sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Górgias de Leontinos

Górgias de Leontinos – (485 a 380) a.C

Autor: Alysomax Soares

Introdução

Foi um filósofo da antiguidade grega pertencente à escola conhecida como sofismo. Fez parte da primeira geração de sofistas. Era muito fluente na arte da comunicação, tendo se destacado na oratória, retórica e dialética. Possuía grande eloquência e poder de persuasão. O termo “gorgianizar” se refere ao seu estilo de oratória próprio e original. Sua retórica encantava os ouvintes devido ao requinte teatral com que ele explanava suas ideias. Seu pensamento lhe rendeu o título de pai da sofística. Exerceu muita influência entre os primeiros sofistas no campo da educação, sendo visto como um filósofo itinerante, que também desenvolveu conceitos sobre a arte da fala. Em seus discursos tinha bastante habilidade em improvisar as falas. Atuou como embaixador e chegou a viajar por grande parte da Grécia antiga. Suas obras abordavam principalmente conceitos relacionados ao relativismo, ao ceticismo-absoluto, ao subjetivismo e ao asceticismo. A maioria dos sofistas cobrava pelos seus ensinamentos na arte da oratória, por isso eles foram bastante criticados pelos filósofos da época.  Os sofistas sofreram duras críticas dos filósofos clássicos como Sócrates, Platão e Aristóteles. Górgias nasceu em 485 a.C, na região de Leontinos¹ e faleceu, por volta de 380 a.C, na localidade de Tessália, morreu muito velho, com mais de cem anos de idade.

Filosofia da Linguagem

Górgias foi considerado um inovador na arte da retórica, pois introduziu novas estruturas linguísticas nos discursos, como por exemplo, a ideia de ornamentação e a introdução da paradoxologia. Algumas de suas obras foram preservadas através de um compilado de textos chamado de “Technai”, que era um manual de instrução retórica, o qual consistia de modelos a serem memorizados, e que também demonstrava diversos princípios da prática retórica. Para ele, não importava quem estaria certo ou errado na defesa da verdade, nem quem estaria com a razão, em um debate de ideias, mas sim quem dominava a retórica, isto é, a arte da fala. Desse modo, quem discursasse melhor atingiria a ideia de razão. Dizia que a verdade não existia em si mesma, o que existiria seria a arte de argumentar com eloquência e competência. 

O estilo de Górgias era considerado performático, devido o esforço que ele fazia para demonstrar sua habilidade retórica e para convencer as pessoas através de um argumento absurdo. Górgias utilizava em seus discursos e escritos, estratégias como a paródia, a figuração artificial e a teatralidade. Utilizava-se também de ideias impopulares e de paradoxos. Seu discurso argumentativo era descrito como sendo de poesia sem métrica. Ele acreditava que as palavras persuasivas continham uma força que era equivalente as palavras divinas. Em uma de suas obras, ele faz uma analogia dizendo que as palavras tinham um efeito na alma parecida com o efeito das drogas no corpo. Veja o que ele diz:

 “Assim como diferentes drogas trazem à tona os diferentes humores do corpo - alguns interrompendo uma doença, outros a vida - o mesmo ocorre com as palavras: algumas causam dor, outras alegria, algumas provocam o medo, algumas instilam em seus ouvintes a ousadia, outras tornam a alma muda e enfeitiçada com crenças más”. (Górgias).

Explicava que as palavras tinham poder de encantamento, podendo curar a alma e controlar fortes emoções. Seu estilo poético encantava as plateias. Górgias argumentava que a virtude era relativa a cada pessoa, por isso ele não acreditava que a virtude poderia ser ensinada de maneira igual para todos. Portanto, a retórica seria a rainha de todas as ciências, pois era capaz de persuadir qualquer curso de ação, em um indivíduo. Ele obrigava seus discípulos a decorar passagens importantes da literatura, com a finalidade deles dominarem o uso da linguagem. Sua persuasão era realizada de maneira parecida com a magia e o encantamento, utilizando-se, para isso, do instrumento da linguagem, daí ele empregava o discurso como uma espécie de feitiço.

