domingo, 29 de março de 2026

Escola Eleata

Escola Eleata

Autor: Alysomax Soares

Introdução

Foi uma escola de pensamento filosófico da Antiguidade grega, pertencente à fase pré-socrática, por volta dos séculos (IV e V) a.C. Recebeu esse nome devido à sua localização, situada na região da cidade de Eleia. O mentor e inspirador dessa escola é apontado por muitos pensadores como sendo o filósofo Xenófanes de Cólofon, porém a escola ganhou maior notoriedade com o pensador Parmênides de Eleia, que teria sido seu discípulo. Além desses nomes, a escola também se destacou com outros importantes membros, como Zenão de Eleia e Melisso de Samos.

O desenvolvimento da filosofia eleata ou eleática pode ser compreendido da seguinte forma: Xenófanes apresentou um formato de monismo ainda incompleto, em processo de formação, com forte caráter teológico. Já Parmênides aprofundou o pensamento eleata de modo mais rigoroso, formulando um racionalismo de natureza metafísica. Zenão dedicou-se a sustentar e defender, por meio da dialética e dos paradoxos, as ideias de Parmênides; e, por fim, Melisso executou e relacionou essas ideias no campo físico da natureza. Os eleatas empreenderam concepções do fenomenismo, bem como também do ilusionismo, ao afirmarem que as mudanças não possuem existência real, sendo apenas aparências enganosas produzidas pelos sentidos, os quais deveriam ser retificados pela razão.

Filosofia Eleata

Refletiram sobre a natureza da realidade, defendendo a ideia do monismo e do imobilismo, opondo-se aos conceitos de multiplicidade e mobilidade das coisas, explicando que a mudança não seria real, mas apenas fruto da ilusão dos sentidos. Nesse contexto, a realidade axiomática só poderia ser reconhecida por meio da razão, e não pelo conhecimento sensitivo. Os eleatas se utilizavam da ideia de “logos” para introduzir o raciocínio lógico na percepção da realidade. Caracterizando-se, em explicar a realidade, pelo logos, e não mais, propriamente, pela natureza física da matéria.

A influência de Xenófanes, nessa escola, pode ser descrita pelo fato de ele ter sido, possivelmente, um dos mestres de Parmênides, direcionando-o em alguns pensamentos. Xenófanes combateu o chamado antropomorfismo teológico, introduzindo o monoteísmo filosófico, pois argumentava que a divindade seria una, imóvel e imutável. Diferenciou a verdade da opinião, sugerindo que o conhecimento humano era limitado e que a verdadeira compreensão pertenceria ao "Deus uno". Escreveu em formato de versos, desenvolvendo um estilo de escrita lógico-crítico, baseado na unidade e na razão, distanciando-se dos pensadores da época que focavam na matéria.  

Outro dos principais representantes da escola de Eleia era conhecido como Parmênides. Ele acreditava que a realidade era única, imutável e eterna, argumentando que “o ser é e o não ser não é”, ou seja, “tudo que é, ‘é’, e não pode deixar de “ser”. A essência da realidade não seria mutável, mas a aparência das coisas poderia mudar. Afirmava que tudo estaria em um eterno repouso, concluindo que “toda mutação é ilusória”. Explicava que haveria dois caminhos para o entendimento da realidade, que seriam: a razão e a opinião. No primeiro era possível se chegar à verdade; já no segundo o homem seria levado a um entendimento ilusório ou aparente das coisas. Para Parmênides, os sentidos conduziam o indivíduo ao engano, afastando-o da verdade autêntica, ao produzirem contradições; isso levaria os indivíduos a confundirem o “ser” com o “não-ser”.

O pensador Zenão de Eleia buscou aprofundar as ideias de Parmênides, utilizando os paradoxos para demonstrar que a noção de movimento era apenas uma ilusão, constituída por sucessivos e constantes instantes de momento. Demonstrava que o movimento e a pluralidade seriam logicamente impossíveis, defendendo a ideia de imobilidade do ser. Seu método utilizava técnicas de argumentação que ficaram conhecidas como “redução ao absurdo”. A dialética de Zenão refutava um argumento a partir de princípios admitidos pelo seu interlocutor. Partindo dos paradoxos, ele passava a demonstrar como as opiniões ou contradições poderiam levar seus interlocutores a pensamentos equivocados sobre determinados assuntos.

