente opostas: a burguesia e o proletariado”

+ "O trabalhador é tanto mais pobre quanto mais riqueza produz, quanto mais cresce sua produção em potência e em volume. O trabalhador converte-se numa mercadoria tanto mais barata quanto mais mercadoria produz. A desvalorização do mundo humano cresce na razão direta da valorização do mundo das coisas. O trabalho não apenas produz mercadorias, produz também a si mesmo e ao operário como mercadoria, e justamente na proporção em que produz mercadorias em geral."

Obras:

O Capital; O Manifesto do Partido Comunista; A Sagrada Família; A Ideologia Alemã; Contribuição para a crítica da filosofia do Direito em Hegel; O trabalho Assalariado; A miséria da Filosofia; A Questão Judaica; O 18 Brumário de Luís Bonaparte; Contribuição à Crítica da Economia Política; Anais Franco-Alemães; Manuscritos econômico-filosóficos; Teses sobre Feuerbach; Punição capital; População, crime e pauperismo; Guerra Civil na França; Salário, preço e lucro.  

Fontes:

BOTTOMORE, Tom. Dicionário do Pensamento Marxista. Rio de Janeiro: Editora Zahar, 2013.

FAUSTO, Ruy. Dialética Marxista, Humanismo, Anti-humanismo. São Paulo: Editora Brasiliense, 1983.

GABRIEL, Mary. Amor e capital: A saga familiar de Karl Marx e a história de uma revolução. Rio de Janeiro: Editora Zahar, 2013.

HOBSBAWM, Eric. Como mudar o mundo: Marx e o marxismo (1840–2011). São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2011.

HEINRICH, Michael. Karl Marx e o nascimento da sociedade moderna. São Paulo: Editora Boitempo, 2018.

IANNI, Octavio. Dialética e capitalismo: Ensaio sobre o pensamento de Marx. Petrópolis: Editora Vozes, 1982

KONDER, Leandro. Marx: vida e obra. São Paulo: Editora Paz e Terra, 2011.

MARX, Karl. O capital: Livro 1 - O processo de produção do capital. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1998.

NETTO, José Paulo. O que é Marxismo. São Paulo: Editora Brasiliense, 1987.

SEGRILLO, Ângelo. Karl Marx: uma biografia dialética. Curitiba: Editora Prismas, 2018.

 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

General Tibúrcio

General Tibúrcio - (1837 a 1885) d.C

Autor: Alysomax Soares

Antônio Tibúrcio Ferreira de Sousa - Foi um filósofo estadista cearense ligado as correntes de pensamento do militarismo. Exerceu papel importante na guerra do Paraguai, bem como também, em outros conflitos dos quais o Brasil fez parte, desempenhando diversas funções e assumindo vários cargos dentro da atividade militar. Definido por alguns como o soldado pensador e o “soldado-cidadão”, ele ficou conhecido também como “O General Filósofo”. Laborou como político, militar, professor e filósofo. Iniciou sua carreira militar aos 14 anos de idade no batalhão de infantaria, na cidade de Fortaleza. Foi condecorado com várias medalhas, como a Medalha da Campanha Oriental e a Ordem da Rosa, sendo nomeado Oficial do Cruzeiro. É considerado patrono do 38º Batalhão de Infantaria. Era filho do senhor Francisco Ferreira de Sousa com a senhora Margarida Ferreira do Nascimento. Nasceu no município de Viçosa do Ceará, região da serra de Ibiapaba, em 11 de agosto de 1837. Faleceu na cidade de Fortaleza, em 28 de março de 1885. Teria sido enterrado, inicialmente, no cemitério São João Batista, porém, posteriormente, seus restos mortais foram exumados e transladados para uma praça que leva seu nome, no centro de Fortaleza. Recebeu em sua homenagem várias estátuas pelas ruas e praças do país. Seu nome se encontra inscrito no livro dos heróis da pátria.          