Filosofia do Conhecimento

Górgias acreditava que não existia um fundamento absoluto para a verdade. Para ele, nada “é”, a verdade do mundo seria incompreensível, e o conceito de verdade era criação da imaginação. Assim como outros sofistas, Górgias não acreditava em uma verdade única, pois dizia que os sentidos criavam uma ilusão em relação à verdade. Nesse sentido, conhecer a verdade seria impossível, pois todo o conhecimento era ilusório. A frase que melhor sintetizava sua filosofia era: “Nada Existe”, a sentença parece ser a priori simples, porém a expressão traduz um duplo sentido. Ele foi chamado de “niilista”, pelo fato de não acreditar em uma verdade universal. Sua obra se diferencia da teoria de Protágoras na medida em que Górgias assumiu uma visão mais radical sobre a impossibilidade de um critério absoluto. Enquanto para Protágoras o relativismo poderia conduzir o pensamento para algo útil, para Górgias seria impossível afirmar qualquer pensamento concreto, restando ao ser humano, apenas uma atitude “niilista”, isto é, a inexistência de qualquer valor ou critério que fundamentasse uma verdade.

Filosofia da Natureza

Para Górgias, o “ser” não existe, o que “existe” é apenas o “nada”. Por isso, o “ser” é o “nada”. Nesse sentido, se existisse alguma verdade o homem não seria capaz de conhecê-la, e se pudesse imaginar esse conceito de “ser”, ainda sim, não saberia como expressá-lo em palavras, logo, o homem fala sobre palavras em relação ao saber e não sobre o que realmente é o “ser”. Assim, a palavra não exprime uma verdade em si, mas apenas uma aparência sobre a verdade. Explicava que não era apenas o “ser” que não existia, mas que o “não-ser” também não poderia existir. Tudo, então, seria apenas uma representação mental das coisas, que não estaria propriamente conectada com a realidade, o homem comunicaria a “si e ao outro”, somente o “logoi”, isto é, princípios “incriados”, não conseguindo expressar a real substâncias das coisas. O que existiria no mundo não passaria de uma relação metalinguística que teria sido convencionada pelo homem para explicar os fenômenos de forma ilusória.

Ao combater o pensamento da escola Eleata, Górgias afirmava que não haveria uma conexão entre o “ser” e o “pensar”. Pois ele não acreditava na existência do “ser”, daí logicamente não poderia existir também o “pensar” e como consequência disso, não existiria uma verdade absoluta. Esse conceito se baseava em suas três teses fundamentais que eram: “o ser não existe; o ser é incognoscível; e o ser é inexprimível”.

Em relação à primeira tese ele defendia a não existência do “ser” alegando que não era possível diferenciar o “ser” do “não-ser”, logo, “Nada é”. Também explicava que o “ser” não poderia ser gerado e nem poderia ser eterno. E por fim ele concluía que também não poderia ser “uno” e nem “múltiplo”. Com isso, ele definia como inviável a ideia de “ser” como sendo um fundamento substancial da realidade, pois se o “ser” fosse colocado em primeiro plano como realidade fundamental, logo se pensaria na ideia do “não-ser” como existência oposta. A aceitação do “não-ser” terminaria por “nadificar”, isto é, eliminar o conceito de “ser”. Nesse contexto, seu surgimento fazia dele um outro “ser”. Portanto, posicionados os dois lado a lado, “ser” e “não-ser” deixariam equivalentemente de “ser”.