Para Melisso de Samos, a realidade, além de única, eterna e imutável, também seria infinita. Sua principal contribuição com a escola visou igualar a ideia de natureza ao conceito de ser, além disso, desenvolveu a percepção de infinitude eleática. Realizou uma comparação entre os valores do pensamento sensitivo e do pensamento racional. Desenvolveu uma teoria que ficou conhecida como “a natureza infinita e inalterável do ser”. Sobre a imutabilidade do “ser”, ele afirmava que o "ser" não se transformava e não se alterava. Sistematizou grande parte dos conhecimentos dessa escola, organizando e corrigindo alguns desses saberes.

Considerações Finais

Nessa perspectiva, os principais pontos em comum entre os pensadores dessa escola eram a ideia de que a realidade seria única, imóvel, eterna, imutável, sem princípio ou fim, contínua e indivisível. Partes desses conceitos foram definidas como sendo uma espécie de monismo radical. Entre as principais características da filosofia eleata estão a ideia de monismo, que seria a crença em uma única substância, enquanto ser. Um modelo de racionalismo que poderia ser compreendido pela valorização da razão (logos) sobre o conhecimento sensitivo, definindo uma “lógica-do-ser”, que seria o entendimento de que o “ser” não pode vir do “não-ser”. A contraposição de ideias à filosofia heraclitiana mobilista do “devir”, que se apoiava na noção de mudança da realidade. Quanto à imutabilidade e eternidade, nenhum “ser” poderia gerar outro, nem deixar de existir, pois isso implicaria aumento ou diminuição do próprio “ser”, algo considerado impossível. O pensamento eleata contribuiu, significativamente, para o desenvolvimento da metafísica e da dialética.

Fontes:

ARISTÓTELES. Metafísica. Trad. Edson Bini. São Paulo: Edipro, 2012.

BORNHEIM, Gerd. Os Filósofos Pré-Socráticos. São Paulo, Editora Cultrix, 1967.

CHAUÍ, Marilena. Introdução à história da filosofia. Vol. 2. São Paulo. Editora Companhia das letras. 2010.

COPLESTON, Frederick. História da Filosofia: Grécia e Roma. São Paulo: Editora Loyola, 2021.

DUMONT, Jean. Paul. Elementos de história da filosofia antiga. Brasília: EdUnB, 2005.

KENNY, Anthony. História Concisa da Filosofia Ocidental. Lisboa, Temas e Debates, 1999.

REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. História da Filosofia: Antiguidade e Idade Média. São Paulo: Editora Paulus, 2017.

RUSSELL, Bertrand. História da filosofia ocidental. São Paulo. Companhia editora nacional. 1957.

SIMPLICÍO. Física.  Trad. Alexandre Costa. Anais de filosofia clássica. Vol. 3. N; 06. UFRJ. 2009.

SPINELLI, Miguel. Filósofos Pré-Socráticos: Primeiros mestres da filosofia e da ciência grega. 2ª ed. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2003.

 

domingo, 15 de março de 2026

Heráclito Graça

Heráclito Graça – (1837 a 1914) d.C

Autor: Alysomax Soares

Introdução

Heráclito de Alencastro Pereira da Graça - Foi um filósofo cearense ligado as correntes de pensamento da filosofia linguística. Escreveu uma importante obra gramatical chamada de “Fatos da Linguagem”. Laborou como escritor, político, magistrado e filólogo. Formou-se em Direito, por volta de 1857, na escola de Recife. Migrou para a cidade de São Luiz onde exerceu atividade de Promotor de Justiça. Assumiu os cargos políticos de Deputado Provincial e Deputado Geral pelo estado do Maranhão. Posteriormente, atuou como presidente das províncias da Paraíba e do Ceará. Encantou-se com o mundo das letras, buscando realizar um ativismo político através da escrita de periódicos. Exerceu algumas atividades laborativas ao lado do pensador José de Alencar, com quem mantinha certo grau de amizade. Foi membro da Academia Brasileira de Letras e do Instituto do Ceará. É considerado patrono da cadeira n° 12 da Academia Cearense de Letras e da cadeira n° 19 da Academia Cearense de Ciências, Letras e Artes do Rio de Janeiro (ACCLARJ). Era filho de José Pereira da Graça, popularmente conhecido como o “Barão de Aracati”, e da senhora Maria Adelaide da Graça. Heráclito Graça também era tio do escritor pré-modernista Graça Aranha. Nasceu no município de Icó, em 18 de outubro de 1837, faleceu na cidade do Rio de Janeiro, em 14 de abril de 1914. Recebeu, em sua homenagem, o nome de uma importante avenida que corta o centro de Fortaleza.