Filosofia Militar

Possuía grande inclinação para o mundo das letras, sendo admirado por muitos como um homem culto. Contemporizou influências dos filósofos estoicos, assim como de pensadores como Adam Smith, Kant e Victor Hugo. Era detentor de uma hábil memória e grande poder de eloquência, recitando, de cor, grandes poetas e pensadores. Estudava todas as áreas do conhecimento, desde ciências exatas e aplicadas, até as humanas e sociais. Também tinha um bom caráter, sendo muitas vezes espirituoso e irreverente, característica inerente e própria do cearense ingênito, entoando nas rodas de amigos, epigramas, anedotas e histórias icônicas. Na arena política era contrário aos ideais de servidão humana, chegando a defender o republicanismo, o abolicionismo e a lutar em prol dos cativos, acreditando nas transformações sociais através do poder da educação.

Desenvolveu conceitos do militarismo construindo pensamentos que ajudaram a enaltecer os valores do militar. A concepção do chamado “soldado-cidadão”, ensinada por ele, elevava a moral das tropas, que passavam a cultivar o espírito ético do guerreiro. Como formador, Tibúrcio utilizou o positivismo para ajudar a transmitir valores como: o respeito à dignidade do ser humano; o patriotismo; o civismo; o profissionalismo; a lealdade; a constância; a verdade; a honra; a honestidade e a coragem. Esses valores visavam construir uma identidade política nos militares brasileiros. Segundo constatam alguns biógrafos, sua casa era decorada apenas com armas e livros. Como descreve o pensador Eusébio de Sousa: Tibúrcio foi “Grande nas armas e Grande nas Letras”.

Ingressou no batalhão de infantaria em 1851, servindo como praça. Depois assumiu o posto de Furriel, tendo logo em seguida sido promovido ao cargo de Sargento. Por volta de 1857, iniciou o curso de artilharia na escolar militar, ascendendo aos postos de Tenente e Capitão. Passou a lecionar as disciplinas de Matemática, Física e Química na escola Militar de artilharia. Tornou-se voluntário da pátria, atuando nos batalhões de engenharia e infantaria, durante a guerra do Paraguai. Logo após, progrediu a escala de Major, exercendo grande notoriedade, sendo reconhecido por sua bravura e avançando ao nível de Coronel. Durante a guerra operou com coragem e audácia nos fronts de batalha, defendendo os interesses da pátria. Também atuou como estadista concretizando ações estratégicas que ajudaram na tomada de decisões militares. Depois da guerra passou a exercer algumas atividades de inspetoria, elevando-se a esfera de General. 

Filosofia da História

A história desse pensador foi referenciada como instrumento de consolidação da “História do Ceará”, servindo de apoio na construção da memória e inteligência alencarina. Muitos historiadores precisaram narrar os feitos heroicos do povo cearense, descrevendo datas e fatos, sistematizando os eventos históricos, com a finalidade de registrar o sentimento de pertencimento genuíno a sua terra. Foi nesse sentido, que a história de Tibúrcio contribuiu para a compreensão de toda uma época, bem como para a sua memória e a do seu povo. Sua trajetória de vida também é prestigiada na cidade de Viçosa do Ceará, onde uma praça e um monumento foram nomeados em sua homenagem.

Na “Praça General Tibúrcio”, conhecida popularmente como, praça dos leões, no centro de Fortaleza, existe uma estátua do General, que foi construída para homenagear e registrar uma das lendas históricas locais. Seus restos mortais se encontram no pedestal, embaixo da estátua. A praça é considerada atualmente, um dos patrimônios históricos do Ceará. Ela possui outras estátuas, como a da escritora Rachel de Queiroz. O local já se chamou largo do palácio e foi palco para diversos conflitos políticos que fazem parte da história do Ceará. A estátua do Herói da guerra do Paraguai é apontada como uma das primeiras estátuas erguidas em Fortaleza.

Filosofia Sapiencial:

+ “É verdade que quem ensina também aprende”

+ “Paciência é coisa que se adquire com o tempo”

+ “Porta-te sempre como homem de bem, que serás feliz”...

+ "Nunca é tarde para aprender, porém, quanto antes melhor!"       