Na segunda tese, ele discorria sobre o incognoscível, ou seja, sobre a impossibilidade de conhecimento real do “ser”. Pois o “ser” não possuiria um sentido físico como a visão ou a audição, para traduzir o que era o real “ser” das coisas. O homem não possuía um sentido com capacidade de apreensão cognitiva do “ser”. A mente não conseguiria imaginar situações que “não-são”, logo, ela possuiria limites para projetar experiências que envolvessem questões do “não-ser”. Como as situações ilógicas por exemplo. Portanto, também não seria possível diferenciar os fenômenos que “são”, dos que “não-são”. Nesse sentido, sobre o mesmo ponto de vista, seria inconcebível dissociar o “ser” do “não-ser”.

Por fim, na terceira tese ele dissecava a respeito da incomunicabilidade do ser. Aqui, ele parte do principio da falseabilidade das duas hipóteses anteriores. Supondo que o “ser” exista e que possa ser conhecido através do sentido de apreensão. Ele, então se questiona: - como isso poderia ser comunicado? Para Górgias, as palavras não possuem a função de transmissão, elas servem apenas para rememorar a mente sobre algo. Não existiria uma transmissão real das coisas através das palavras, mas somente uma aparente ilusão que afetaria as experiências sensoriais, fazendo as pessoas interligarem um acontecimento a uma vaga lembrança da palavra. Como não existe um sentido específico para a apreensão do “ser”, não poderia existir essa recordação entre o sentido e a palavra em um caso singular, ou seja, se fosse possível perceber o “ser” das coisas, nessa lógica, não seria possível comunicá-la, pois para Górgias a experiência seria sempre de caráter pessoal e não poderia ser transferido. Não podendo a percepção das coisas, ser expresso de maneira concreta. Por fim, então ele conclui: “Nada existe e, se existisse nós não o conheceríamos e, se pudéssemos conhecer, não saberíamos explicar essa existência para ninguém”.

Elogio de Helena

Na obra o “Elogio de Helena” Górgias retrata o poder que um discurso poético tem na alma humana. Ele mostra como as palavras podem afetar as emoções de uma pessoa. Por isso, ao mexer com os sentimentos as palavras podem retirar a autonomia e o poder de decisão de uma pessoa. Para esse filósofo, o homem vive perdido na ilusão da ignorância e em vista disso, pode ser facilmente manipulado. O discurso poético pode, então, conduzir facilmente essas pessoas por caminhos ao qual o orador possua a intenção de levar. Observe um pequeno trecho que foi traduzido dessa obra:

“Ordem, para a cidade, virilidade; para o corpo, beleza; para a alma, sabedoria; para o ato, excelência e verdade; para o discurso. O contrário destes, desordem. Tanto homem, quanto mulher; tanto discurso, quanto obra; tanto cidade, quanto assunto privado é preciso, por um lado, com louvor, honrar o digno de louvor; por outro lado, repreender ao indigno. Pois igual erro e ignorância é repreender coisas louváveis e louvar coisas repreensíveis”. (Górgias).

Ao explicar o poder que existia na ideia de “logos” ele advertia que “Helena” só poderia ter fugido com “Páris” em quatro hipóteses previsíveis: força física, vontade dos deuses, persuasão pela fala ou seduzida pelo “amor Eros” (desejo erótico). Com isso, em nenhum desses casos, ela teria culpa, dessa forma, não seria justo responsabilizá-la. Sua inocência era ainda maior na hipótese da persuasão pela fala, pois um belo discurso ornamentado pelo “logos” poderia impressionar a alma e fazê-la mudar suas crenças, passando a vítima a agir de acordo com a vontade do hipnotizador. Esse poder causado pelo bom orador teria a mesma equivalência de coação da força física ou da vontade dos deuses.

Filosofia Sapiencial

+ “Não há nada que seja ou exista”.

+ “O artista é um criador de mundos”.

+ “As coisas não são mais do que não são”.

+ “Mesmo que as coisas sejam elas não são conhecíveis”.

+ “O que parece a mim é para mim, e o que parece a ti é para ti”.

+ “A persuasão aliada a palavras modela a mente dos homens como quiser”.

+ “O ser não é uno, não é múltiplo, não criado e nem gerado, por conseguinte o “ser” é “nada”.