Filosofia da Linguagem

Dedicou-se aos estudos da gramática, da história da língua e da literatura no Brasil. Segundo os biógrafos, ele era avesso ao mundo da publicidade, sendo muitas vezes descrito como um homem modesto, por conta da discrição que mantinha sobre seu trabalho. Dissecou uma análise reflexiva a respeito das obras do lexicógrafo português Cândido de Figueredo. Afirmava que era preciso ser impessoal na análise reflexiva sobre o uso da linguagem. Criticava o contexto educacional brasileiro que ensinava a língua portuguesa de maneira simplista, ou seja, sem explorar o refinamento que a língua possuía. Advertia que o brasileiro não tinha clara consciência de sua língua. Na obra Fatos da Linguagem, buscou utilizar um estilo vocabular que unia precisão e concisão, alternando, ao mesmo tempo, entre uma linguagem elevada e compreensível. Valorizando o registro de expressões populares e regionais, que já haviam se integrado ao idioma. Posicionava-se contrário ao chamado purismo exagerado da língua, porém, paralelamente a isso, defendia certo rigor gramatical, registrando uma característica singular aos seus textos. Apropriava-se do método histórico-comparativo com a finalidade de abordar variadas visões sobre o universo linguístico.

Filosofia Juspolítica

Vivenciou partes dos acontecimentos políticos do período imperial e início do republicanismo. Nesse contexto, escreveu para importantes revistas de cunho político e jurídico. Fundando um periódico chamado “A Situação” em que defendia ideias do partido conservador. Operou estudos hermenêuticos, relacionando seus saberes linguísticos com os conhecimentos jurídicos, objetivando esclarecer possíveis equívocos interpretativos, que poderiam ocorrer, caso um jurista empregasse mal uma palavra, ou não fosse claro e assertivo, na escrita correta de suas alegações. Colaborou com um semanário literário de cunho cultural que tinha outros importantes intelectuais como Gentil Braga, Trajano Galvão e Joaquim Serra. Participou de grandes debates políticos sobre a reforma judiciária, o recrutamento eleitoral e a lei do ventre livre. Como administrador, sofreu forte resistência das classes dirigentes, por conta de seu caráter austero e probo. No campo acadêmico, colaborou com a revista jurídica de Pernambuco. Desempenhou consultorias jurídicas trabalhando como advogado do Ministério das Relações Exteriores, na cidade do Rio de Janeiro. Explicava que a noção de paz seria um reflexo do trabalho árduo e habitual, praticado diariamente com esforço, resultando disso, a consolidação de direitos, a prosperidade e o progresso social.

Filosofia Sapiencial

+ “O dialeto é o mais poderoso reparador e conservador da língua”

+ “Em todas as línguas e na sua constante evolução há e há de haver dúvidas e incertezas”.

+ “Somente a paz firma direitos, e desenvolve a prosperidade e o progresso das sociedades”

+ “Que lucre também a língua portuguesa com o nosso limitado debate, separando do joio, o bom trigo, é o meu mais ardente desejo”.

+ “Só os espíritos pequeninos se consideram sabedores de tudo e indefectíveis em suas ideias e pareceres, bamboleando-se em vaidades, que se enviperam irritadiças à primeira e mais leve observação”.

+ “O filósofo Protágoras formulou regras sobre os gêneros, e increpou as de Homero, por isso que divergiam das suas; vaníssima lhe foi a empresa. Homero, o divino Homero sobrepujou ao crítico, em cujas palavras nem os contemporâneos nem os pósteros jamais juraram”.

 

Obras:

Notações Filológicas; Fatos da Linguagem; Periódicos.

 

Fontes:

AMORA, Manoel Albano. Academia Cearense de Letras: Síntese Histórica. Revista da academia Cearense de Letras. Fortaleza: Imprensa Universitária do Ceará,1957.

