sábado, 18 de julho de 2026

Filosofia Moderna

Filosofia Moderna

Autor: Alysomax Soares

Introdução

Foi um período da filosofia que se iniciou no século XV e se estendeu até o século XVIII. Em termos históricos, costuma-se situar seu início em 1453, com a queda de Constantinopla, e seu término em 1789, com a Revolução Francesa. Embora muitos pensadores discordem sobre qual momento específico poderia melhor caracterizar a filosofia moderna, a maior parte concorda que a transição do período medieval para a filosofia moderna teve como principal marco a fase intermediária do Renascimento. Esse tempo foi marcado pela revolução do pensamento teológico, filosófico e científico. Nessa perspectiva, esse momento consolidou-se pela elucubração da razão, da consciência e do iluminismo. Trouxe descobertas científicas e grandes transformações culturais. Ficou conhecido também como a transição do teocentrismo para o antropocentrismo, ou seja, de um pensamento mais teológico e religioso para uma concepção em que o homem se vê no centro das ideias. Passando, então, a valorizar mais a razão e o conhecimento humano. A elaboração de um pensamento mais crítico proporcionou uma expansão da liberdade de expressão. As verdades que antes eram consideradas axiomáticas passaram a ser instrumentalizadas, transmutando-se em saberes praxiológicos.

Desenvolvimento da Filosofia Moderna

No campo histórico e social, alguns fatores são elencados como condicionantes que contribuíram para a formação do pensamento moderno, como, por exemplo: a expansão marítima, a descoberta de novas terras, as reformas religiosas, o Renascimento, a modernização da imprensa, o surgimento dos estados modernos, o desenvolvimento do mercantilismo, o surgimento da burguesia e o advento dos regimes absolutistas. A filosofia moderna passou por três grandes fases chamadas de: fase renascentista, na qual houve um forte debate entre o humanismo e o cientificismo; a segunda fase, em que surgiu o confronto entre o racionalismo e o empirismo; e a terceira fase, descrita como iluminista.

No período renascentista, houve uma afirmação dos valores da cultura clássica, isto é, os pensadores dessa fase passaram a enaltecer o saber dos gregos antigos. Ficou marcada devido às grandes mudanças no campo religioso, com as chamadas reformas protestantes e contrarreformas. A imprensa também contribuiu para a divulgação de novos conhecimentos. Sucedeu-se uma introdução do Humanismo, representando uma mudança de paradigma, que privilegiava o ser humano como referência principal do conhecimento e da cultura, em oposição ao teocentrismo da Idade Média.

A fase racionalista e empirista mostrou-se como o apogeu da filosofia moderna, consolidando e firmando o cientificismo presente nesse tempo. Inicia-se a sistematização de uma reflexão crítica que trouxe uma inovação metodológica na investigação da ciência. Enquanto os racionalistas defendiam que a “razão” seria o principal meio para se chegar ao conhecimento verdadeiro, os empiristas sustentavam que a “experiência” era o caminho mais seguro para se alcançar um saber autêntico. Novos elementos de abordagem ao conhecimento foram empregados, como a dúvida, a experimentação, a indução e as provas. No campo político, esse embate auxiliou na formação do Estado moderno, sendo fundamentado em ideias absolutistas e contratualistas.

Durante a etapa iluminista, ocorreu uma grande valorização da razão, da ciência, da liberdade e do progresso. A elevação do pensamento crítico ajudou a consolidar princípios humanistas como liberdade, igualdade, fraternidade e justiça. Os iluministas acreditavam que o progresso técnico e científico seria o principal responsável pelo desenvolvimento moral e social. Esses filósofos acreditavam que o uso racional do conhecimento poderia promover o progresso da humanidade, combater a ignorância e superar o autoritarismo político e religioso. O ser humano passou a ser compreendido como um sujeito capaz de pensar criticamente, questionar tradições, tomar decisões fundamentadas na razão e construir seu próprio conhecimento.

Kant buscou realizar um ensaio crítico da razão, esse sistema de pensamento ficou conhecido como criticismo. Empenhou-se no esforço de conciliar a filosofia racionalista com a empirista. Para ele, o conhecimento se dividia em duas modalidades fundamentais: o conhecimento empírico, que se originava da experiência sensível, e o conhecimento puro, que seria independente da experiência e se fundamentava em princípios “a priori”. Para o filósofo, o processo de conhecer resultaria da articulação entre essas estruturas racionais prévias e os dados fornecidos pela experiência. Assim, o ser humano não apreende a realidade em sua essência objetiva, mas apenas os fenômenos, tal como são organizados e percebidos pela mente. Seu sistema de pensamento impulsionou mudanças nos campos da epistemologia, da metafísica, da lógica e da ontologia.

Considerações Finais

Foi possível compreender que a filosofia moderna ficou marcada por várias mudanças em muitos campos do pensamento humano. Esse período se consolidou pelas profundas transformações políticas, econômicas, científicas, culturais e religiosas ocorridas na Europa, como o Renascimento, a Reforma Protestante, a Revolução Científica e, posteriormente, o Iluminismo. Desse modo, as novas perspectivas de pensamento que floresceram com o Renascimento e se expandiram por meio do Humanismo contribuíram para o surgimento e a consolidação da Filosofia Moderna. A adoção do método científico e a crescente importância atribuída à observação empírica proporcionaram novas formas de compreender a realidade. A filosofia moderna passou a se centrar mais no indivíduo e em questões epistemológicas. Com isso, ganhou destaque o surgimento do liberalismo, do idealismo e do iluminismo.

O ser humano começou a refletir sobre a própria forma de pensar, transformando o pensamento em objeto de investigação. Consolidou-se a ideia de que o homem possuía a capacidade de exercer domínio técnico sobre a natureza e sobre as estruturas sociais. A realidade passou a ser compreendida como racional por constituir um conjunto organizado de relações de causa e efeito, passíveis de compreensão e de transformação pela ação humana. Dessa forma, visto que essa realidade passou a ser explicada por meio dos conceitos desenvolvidos pelo sujeito cognoscente, o ser humano tornou-se capaz de atuar sobre ela, modificando-a e atribuindo-lhe novos significados. A confiança na razão voltou-se a ocupar um lugar central no pensamento filosófico, estimulando o desenvolvimento do método científico e da investigação crítica.

Fontes:

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