+ “A persuasão é soberana, porque não há nenhuma verdade acima da que um homem pode ser persuadido a crer”.

+ "Como alguém pode se comunicar a ideia de cor por meio de palavras, pois o ouvido não ouve cores, mas somente sons?"

+ “Frente ao drama da vida a única consolação é a palavra que adquire valor próprio porque não exprime a verdade, mas a aparência”.

+ “O ser não existe; se existisse, não poderia ser reconhecido; mesmo que fosse conhecido, não poderia ser comunicado a ninguém”.

+ “Se é eterno não teve princípio, se não tem princípio é infinito, se é infinito não está em nenhum lugar, se não está em nenhum lugar não existe”.

+ “A boa ordem da cidade é a coragem dos seus cidadãos; a do corpo, a beleza; a da alma, a sabedoria; a da ação, a excelência; e a do discurso, a verdade”

+ “A arte da persuasão ultrapassa todas as outras, e é de muito a melhor, pois ela faz de todas as coisas suas escravas por submissão espontânea e não por violência”.

+ “Assim como a visão não conhece os sons, o ouvido não ouve as cores, mas os sons. Quem fala expressa bem um som, mas não pode falando expressar uma cor ou uma experiência”.

+ “Difícil explicar o que leva o ser a direcionar as suas ações em função do meio. Por vezes deixamos de fazer tanta coisa, justamente por conta do meio. Liberte-se, escuta a tua intuição e serás feliz”.

+ “Podemos somente analisar a condição em que nos encontramos e expor o que devemos ou não fazer e mesmo o que devemos ou não fazer muda muito dependendo da situação em que nos encontramos”.

+ "O Discurso é um senhor soberano que, com um corpo diminuto e quase imperceptível, leva a cabo ações divinas. Na verdade, ele tanto pode deter o medo como afastar a dor, provocar a alegria e intensificar a compaixão".

+ “A poesia é um discurso com métrica e quem a escuta é invadido por um arrepio de estupor, uma compaixão que arranca lágrimas, um ardente desejo de dor e pelo efeito das palavras a alma sofre seu próprio sofrimento ao ouvir a sorte ou o azar de fatos e pessoas estranhas”.

+ “Uma tal ilusão que, por um lado, o que cria a ilusão é mais justo que aquele que não a cria e, por outro lado, aquele que se deixa encantar é mais sábio que aquele que não se deixa levar. De fato, um é mais justo porque aquilo que prometeu fê-lo; o outro, o que cede ao encanto, é mais sábio: com efeito, deixa-se levar pelo prazer das palavras, o que não deixa de ter um sentido.”

Obras:

Discursos; O Elogio de Helena; A Defesa de Palamedes; A Oração Fúnebre; O Discurso Olímpico; O Elogio dos Elisinos; O Elogio de Aquiles; A Arte Oratória; O Onomástico; Elogio a cidade de Eléia; Tratado do Não Ente ou Sobre o não-ser.

Fontes:

ARISTÓTELES. Metafísica. Trad. Edson Bini. 2ª ed. São Paulo: EDIPRO, 2012.

BARBOSA, Manuel e CASTRO, Inês. Górgias: Testemunhos e Fragmentos. Lisboa: Colibri, 1993.

BARNES, Jonathan. Filósofos pré-socráticos. Trad. Julio Fischer. São Paulo: Martins Fontes, 1997.

BORNHEIM, Gerd. Os Filósofos Pré-Socráticos. São Paulo: Cultrix , 1967

CASERTANO, Giovanni. Sofista. São Paulo: Paulus, 2010.

CASSIN, Barbara. Ensaios Sofísticos. São Paulo: Siciliano, 1990.

DINUCCI, Aldo. Górgias: Górgias de Leontinos. São Paulo: Oficina do Livro, 2017.

DUMONT, Jean. Paul. Elementos de história da filosofia antiga. Brasília: EdUnB, 2005.