BARRETO, Mário. Estudos da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Editora Garnier, 1903.

COUTINHO, Afrânio; SOUSA, José Galante de. Enciclopédia de literatura brasileira. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional; ABL, 2001.

GIRÃO, Raimundo. A Academia de 1894. Fortaleza: ACL, 1975.

GONÇALVES, Inez Beatriz de Castro Martins. A banda de música da Força Policial Militar do Ceará: Uma História Social de Práticas e Identidades Musicais. Tese de Doutorado. Belo Horizonte: UFMG/UNL, 2017.

GRAÇA, Heráclito. Fatos da Linguagem. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 2005.

INEP. Guia de fontes em política educacional do Ceará. Brasília: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, acesso em 2026.

LEÃO, Múcio. Suplemento Literário de “A Manhã”: Autores e Livros. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 1945.

MACIEL, Maximino. A Gramática Descritiva. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves & Cia, 1914.  

MELO, Hélio. Heráclito Graça: Grandeza e Simplicidade. Fortaleza: ABL, 1977.  

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Karl Marx

Karl Marx – (1818 a 1883) d.C

Autor: Alysomax Soares

Introdução

Karl Heinrich Marx - Foi um filósofo alemão pertencente ao período contemporâneo. Seu conjunto de ideias ficou conhecido na filosofia como Marxismo. Direcionou seus estudos para o campo político e econômico, sendo considerado um dos precursores do chamado socialismo científico. Seus conhecimentos serviram de base para a sistematização do pensamento comunista moderno, inspirando vários países que buscaram implementar um regime comunista. Sua obra também influenciou várias áreas do conhecimento, exercendo mudanças nos campos econômicos, políticos, filosóficos, históricos e sociais. Iniciou seus estudos no Liceu Friedrich Wilhelm, em Tréveris, posteriormente ingressou na Universidade de Bonn, onde começou o curso de humanidades, porém abandonou a área, migrando para a universidade de Berlim, local em que passou a estudar Direito e Filosofia. Doutorou-se em Filosofia, em 1841, com a tese: “Diferenças entre os sistemas filosóficos de Demócrito e de Epicuro".

Fundou juntamente com o Friedrich Engels a "Sociedade dos Trabalhadores Alemães”. Participou da fundação do Partido Social Democrata Alemão. Criou uma entidade política denominada de “A Liga dos Justos”. Sofreu muitas perseguições políticas por conta de seu ativismo social. Seu pai era um advogado que trabalhava como conselheiro de justiça, conhecido pelo nome de Herschel Marx. Sua mãe era uma senhora chamada Henriette Pressburg. Karl Marx nasceu na cidade de Tréveris, região da Alemanha, no dia 5 de maio de 1818. Faleceu em Londres, na Inglaterra, no dia 14 de março de 1883, vitimado por complicações respiratórias.

Filosofia Política

O cenário político de sua época era favorável ao espírito revolucionário, diversos movimentos de transformação social permearam o universo europeu, como as revoluções burguesas e industriais. Nesse sentido, Marx escreveu uma obra clássica da filosofia política chamada de “O Capital”, no qual ele fazia uma dura crítica ao capitalismo, explicando como funcionava esse sistema e advertindo sobre como esse modelo econômico explorava o trabalhador. Argumentava que o capitalismo, por sua natureza, construía desigualdades e conflitos entre classes sociais. Sustentava a tese de que as sociedades humanas se desenvolvem através da luta de classes, explicando que as transformações sociais ocorrem por meio de conflitos entre classes antagônicas, impulsionadas por mudanças nas forças produtivas. Ele partia da análise das necessidades humanas, considerando que o homem lutava com a natureza, porquanto conflitava, iria aos poucos se descobrindo como um ser produtivo, passando então, a ter consciência de si e do mundo. 

