Karl Marx – (1818 a 1883) d.C
Autor: Alysomax Soares
Introdução
Karl Heinrich Marx - Foi um
filósofo alemão pertencente ao período contemporâneo. Seu conjunto de ideias
ficou conhecido na filosofia como Marxismo. Direcionou seus estudos para o
campo político e econômico, sendo considerado um dos precursores do chamado
socialismo científico. Seus conhecimentos serviram de base para a sistematização
do pensamento comunista moderno, inspirando vários países que buscaram
implementar um regime comunista. Sua obra também influenciou várias áreas do
conhecimento, exercendo mudanças nos campos econômicos, políticos, filosóficos,
históricos e sociais. Iniciou seus estudos no Liceu Friedrich Wilhelm, em
Tréveris, posteriormente ingressou na Universidade de Bonn, onde começou o
curso de humanidades, porém abandonou a área, migrando para a universidade de
Berlim, local em que passou a estudar Direito e Filosofia. Doutorou-se em
Filosofia, em 1841, com a tese: “Diferenças entre os sistemas filosóficos de
Demócrito e de Epicuro".
Fundou juntamente com o Friedrich Engels a "Sociedade dos
Trabalhadores Alemães”. Participou da fundação do Partido Social Democrata
Alemão. Criou uma entidade política denominada de “A Liga dos Justos”. Sofreu
muitas perseguições políticas por conta de seu ativismo social. Seu pai era um
advogado que trabalhava como conselheiro de justiça, conhecido pelo nome de Herschel
Marx. Sua mãe era uma senhora chamada Henriette Pressburg. Karl Marx nasceu na
cidade de Tréveris, região da Alemanha, no dia 5 de maio de 1818. Faleceu em
Londres, na Inglaterra, no dia 14 de março de 1883, vitimado por complicações respiratórias.
Filosofia Política
O cenário político de sua época era favorável ao espírito revolucionário, diversos movimentos de transformação social permearam o universo europeu, como as revoluções burguesas e industriais. Nesse sentido, Marx escreveu uma obra clássica da filosofia política chamada de “O Capital”, no qual ele fazia uma dura crítica ao capitalismo, explicando como funcionava esse sistema e advertindo sobre como esse modelo econômico explorava o trabalhador. Argumentava que o capitalismo, por sua natureza, construía desigualdades e conflitos entre classes sociais. Sustentava a tese de que as sociedades humanas se desenvolvem através da luta de classes, explicando que as transformações sociais ocorrem por meio de conflitos entre classes antagônicas, impulsionadas por mudanças nas forças produtivas. Ele partia da análise das necessidades humanas, considerando que o homem lutava com a natureza, porquanto conflitava, iria aos poucos se descobrindo como um ser produtivo, passando então, a ter consciência de si e do mundo.
Desenvolveu uma abordagem crítica conhecida como “materialismo histórico
dialético”, em que advertia sobre o autodeclínio do capitalismo, pontuando que
as crises políticas e econômicas dos sistemas capitalistas levariam esses
sistemas a colapsarem, produzindo um novo sistema chamado de socialismo, sendo esse
socialismo, uma fase de transição para o sistema comunista. Conforme defendia
Marx, o materialismo histórico seria um modelo de estudo social, na qual ele
julgava que a história se movia através dos conflitos de classes, em que essas
classes, buscariam transformar a sociedade, a partir das condições materiais de
vida, principalmente nas relações de produção. Afirmava que a base estrutural
da sociedade seria a economia, sendo esta, responsável por moldar a cultura, a
política e as ideologias. Isto significava, que as condições materiais e
econômicas de uma sociedade determinavam suas estruturas sociais e políticas.