FILÓSTRATO, Flávio. História dos Sofistas Ilustres. Londres: Loeb, 1989.

GUTHRIE, William. Os Sofistas. 2ª ed. São Paulo: Paulus, 2007.

HADOT, Pierre. O que é a Filosofia antiga? São Paulo: Lisboa, 1999.

HOBUSS, João. Introdução à história da filosofia antiga. Pelotas: Dissertatio Filosofia. 2014.

KERFERD. George. O movimento sofista. trad. Margarida Oliva. Edições Loyola, São Paulo: 2003.

KIRK, Geoffrey. RAVEN, John. Os Filósofos pré-socráticos. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1994.

REALE, Giovanni. História da filosofia antiga. São Paulo: Loyola, 1993.

UNTERSTEINER, Mario . Os sofistas . Trad. Kathleen Freeman . Oxford: Alden Press, 1954.

WILBORN, Josh. Górgias de Leontini: O orador. Dicionário clássico de Oxford: 2016.

 

Notas:

_________________

¹Leontinos era uma colônia grega da Grécia antiga que ficava localizada na costa leste da antiga Sicília.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Myia de Crotona

Myía de Crotona - (522 a 472) a.C

Autor: Alysomax Soares

Introdução

Foi uma filósofa da antiguidade grega pertencente à escola pitagórica. Era considerada uma grande poetisa erudita. Destacou-se nos conhecimentos relacionados à pediatria, educação infantil, educação feminina e a ética familiar. Teria sido provavelmente, uma das filhas de Pitágoras com a filósofa Theano. Dedicou-se as áreas da Filosofia, Matemática, Poesia e Enfermagem. Suas possíveis irmãs seriam: Esara de Lucânia, Damo e Arignote. Grande parte do legado dessa filósofa antiga foi registrada por doxógrafos e filósofos da época que relataram pequenas citações sobre a sua vida e obra. Biógrafos antigos a descrevem como sendo uma filósofa que possuía uma beleza admirável. O nome “Myia” no grego antigo tem o significado de mosca, porém outros tradutores dizem que pode ser também compreendido no sentido de voar e que ela teria recebido esse nome em homenagem a uma estrela. Seu nome também é traduzido por historiadores como sendo “Mia”. Ela teria sido casada com um atleta muito famoso em sua época conhecido por Mílon de Crotona. Seu marido Mílon desenvolveu vários métodos e técnicas de musculação e halterofilismo, sendo considerado um homem muito forte, em sua época. Ele competiu em várias modalidades olímpicas como o levantamento e o arremesso de pesos. Também inovou importantes conhecimentos na área de nutrição esportiva. Myia nasceu próximo ao ano de 522 a.C e a data exata de sua morte é incerta, entretanto se especula que tenha falecido por volta de 472 a.C.

Filosofia Medicinal

Historiadores da filosofia afirmam que “Myia” gostava de escrever poesia e se destacava em um coral litúrgico ao qual liderava. Essas fontes destacam que ela tinha um comportamento muito religioso e que por isso, era muito polida em sua conduta moral. Redigiu uma carta para sua filha explicando sobre cuidados básicos com crianças recém-nascidas, nessa carta ela descrevia ensinamentos importantes sobre como manter o equilíbrio e a harmonia nos cuidados primaciais do bebê. Também discorria sobre as necessidades que são por natureza sensível ao desenvolvimento moderado do nascituro. Myia e suas irmãs teriam herdado de sua mãe Theano, importantes conhecimentos médicos, por isso, existem indícios de que elas teriam atuado também na área da Medicina e Enfermagem infantil. As filósofas dessa escola ajudaram na formação de um pensamento pitagórico feminino, conceituado como “administradoras do lar” ou “filósofas do lar”, sendo esse pensamento, considerado para a época, de grande relevância social.  