+ “É preciso suportar de boa mente aquilo que não é possível se evitar”

+ “Se a sua missão é ministrar aulas, não reclame dos alunos. Ensine-os.”

+ “A Justiça do Homem não deve ser partidária e sim semelhante a de Deus que por justiça emite sua luz para todos brilharem.”

Fatos e Curiosidades

Relata-se que, certa tarde Tibúrcio estava reunido com alguns colegas no pátio da Escola Militar, conversando de maneira descontraída, quando um companheiro chegou atrasado e resmungou em tom de desânimo: - Vocês estão sabendo? Está declarada a guerra no Prata! Conta-se que Tibúrcio ergueu-se pulando e bradou: - “Bravo! ou morro, ou volto coronel”...

Batalhas:

Participou de várias batalhas, entre elas: Corrientes, Riachuelo, Ilha do Cabrito, Tuyuti, Peripeuy, Rojas, Estero, Ballaço, Caraguatay, Campo Grande, ganhando sólido reconhecimento pela sua liderança e bravura em combate. Na Batalha Naval de Riachuelo comandou a artilharia a bordo do navio “Belmonte”.

Condecorações:

Medalha de Prata de Corrientes; Medalha de Prata de Riachuelo; Cavalheiro da Imperial Ordem do Cruzeiro; Cavaleiro da Ordem da Rosa; Oficial da Ordem da Rosa; Comendador da Ordem da Rosa; Oficial da Imperial Ordem do Cruzeiro; Medalha de Mérito Militar; Dignatário da Ordem da Rosa; Medalha de Prata da Campanha do Uruguai; Medalha Geral da Campanha do Paraguai; Espada de honra da Escola de Tiro de Campo Grande.

Fontes:

BRÍGIDO, João. Ceará, homens e fatos. Rio de Janeiro: inelivros, 2001.

CÂMARA, José Aurélio Saraiva. Um Soldado do Império: O General Tibúrcio e seu tempo. Brasília: Editora Biblioteca do Exército, 2003.

CUNHA, Maria Noelia Rodrigues da. Praças de Fortaleza. Fortaleza: Imprensa Oficial do Ceará, 1990.

ENDERS, Armelle. Os vultos da nação: fábrica de heróis e a formação dos brasileiros. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2014.

INSTITUTO DO CEARÁ. O General Tibúrcio: Traços Principais. Fortaleza: Revista Trimensal o libertador, 1921.

NOBRE, F. Silva. 1001 cearenses notáveis.  Fortaleza: Editora casa do Ceará, 1996.

RAMOS, Francisco Régis Lopes. O fato e a fábula: o Ceará na escrita da história. Fortaleza: Editora Expressão Gráfica, 2012.

REIS, Josué Callander dos. O General Antônio Tibúrcio Ferreira de Souza. Revista de História. São Paulo: Universidade de São Paulo, 1968.

SOUSA, Eusébio de. Tibúrcio: O Grande Soldado e Pensador. Fortaleza, Edições UFC, 1985.

STUDART, Guilherme. Datas e fatos para a história do Ceará. Fortaleza: Editora Fundação Waldemar Alcântara, 2001.

 

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Michel de Montaigne

Michel de Montaigne – (1533 a 1592) d.C

Autor: Alysomax Soares

Introdução

Michel Eyquem de Montaigne - Foi um filósofo francês do período moderno que viveu na fase renascentista. Transitou seu sistema de pensamento entre as concepções do moralismo e do ceticismo. Sendo descrito como um cético humanista. Inaugurou um estilo de escrita denominado de ensaios pessoais, publicando por volta de 1580, sua “Magnum opus” intitulada de “ensaios”. Iniciou seus estudos no colégio de Guyene, em Bordeaux. Estudou Direito na Universidade de Toulouse, tendo atuado como magistrado e político. Considerado um grande pensador erudito, foi influenciado por múltiplos filósofos. Publicou uma variedade de textos sobre filosofia, literatura e história, em que dissertava a respeito da condição humana. Tinha grande relação de amizade com o filósofo Étienne de La Boétie. Seu pai era um senhor conhecido como Pierre Eyquem e sua mãe a senhora Antoinette de Loupes de Villeneuve. Nasceu em 28 de fevereiro de 1533, no Castelo de Montaigne, localizado em Dordonha, próximo a região de Bordeaux, na França. Faleceu em 13 de setembro de 1592, em sua cidade natal, vitimado por uma inflamação nas amígdalas.