Sincretizou elementos da filosofia idealista hegeliana com ideias materialistas
de Feuerbach, relacionando a dialética dos conflitos transformadores com o
materialismo histórico. Essa combinação do materialismo filosófico com a
dialética, produziu uma filosofia de cunho revolucionário. Apontava que a
desigualdade social do seu tempo estaria ancorada numa classe detentora dos
meios de produção, chamada de burguesia, que explorava outra classe possuidora
da força de trabalho, denominada de proletariados. Argumentava que, conforme as
forças de produção se desenvolvem, elas vão transformando os modos de produção em
novos sistemas, daí ele citava como exemplo a passagem dos sistemas: escravistas,
feudalistas e capitalistas, no curso da história. Realizou fortes análises a
respeito da estrutura de classes, pontuando conceituações técnicas sobre filosofia
política. Sua teoria definia alguns princípios como a ideia de: Mais-Valia,
Alienação e Fetichismo.
Filosofia Marxista
Embora Karl Marx não se autopercebesse, propriamente, como um marxista,
pois acreditava que suas ideias não deveriam ser substanciadas em uma doutrina
fixa, mas sim, adaptadas conforme uma realidade histórica. O Marxismo foi interpretado,
por estudiosos, como sendo uma corrente de pensamento filosófica, que objetivava
analisar a sociedade capitalista e propor sua transformação, aspirando
construir uma sociedade mais justa e igualitária. Estando centrada na análise
materialista e dialética da história, focando na luta de classes como motor impulsionador
das mudanças sociais. Propondo como substituição ao sistema capitalista, o
modelo socialista, sendo este modelo, uma alternativa de superação do
capitalismo, visando uma sociedade sem classes, onde os meios de produção seriam
coletivos, através da transformação revolucionária da base econômica.
Segundo Marx, o sistema capitalista lucrava com a exploração gerada
entre os donos dos meios de produção e a classe operária, pois o patrão não
pagava ao funcionário a quantia justa pelo trabalho realizado, ou seja, os
frutos produzidos não eram divididos de maneira igualitária. Nesse sentido, ele
conceituava a ideia de “mais-valia”, que seria o valor real, não pago, pelo
serviço concluído, isto gerava um capital excedente que era apossado pelos donos
dos meios de produção e que não seria repassado ao empregado, fazendo com que o
trabalhador não recebesse o valor correto, por seu devido trabalho prestado,
provocando uma diferença entre o que o trabalhador produzia e o salário que ele
recebia. Para Marx, esse excedente deveria retornar para o trabalhador, na
forma de salário, numa porcentagem do valor equivalente ao que foi produzido, e
a outra parte teria que ficar com o dono dos meios de produção. Esse seria,
então, o conceito que Marx chamou de “mais-valia”.
Entendia que a “Alienação” seria o afastamento do trabalhador de sua
própria essência humana, fazendo com que o trabalhador não se reconhecesse
dentro do sistema de produção, ou seja, ele tornava-se estranho ao próprio
produto de sua atividade. Isto faria com que o trabalhador perdesse sua
identidade, o controle de sua vida e do seu trabalho, sendo apenas uma peça
dentro da engrenagem capitalista. Segundo Marx, o “Fetichismo” era o deslocamento
do real valor humano e natural de um produto para um valor sobrenatural. Esse
valor sofreria sua modificação, após o processo de produção. Para ele, durante
o processo de produção, os produtos passariam do valor natural de “uso”, para
um valor de “troca” mercadológica, sendo adicionado um valor não-natural ao
produto. Como exemplo, alguns produtos que são fabricados para atender as
necessidades humanas, mas acabam sendo adquiridos para satisfação dos desejos
sociais.
Filosofia Sapiencial
+ “Tudo que é sólido se desmancha no ar”
+ “Tudo que eu sei é que não sou marxista”
+ “As revoluções são a locomotiva da história”
+ "Ser radical é atacar o problema em suas raízes."
+ “A ideologia é um produto das condições materiais da vida”
+ "O trabalho é a fonte de toda a riqueza e de toda a cultura."
+ "A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda
como farsa."
+ “Mais importante do que interpretar o mundo, é contribuir para
transformá-lo”
+ "A história de todas as sociedades até hoje é a história das
lutas de classes".