Um ponto fundamental que é destacado em sua filosofia seria a aplicação do principio da harmonia na vida doméstica da mulher. De acordo com seus escritos, a natureza do bebê exige por si mesmo um cuidado moderado, principalmente na alimentação, aquecimento e vestimentas. Segundo essa filósofa, uma boa enfermeira deveria observar o tempo de maneira comprometida com os deveres de vigilância  da criança, sabendo ter prudência e zelo nos cuidados do recém-nascido. Essa ponderação deveria se iniciar na gestação e acompanhar o desenvolvimento do nenê. Esses ensinamentos eram importantes tanto para a mãe como também para as mulheres que auxiliavam as lactantes nos atendimentos básicos. Mesmo com poucas informações sobre a sua vida é possível compreender a importância dessa filósofa na cultura local e no papel social que ela desenvolveu em seu tempo. Mulheres como “Myia” tiveram bastante relevância no desenvolvimento dos primeiros cuidados relativa à criança. Pontuando conceitos de enfermagem que iam desde os primeiros meses de gravidez, até ao processo de maturação do recém-nascido.

Filosofia Pitagórica

Os pitagóricos, dessa época, tinham uma ideia de que os números ímpares eram uma representação do universo masculino e os números pares seria a interpretação do mundo feminino. Nessa escola de pensamento havia uma forte comparação entre o homem e o universo, por isso a escola pitagórica trabalhava a ideia de que o homem seria uma cópia em miniatura do universo. Ademais, as mulheres seriam vistas também como parte da natureza dos números podendo ocupar um espaço na escola pitagórica. Myía dissertou sobre a aplicação dos princípios pitagóricos no cotidiano familiar da mulher e também a respeito da conduta correta que a esposa deveria ter no seio do lar. Tanto ela como sua mãe, lecionaram acerca da moral sexual em relação à intimidade entre casais. Myia ajudou na escola pitagórica a construir conhecimentos sobre a vida comedida e virtuosa que a mulher deveria seguir no matrimônio, essas ideias foram importantes para compreender o papel moral e ético da mulher na cultura pitagórica. Do ponto de vista histórico ela é vista como uma figura lendária, sendo venerada não apenas pelos conhecimentos que detinha, mas também por uma notável elegância.

Filosofia Sapiencial

+ “A natureza deseja o que lhe convém, mas não o que é extravagante”.

+ “Observe com atenção qual deve ser o ar que seu filho respira. Nem muito quente, nem muito frio”.

+ “Um bebê naturalmente deseja as coisas com moderação, e seu cuidador deve atender a essas necessidades com moderação”.

+ “A natureza da criança deve ser sempre cuidada; pede-se que suas necessidades sejam bem atendidas, mas sem superficialidade ou magnificência”.

+ “Também é necessário que aqueles que estão sendo educados, exercitem-se perto de coisas que o assustam, mesmo que isso o assuste. Como aflições e sofrimentos, para que não se tornem escravos dessas paixões e vícios, nem famintas por prazeres, nem avessas ao esforço; mas honre as coisas nobres acima de tudo, afastando-se dos feitiços dos prazeres, mantendo-se constante no esforço, assim se tornarão mais fortes”.

Fontes:

BRUMBAUGH, Roberte Sherrick. Os filósofos da Grécia. Albany: Universidade de New York, 1981.

CLEMENTE DE ALEXANDRIA. Stromata. Madrid: Cidade Nova, 2003.

COPLESTON, Frederick. História da Filosofia. Londres: Search Press, 1946.

FERREIRA, Maria Luísa Ribeiro. As Mulheres na Filosofia. Lisboa: Colibri, 2009.

JÂBLICO. Vida Pitagórica. Madrid: Editoria Gredos, 2003.

LAÊRTIOS, Diógenes. Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres. 2ª ed. Brasília: UnB. 2008.

MÉNAGE, Gilles. História das mulheres filósofas. Herder Editorial. 2012.

MOSSÉ, Claude. Mulheres na Grécia clássica. Hondarribia: Editorial Nerea, 2001.