Filosofia Humanista

Refletiu sobre o humanismo de maneira diversificada, pontuando suas individualidades e características. Sua obra resultou de observações, meditações e reflexões contextualizadas, que foram adquiridas através da leitura de um vasto saber humanístico. Defendia a ideia de que o problema da existência humana seria algo que não poderia propriamente ser respondido, acreditando que o homem seria um milagre em si mesmo. Utilizava-se da introspecção como ferramenta para compreensão do homem. Problematizou a questão da ética de forma original, sem se prender a um sistema específico de pensamento. Cultuava meditações pacifistas, desenvolvendo argumentos e teses, que ajudassem no entendimento das conciliações de conflitos, promovendo a cultura da tolerância. Para ele, o diálogo deveria ser utilizado no sentido de se evitar a violência, ou seja, a ordem deveria ser estabelecida, não propriamente pelo uso da força física, mas sim pela força da palavra e das ideias. Embora acreditasse, dentro de certo contexto, que toda ideia nova pode ser perigosa, defendia que todo homem deve ser respeitado. Aconselhava o hábito da moderação para que a noção de liberdade estivesse atrelada ao autocontrole. Na sua atuação como político ele promoveu algumas reformas para melhorar a vida de crianças, mulheres e demais pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Filosofia da educação

Acreditava que a educação deveria ser experienciada com vivências práticas, por isso tinha uma visão empirista da educação, defendendo uma educação analítica e crítica, através do ponto de vista observacional, desse modo atacava a cultura livresca renascentista, que apoiava o aprendizado baseado apenas na memorização. A criança deveria ser ensinada a observar e a julgar por si mesma, construindo certa autonomia. Aferindo que toda criança, na esfera educacional, deve ter sua personalidade respeitada, em face de suas individualidades. Posicionava-se a favor da articulação dos saberes, que deveriam relacionar teorias investigativas com práticas conclusivas. Nesse sentido, ele advertia: “Cuidamos apenas de encher a memória, e deixamos vazios o entendimento e a consciência.”

Apesar de sua obra ser um estudo que partia de si mesmo, para assim entender o ser humano, segundo Montaigne, o homem não poderia conhecer completamente o mundo, a partir de si mesmo, pois conhecer a si mesmo refletiria apenas uma singularidade e não um saber totalizante do indivíduo. Seu estilo de escrita era permanente e contínuo, por isso passou quase toda a vida acrescentando trechos originais e revisando a sua grande obra. Seus textos continham desde reflexões entre mente e matéria, até questões criativas e irônicas.

Fatos e Curiosidades

Relata-se que Montaigne teve uma educação excêntrica e diversificada, quando criança, passou boa parte de sua vida estudando e convivendo, com camponeses em uma cabana isolada. Seu pai teria o enviado para uma aldeia com o objetivo de ensiná-lo a viver em situação de dificuldade, aprendendo valores como respeito, proteção, honestidade e coragem. 

Filosofia Sapiencial

+ “A covardia é a mãe da crueldade”.

+ “A morte: nossa eterna companheira”

+ “O lucro de um é o prejuízo de outro”

+ “Do medo é que eu tenho mais medo”.  

+ “Quem não tem boa memória não deve mentir”.      

+ “Quem tem medo do sofrimento já está sofrendo”.

+ “A mais sutil loucura é feita da mais sutil sabedoria”

+ “A melhor coisa do mundo é saber ser você mesmo.”

+ “A palavra é metade quem fala e metade quem ouve”.

+ “O verdadeiro espelho dos nossos discursos é nossa vida”.

+ “Cada homem tem em si a condição inteira da humanidade”

+ “É melhor uma cabeça bem-feita do que uma cabeça cheia”.