+ "O controle da produção da riqueza é o controle da própria
existência humana."
+ “Uma ideia torna-se uma força material quando ganha as massas
organizadas”
+ “Os filósofos apenas interpretaram o mundo de diferentes maneiras; o
que importa é transformá-lo”.
+ “A desvalorização do mundo humano aumenta em proporção direta com a
valorização do mundo das coisas”
+ “O dinheiro é a essência alienada do
trabalho e da existência do homem; a essência domina-o e ele adora-a”
+ “Os indivíduos que compõem a classe dominante regulam a produção e a
distribuição das ideias de seu tempo."
+ “Não é a consciência dos homens que determina seu ser, mas, ao
contrário, seu ser social que determina sua consciência”
+ “Aos oprimidos é permitido uma vez a cada poucos anos decidir quais
representantes específicos da classe opressora devem representá-los e
reprimi-los”
+ “Que as classes dominantes tremam à ideia de uma revolução comunista!
Os proletários nada têm a perder nela a não ser suas cadeias. Têm um mundo a
ganhar. Proletários de todos os países, uni-vos”
+ "A classe que tem à sua disposição os meios de produção material
dispõe também dos meios da produção espiritual, de modo que a ela estão
submetidos aproximadamente ao mesmo tempo os pensamentos daqueles aos quais
faltam os meios da produção espiritual”
+ “A sociedade burguesa moderna, que brotou das ruínas da sociedade
feudal, não suplantou os velhos antagonismos de classe. Ela colocou no lugar
novas classes, novas condições de opressão, novas formas de luta. A sociedade
divide-se cada vez mais em dois vastos campos opostos, em duas grandes classes
diametralmente opostas: a burguesia e o proletariado”
+ "O trabalhador é tanto mais pobre quanto mais riqueza produz, quanto mais cresce sua produção em potência e em volume. O trabalhador converte-se numa mercadoria tanto mais barata quanto mais mercadoria produz. A desvalorização do mundo humano cresce na razão direta da valorização do mundo das coisas. O trabalho não apenas produz mercadorias, produz também a si mesmo e ao operário como mercadoria, e justamente na proporção em que produz mercadorias em geral."
Obras:
O Capital; O Manifesto do Partido Comunista; A Sagrada Família; A Ideologia Alemã; Contribuição para a crítica da filosofia do Direito em Hegel; O trabalho Assalariado; A miséria da Filosofia; A Questão Judaica; O 18 Brumário de Luís Bonaparte; Contribuição à Crítica da Economia Política; Anais Franco-Alemães; Manuscritos econômico-filosóficos; Teses sobre Feuerbach; Punição capital; População, crime e pauperismo; Guerra Civil na França; Salário, preço e lucro.
Fontes:
BOTTOMORE, Tom. Dicionário do Pensamento Marxista. Rio de Janeiro:
Editora Zahar, 2013.
FAUSTO, Ruy. Dialética Marxista, Humanismo, Anti-humanismo. São
Paulo: Editora Brasiliense, 1983.
GABRIEL, Mary. Amor e capital: A saga familiar de Karl Marx e a
história de uma revolução. Rio de Janeiro: Editora Zahar, 2013.
HOBSBAWM, Eric. Como mudar o mundo: Marx e o marxismo (1840–2011).
São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2011.
HEINRICH, Michael. Karl Marx e o nascimento da sociedade moderna.
São Paulo: Editora Boitempo, 2018.
IANNI, Octavio. Dialética e capitalismo: Ensaio sobre o pensamento de
Marx. Petrópolis: Editora Vozes, 1982
KONDER, Leandro. Marx: vida e obra. São Paulo: Editora Paz e
Terra, 2011.
MARX, Karl. O capital: Livro 1 - O processo de produção do capital.
Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1998.
NETTO, José Paulo. O que é Marxismo. São Paulo: Editora
Brasiliense, 1987.
SEGRILLO, Ângelo. Karl Marx: uma biografia dialética. Curitiba:
Editora Prismas, 2018.
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