Escola Eleata
Autor: Alysomax Soares
Introdução
Foi uma escola de pensamento filosófico da Antiguidade grega,
pertencente à fase pré-socrática, por volta dos séculos (IV e V) a.C. Recebeu
esse nome devido à sua localização, situada na região da cidade de Eleia. O mentor
e inspirador dessa escola é apontado por muitos pensadores como sendo o
filósofo Xenófanes de Cólofon, porém a escola ganhou maior notoriedade com o
pensador Parmênides de Eleia, que teria sido seu discípulo. Além desses nomes,
a escola também se destacou com outros importantes membros, como Zenão de Eleia
e Melisso de Samos.
O desenvolvimento da filosofia eleata ou eleática pode ser compreendido
da seguinte forma: Xenófanes apresentou um formato de monismo ainda incompleto,
em processo de formação, com forte caráter teológico. Já Parmênides aprofundou
o pensamento eleata de modo mais rigoroso, formulando um racionalismo de
natureza metafísica. Zenão dedicou-se a sustentar e defender, por meio da
dialética e dos paradoxos, as ideias de Parmênides; e, por fim, Melisso executou
e relacionou essas ideias no campo físico da natureza. Os eleatas empreenderam
concepções do fenomenismo, bem como também do ilusionismo, ao afirmarem que as
mudanças não possuem existência real, sendo apenas aparências enganosas
produzidas pelos sentidos, os quais deveriam ser retificados pela razão.
Filosofia Eleata
Refletiram sobre a natureza da realidade, defendendo a ideia do monismo
e do imobilismo, opondo-se aos conceitos de multiplicidade e mobilidade das
coisas, explicando que a mudança não seria real, mas apenas fruto da ilusão dos
sentidos. Nesse contexto, a realidade axiomática só poderia ser reconhecida por
meio da razão, e não pelo conhecimento sensitivo. Os eleatas se utilizavam da
ideia de “logos” para introduzir o raciocínio lógico na percepção da
realidade. Caracterizando-se, em explicar a realidade, pelo logos, e não mais,
propriamente, pela natureza física da matéria.
A influência de Xenófanes, nessa escola, pode ser descrita pelo fato de
ele ter sido, possivelmente, um dos mestres de Parmênides, direcionando-o em
alguns pensamentos. Xenófanes combateu o chamado antropomorfismo teológico,
introduzindo o monoteísmo filosófico, pois argumentava que a divindade seria una,
imóvel e imutável. Diferenciou a verdade da opinião, sugerindo que o
conhecimento humano era limitado e que a verdadeira compreensão pertenceria ao
"Deus uno". Escreveu em formato de versos, desenvolvendo um estilo de
escrita lógico-crítico, baseado na unidade e na razão, distanciando-se dos
pensadores da época que focavam na matéria.
Outro dos principais representantes da escola de Eleia era conhecido
como Parmênides. Ele acreditava que a realidade era única, imutável e eterna,
argumentando que “o ser é e o não ser não é”, ou seja, “tudo que é, ‘é’,
e não pode deixar de “ser”. A essência da realidade não seria mutável, mas
a aparência das coisas poderia mudar. Afirmava que tudo estaria em um eterno
repouso, concluindo que “toda mutação é ilusória”. Explicava que
haveria dois caminhos para o entendimento da realidade, que seriam: a razão e a
opinião. No primeiro era possível se chegar à verdade; já no segundo o homem
seria levado a um entendimento ilusório ou aparente das coisas. Para
Parmênides, os sentidos conduziam o indivíduo ao engano, afastando-o da verdade
autêntica, ao produzirem contradições; isso levaria os indivíduos a confundirem
o “ser” com o “não-ser”.
O pensador Zenão de Eleia buscou aprofundar as ideias de Parmênides,
utilizando os paradoxos para demonstrar que a noção de movimento era apenas uma
ilusão, constituída por sucessivos e constantes instantes de momento. Demonstrava
que o movimento e a pluralidade seriam logicamente impossíveis, defendendo a
ideia de imobilidade do ser. Seu método utilizava técnicas de argumentação que
ficaram conhecidas como “redução ao absurdo”. A dialética de Zenão
refutava um argumento a partir de princípios admitidos pelo seu interlocutor. Partindo
dos paradoxos, ele passava a demonstrar como as opiniões ou contradições
poderiam levar seus interlocutores a pensamentos equivocados sobre determinados
assuntos.
Para Melisso de Samos, a realidade, além de única, eterna e imutável,
também seria infinita. Sua principal contribuição com a escola visou igualar a
ideia de natureza ao conceito de ser, além disso, desenvolveu a percepção de
infinitude eleática. Realizou uma comparação entre os valores do pensamento
sensitivo e do pensamento racional. Desenvolveu uma teoria que ficou conhecida
como “a natureza infinita e inalterável do ser”. Sobre a
imutabilidade do “ser”, ele afirmava que o "ser" não
se transformava e não se alterava. Sistematizou grande parte dos conhecimentos
dessa escola, organizando e corrigindo alguns desses saberes.
Considerações Finais
Nessa perspectiva, os principais pontos em comum entre os pensadores
dessa escola eram a ideia de que a realidade seria única, imóvel, eterna,
imutável, sem princípio ou fim, contínua e indivisível. Partes desses conceitos
foram definidas como sendo uma espécie de monismo radical. Entre as principais
características da filosofia eleata estão a ideia de monismo, que seria a
crença em uma única substância, enquanto ser. Um modelo de racionalismo que
poderia ser compreendido pela valorização da razão (logos) sobre o
conhecimento sensitivo, definindo uma “lógica-do-ser”, que seria o entendimento
de que o “ser” não pode vir do “não-ser”. A contraposição de ideias
à filosofia heraclitiana mobilista do “devir”, que se apoiava na noção
de mudança da realidade. Quanto à imutabilidade e eternidade, nenhum “ser”
poderia gerar outro, nem deixar de existir, pois isso implicaria aumento ou
diminuição do próprio “ser”, algo considerado impossível. O pensamento
eleata contribuiu, significativamente, para o desenvolvimento da metafísica e
da dialética.
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