Desenvolveu uma abordagem crítica conhecida como “materialismo histórico dialético”, em que advertia sobre o autodeclínio do capitalismo, pontuando que as crises políticas e econômicas dos sistemas capitalistas levariam esses sistemas a colapsarem, produzindo um novo sistema chamado de socialismo, sendo esse socialismo, uma fase de transição para o sistema comunista. Conforme defendia Marx, o materialismo histórico seria um modelo de estudo social, na qual ele julgava que a história se movia através dos conflitos de classes, em que essas classes, buscariam transformar a sociedade, a partir das condições materiais de vida, principalmente nas relações de produção. Afirmava que a base estrutural da sociedade seria a economia, sendo esta, responsável por moldar a cultura, a política e as ideologias. Isto significava, que as condições materiais e econômicas de uma sociedade determinavam suas estruturas sociais e políticas.

Sincretizou elementos da filosofia idealista hegeliana com ideias materialistas de Feuerbach, relacionando a dialética dos conflitos transformadores com o materialismo histórico. Essa combinação do materialismo filosófico com a dialética, produziu uma filosofia de cunho revolucionário. Apontava que a desigualdade social do seu tempo estaria ancorada numa classe detentora dos meios de produção, chamada de burguesia, que explorava outra classe possuidora da força de trabalho, denominada de proletariados. Argumentava que, conforme as forças de produção se desenvolvem, elas vão transformando os modos de produção em novos sistemas, daí ele citava como exemplo a passagem dos sistemas: escravistas, feudalistas e capitalistas, no curso da história. Realizou fortes análises a respeito da estrutura de classes, pontuando conceituações técnicas sobre filosofia política. Sua teoria definia alguns princípios como a ideia de: Mais-Valia, Alienação e Fetichismo.

Filosofia Marxista

Embora Karl Marx não se autopercebesse, propriamente, como um marxista, pois acreditava que suas ideias não deveriam ser substanciadas em uma doutrina fixa, mas sim, adaptadas conforme uma realidade histórica. O Marxismo foi interpretado, por estudiosos, como sendo uma corrente de pensamento filosófica, que objetivava analisar a sociedade capitalista e propor sua transformação, aspirando construir uma sociedade mais justa e igualitária. Estando centrada na análise materialista e dialética da história, focando na luta de classes como motor impulsionador das mudanças sociais. Propondo como substituição ao sistema capitalista, o modelo socialista, sendo este modelo, uma alternativa de superação do capitalismo, visando uma sociedade sem classes, onde os meios de produção seriam coletivos, através da transformação revolucionária da base econômica.

Segundo Marx, o sistema capitalista lucrava com a exploração gerada entre os donos dos meios de produção e a classe operária, pois o patrão não pagava ao funcionário a quantia justa pelo trabalho realizado, ou seja, os frutos produzidos não eram divididos de maneira igualitária. Nesse sentido, ele conceituava a ideia de “mais-valia”, que seria o valor real, não pago, pelo serviço concluído, isto gerava um capital excedente que era apossado pelos donos dos meios de produção e que não seria repassado ao empregado, fazendo com que o trabalhador não recebesse o valor correto, por seu devido trabalho prestado, provocando uma diferença entre o que o trabalhador produzia e o salário que ele recebia. Para Marx, esse excedente deveria retornar para o trabalhador, na forma de salário, numa porcentagem do valor equivalente ao que foi produzido, e a outra parte teria que ficar com o dono dos meios de produção. Esse seria, então, o conceito que Marx chamou de “mais-valia”.

Entendia que a “Alienação” seria o afastamento do trabalhador de sua própria essência humana, fazendo com que o trabalhador não se reconhecesse dentro do sistema de produção, ou seja, ele tornava-se estranho ao próprio produto de sua atividade. Isto faria com que o trabalhador perdesse sua identidade, o controle de sua vida e do seu trabalho, sendo apenas uma peça dentro da engrenagem capitalista. Segundo Marx, o “Fetichismo” era o deslocamento do real valor humano e natural de um produto para um valor sobrenatural. Esse valor sofreria sua modificação, após o processo de produção. Para ele, durante o processo de produção, os produtos passariam do valor natural de “uso”, para um valor de “troca” mercadológica, sendo adicionado um valor não-natural ao produto. Como exemplo, alguns produtos que são fabricados para atender as necessidades humanas, mas acabam sendo adquiridos para satisfação dos desejos sociais.  

Filosofia Sapiencial

+ “Tudo que é sólido se desmancha no ar”

+ “Tudo que eu sei é que não sou marxista”

+ “As revoluções são a locomotiva da história”

+ "Ser radical é atacar o problema em suas raízes."