+ “As mais belas almas são as que têm mais variedade e flexibilidade”.

+ “Quem ensinar os homens a morrerem vai também ensinar a viverem”.

+ “O melhor casamento seria entre uma mulher cega e um marido surdo”.

+ “Mesmo no mais alto trono continuaremos sentados sobre nosso traseiro”.

+ “Não estamos nunca junto de nós, mas sempre para além de nós mesmos”

+ “Não morremos porque estamos doentes, morremos porque estamos vivos”.

+ “Abandonar a vida por um sonho é estimá-la exatamente por quanto ela vale.”

+ “Pode-se ter saudades dos tempos bons, mas não se deve fugir ao presente.”

+ “O homem não tem nenhum outro animal a temer no mundo tanto quanto ao homem.”

+ “A mais honrosa das ocupações é servir o público e ser útil ao maior número de pessoas.”

+ “O homem não é tão ferido pelo que acontece, e sim por sua opinião sobre o que acontece.”

+ “Cuidamos apenas de encher a memória, e deixamos vazios o entendimento e a consciência”.

+ “A sabedoria é uma construção sólida e única, na qual cada parte tem seu lugar e deixa sua marca.”

+ “O casamento é uma gaiola em que os pássaros que estão fora querem entrar e os que estão dentro querem sair”.

+ “Fica estabelecida a possibilidade de sonhar coisas impossíveis e de caminhar livremente em direção aos sonhos.”

+ “Apenas pelas palavras o ser humano alcança a compreensão mútua. Por isso, aquele que quebra sua palavra atraiçoa toda a sociedade humana.”

+ “Exprimo livremente minha opinião acerca de tudo, mesmo daquilo que, por ultrapassar meus conhecimentos intelectuais, considero fora de minha alçada. O meu comentário tem por fim revelar meu ponto de vista, e não julgar o mérito das coisas”.

+ “Não vejo nada de bárbaro ou selvagem no que dizem daqueles povos (Tupinambás); e, na verdade, cada qual considera bárbaro o que não se pratica em sua terra. (…) Não me parece excessivo julgar bárbaros tais atos de crueldade [o canibalismo], mas que o fato de condenar tais defeitos não nos leve à cegueira acerca dos nossos. Estimo que é mais bárbaro comer um homem vivo do que o comer depois de morto; e é pior esquartejar um homem entre suplícios e tormentos e o queimar aos poucos, ou entregá-lo a cães e porcos, a pretexto de devoção e fé, como não somente o lemos, mas vimos ocorrer entre vizinhos nossos conterrâneos; e isso em verdade é bem mais grave do que assar e comer um homem previamente executado. (…) Podemos, portanto, qualificar esses povos como bárbaros em dando apenas ouvidos à inteligência, mas nunca se compararmos a nós mesmos, que os excedemos em toda sorte de barbaridades”.

Fontes:

BAKHTIN, Mikhail. A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais. São Paulo: Editora Hucitec, 1999.

BORNHEIM, Gerd. Montaigne: o ceticismo e a condição humana. Rio de Janeiro: editora Jorge Zahar, 2007.

CARDOSO, Sérgio. Montaigne filósofo. São Paulo: Cult, 2017.

CHAUÍ, Marilena. Introdução aos Ensaios de Montaigne. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2004.

FIGUEIREDO, Vinicius de. O ceticismo nos Ensaios de Montaigne. Curitiba: Editora UFPR, 2003.

FRAME, Donald Murdoch. A Descoberta do Homem por Montaigne: A Humanização de um Humanista. Nova Iorque: Columbia University Press, 1955.

HOFFMANN, George. A Carreira de Montaigne. Nova York: Oxford, 1998.

MONTAIGNE, Michel de. Ensaios. trad. Sérgio Milliet. São Paulo: Edição Cultural e Industrial, 1972.

STAROBINSKI, Jean. Montaigne em movimento. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

VASCONCELOS, José Carlos de Araújo. Montaigne e a arte do ensaio. Lisboa: Editora Relógio d’Água, 1998.