Filosofia Moderna
Autor: Alysomax Soares
Introdução
Foi um período da filosofia que se iniciou no século XV e se estendeu
até o século XVIII. Em termos históricos, costuma-se situar seu início em 1453,
com a queda de Constantinopla, e seu término em 1789, com a Revolução Francesa.
Embora muitos pensadores discordem sobre qual momento específico poderia melhor
caracterizar a filosofia moderna, a maior parte concorda que a transição do
período medieval para a filosofia moderna teve como principal marco a fase
intermediária do Renascimento. Esse tempo foi marcado pela revolução do
pensamento teológico, filosófico e científico. Nessa perspectiva, esse momento
consolidou-se pela elucubração da razão, da consciência e do iluminismo. Trouxe
descobertas científicas e grandes transformações culturais. Ficou conhecido
também como a transição do teocentrismo para o antropocentrismo, ou seja, de um
pensamento mais teológico e religioso para uma concepção em que o homem se vê
no centro das ideias. Passando, então, a valorizar mais a razão e o
conhecimento humano. A elaboração de um pensamento mais crítico proporcionou
uma expansão da liberdade de expressão. As verdades que antes eram consideradas
axiomáticas passaram a ser instrumentalizadas, transmutando-se em saberes
praxiológicos.
Desenvolvimento da Filosofia Moderna
No campo histórico e social, alguns fatores são elencados como
condicionantes que contribuíram para a formação do pensamento moderno, como,
por exemplo: a expansão marítima, a descoberta de novas terras, as reformas
religiosas, o Renascimento, a modernização da imprensa, o surgimento dos
estados modernos, o desenvolvimento do mercantilismo, o surgimento da burguesia
e o advento dos regimes absolutistas. A filosofia moderna passou por três
grandes fases chamadas de: fase renascentista, na qual houve um forte debate
entre o humanismo e o cientificismo; a segunda fase, em que surgiu o confronto
entre o racionalismo e o empirismo; e a terceira fase, descrita como
iluminista.
No período renascentista, houve uma afirmação dos valores da cultura
clássica, isto é, os pensadores dessa fase passaram a enaltecer o saber dos
gregos antigos. Ficou marcada devido às grandes mudanças no campo religioso,
com as chamadas reformas protestantes e contrarreformas. A imprensa também
contribuiu para a divulgação de novos conhecimentos. Sucedeu-se uma introdução
do Humanismo, representando uma mudança de paradigma, que privilegiava o ser
humano como referência principal do conhecimento e da cultura, em oposição ao
teocentrismo da Idade Média.
A fase racionalista e empirista mostrou-se como o apogeu da filosofia moderna, consolidando e firmando o cientificismo presente nesse tempo. Inicia-se a sistematização de uma reflexão crítica que trouxe uma inovação metodológica na investigação da ciência. Enquanto os racionalistas defendiam que a “razão” seria o principal meio para se chegar ao conhecimento verdadeiro, os empiristas sustentavam que a “experiência” era o caminho mais seguro para se alcançar um saber autêntico. Novos elementos de abordagem ao conhecimento foram empregados, como a dúvida, a experimentação, a indução e as provas. No campo político, esse embate auxiliou na formação do Estado moderno, sendo fundamentado em ideias absolutistas e contratualistas.
Durante a etapa iluminista, ocorreu uma grande valorização da razão, da
ciência, da liberdade e do progresso. A elevação do pensamento crítico ajudou a
consolidar princípios humanistas como liberdade, igualdade, fraternidade e
justiça. Os iluministas acreditavam que o progresso técnico e científico seria
o principal responsável pelo desenvolvimento moral e social. Esses filósofos
acreditavam que o uso racional do conhecimento poderia promover o progresso da
humanidade, combater a ignorância e superar o autoritarismo político e
religioso. O ser humano passou a ser compreendido como um sujeito capaz de
pensar criticamente, questionar tradições, tomar decisões fundamentadas na
razão e construir seu próprio conhecimento.
Kant buscou realizar um ensaio crítico da razão, esse sistema de
pensamento ficou conhecido como criticismo. Empenhou-se no esforço de conciliar
a filosofia racionalista com a empirista. Para ele, o conhecimento se dividia
em duas modalidades fundamentais: o conhecimento empírico, que se originava da
experiência sensível, e o conhecimento puro, que seria independente da
experiência e se fundamentava em princípios “a priori”. Para o filósofo,
o processo de conhecer resultaria da articulação entre essas estruturas
racionais prévias e os dados fornecidos pela experiência. Assim, o ser humano
não apreende a realidade em sua essência objetiva, mas apenas os fenômenos, tal
como são organizados e percebidos pela mente. Seu sistema de pensamento impulsionou
mudanças nos campos da epistemologia, da metafísica, da lógica e da ontologia.
Considerações Finais
Foi possível compreender que a filosofia moderna ficou marcada por
várias mudanças em muitos campos do pensamento humano. Esse período se
consolidou pelas profundas transformações políticas, econômicas, científicas,
culturais e religiosas ocorridas na Europa, como o Renascimento, a Reforma
Protestante, a Revolução Científica e, posteriormente, o Iluminismo. Desse
modo, as novas perspectivas de pensamento que floresceram com o Renascimento e
se expandiram por meio do Humanismo contribuíram para o surgimento e a
consolidação da Filosofia Moderna. A adoção do método científico e a crescente
importância atribuída à observação empírica proporcionaram novas formas de
compreender a realidade. A filosofia moderna passou a se centrar mais no
indivíduo e em questões epistemológicas. Com isso, ganhou destaque o surgimento
do liberalismo, do idealismo e do iluminismo.
O ser humano começou a refletir sobre a própria forma de pensar, transformando o pensamento em objeto de investigação. Consolidou-se a ideia de que o homem possuía a capacidade de exercer domínio técnico sobre a natureza e sobre as estruturas sociais. A realidade passou a ser compreendida como racional por constituir um conjunto organizado de relações de causa e efeito, passíveis de compreensão e de transformação pela ação humana. Dessa forma, visto que essa realidade passou a ser explicada por meio dos conceitos desenvolvidos pelo sujeito cognoscente, o ser humano tornou-se capaz de atuar sobre ela, modificando-a e atribuindo-lhe novos significados. A confiança na razão voltou-se a ocupar um lugar central no pensamento filosófico, estimulando o desenvolvimento do método científico e da investigação crítica.
Fontes:
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