+ “A ideologia é um produto das condições materiais da vida”

+ "O trabalho é a fonte de toda a riqueza e de toda a cultura."

+ "A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa."

+ “Mais importante do que interpretar o mundo, é contribuir para transformá-lo”

+ "A história de todas as sociedades até hoje é a história das lutas de classes".

+ "O controle da produção da riqueza é o controle da própria existência humana."

+ “Uma ideia torna-se uma força material quando ganha as massas organizadas”

+ “Os filósofos apenas interpretaram o mundo de diferentes maneiras; o que importa é transformá-lo”.

+ “A desvalorização do mundo humano aumenta em proporção direta com a valorização do mundo das coisas”

+ “O dinheiro é a essência alienada do trabalho e da existência do homem; a essência domina-o e ele adora-a”

+ “Os indivíduos que compõem a classe dominante regulam a produção e a distribuição das ideias de seu tempo."

+ “Não é a consciência dos homens que determina seu ser, mas, ao contrário, seu ser social que determina sua consciência”

+ “Aos oprimidos é permitido uma vez a cada poucos anos decidir quais representantes específicos da classe opressora devem representá-los e reprimi-los”

+ “Que as classes dominantes tremam à ideia de uma revolução comunista! Os proletários nada têm a perder nela a não ser suas cadeias. Têm um mundo a ganhar. Proletários de todos os países, uni-vos”

+ "A classe que tem à sua disposição os meios de produção material dispõe também dos meios da produção espiritual, de modo que a ela estão submetidos aproximadamente ao mesmo tempo os pensamentos daqueles aos quais faltam os meios da produção espiritual”

+ “A sociedade burguesa moderna, que brotou das ruínas da sociedade feudal, não suplantou os velhos antagonismos de classe. Ela colocou no lugar novas classes, novas condições de opressão, novas formas de luta. A sociedade divide-se cada vez mais em dois vastos campos opostos, em duas grandes classes diametralmente opostas: a burguesia e o proletariado”

+ "O trabalhador é tanto mais pobre quanto mais riqueza produz, quanto mais cresce sua produção em potência e em volume. O trabalhador converte-se numa mercadoria tanto mais barata quanto mais mercadoria produz. A desvalorização do mundo humano cresce na razão direta da valorização do mundo das coisas. O trabalho não apenas produz mercadorias, produz também a si mesmo e ao operário como mercadoria, e justamente na proporção em que produz mercadorias em geral."

Obras:

O Capital; O Manifesto do Partido Comunista; A Sagrada Família; A Ideologia Alemã; Contribuição para a crítica da filosofia do Direito em Hegel; O trabalho Assalariado; A miséria da Filosofia; A Questão Judaica; O 18 Brumário de Luís Bonaparte; Contribuição à Crítica da Economia Política; Anais Franco-Alemães; Manuscritos econômico-filosóficos; Teses sobre Feuerbach; Punição capital; População, crime e pauperismo; Guerra Civil na França; Salário, preço e lucro.  

Fontes:

BOTTOMORE, Tom. Dicionário do Pensamento Marxista. Rio de Janeiro: Editora Zahar, 2013.

FAUSTO, Ruy. Dialética Marxista, Humanismo, Anti-humanismo. São Paulo: Editora Brasiliense, 1983.

GABRIEL, Mary. Amor e capital: A saga familiar de Karl Marx e a história de uma revolução. Rio de Janeiro: Editora Zahar, 2013.

HOBSBAWM, Eric. Como mudar o mundo: Marx e o marxismo (1840–2011). São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2011.

HEINRICH, Michael. Karl Marx e o nascimento da sociedade moderna. São Paulo: Editora Boitempo, 2018.

IANNI, Octavio. Dialética e capitalismo: Ensaio sobre o pensamento de Marx. Petrópolis: Editora Vozes, 1982

KONDER, Leandro. Marx: vida e obra. São Paulo: Editora Paz e Terra, 2011.

MARX, Karl. O capital: Livro 1 - O processo de produção do capital. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1998.

NETTO, José Paulo. O que é Marxismo. São Paulo: Editora Brasiliense, 1987.

SEGRILLO, Ângelo. Karl Marx: uma biografia dialética. Curitiba: Editora Prismas, 2018.