OLSEN, Kirstin. Cronologia da História da Mulher. Greenwood Press 1994.

PACHECO, Juliana. Filósofas: A presença das mulheres na filosofia. Brasília:. Editora FI. 2016.

PIOVEZANE, Helenice Vieira. As mulheres na filosofia: A antiguidade. Vol. 1. São Paulo: Nova Acrópole. 2016.

POMEROY, Sarah. Mulheres pitagóricas: Sua história e escritos. Baltimore: Universidade Johns Hopkins, 2013.

PORFÍRIO. A vida de Pitágoras. Barcelona: Planeta de Agostini, 1996.

WAITHE, Mary Ellen. The history of women philosophers. Vol. 1. Boston: Martinus Nijhoff, 1987.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Protágoras de Abdera

Protágoras de Abdera – (480 a 410) a.C

Autor: Alysomax Soares

Introdução

Foi um filósofo sofista da Grécia antiga que ficou conhecido por ter desenvolvido uma linha de pensamento relativista. Sua filosofia se estabeleceu na transição entre o período pré-socrático e o período clássico, isto é, na chamada fase antropológica. Este sofista assentava sua reflexão na provável capacidade de conhecer do homem. Protágoras era de família humilde, e por isso exercia atividades manuais para manter sua subsistência. Essas atividades laborais possibilitaram ao jovem filósofo a invenção de alguns utensílios relacionados aos seus trabalhos. Depois disso, passou a cobrar pelo ensino das lições que dava aos cidadãos, a partir daí se intitulou de sofista, fazendo do conhecimento uma profissão. É chamado por muitos historiadores como sendo o pai do sofismo. Ele se apresentava como sendo mestre na arte da argumentação lógica. Entre seus estudos, estar à exploração das questões relacionadas à ética e a política. Lecionou disciplinas sobre poesia, oratória e gramática na cidade de Atenas. Teria sido acusado de ateísmo e teve parte de sua obra queimada em praça pública. Ademais, sofreu perseguição política, sendo banido da cidade de Atenas. Foi um grande amigo do estadista Péricles e cogita-se a hipótese, entre os historiadores, de que Protágoras teria estudado com alguns magos da Pérsia. Em razão de suas convicções democráticas e sociais, ele foi escolhido para elaborar a constituição da cidade de Túrios. Platão chegou a citar esse filósofo em vários de seus diálogos, tendo inclusive dado o nome a um deles de “Protágoras”. Nasceu por volta de 480 a.C, em Abdera e faleceu em um naufrágio a caminho da região da Sicília, no sul da Itália, aproximadamente, em 410 a.C.

Filosofia do Conhecimento 

Protágoras ficou afamado na História da Filosofia pela frase: "O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, e das coisas que não são, enquanto não são."Para Protágoras, o pensamento seria relativo, por isso ele acreditava que não existia uma verdade absoluta. Assim sendo, ele descrevia que se o homem era a medida de todas as coisas, então nada poderia ser medido de forma absoluta pelos os homens. Daí, todos os valores sociais poderiam até ser medidos em uma sociedade, mas não necessariamente em outras, e também não obrigatoriamente em outro tempo. Segundo alguns pesquisadores, o referido relativismo de Protágoras pode ser denunciado em algumas de suas afirmações, entre as quais, a que dizia que enquanto uma mesma ideia poderia ser boa para uma pessoa, ela também poderia ser má para outra pessoa, da mesma forma, o contrário, ou seja, o que é mau para alguns pode ser bom para outros. Protágoras também acreditava que as coisas são conhecidas de forma particular pelo homem, e que cada indivíduo observa as coisas da sua própria maneira. Ele explicava que não seria possível realizar uma concreta explicação sobre o que “as coisas são”, desse modo, não seria possível também dizer o que “as coisas não-são”, nesse sentido, logicamente, restaria ao homem apenas explanar a respeito daquilo que ele perceberia no mundo, ou seja, “a coisa em si”. Nessa perspectiva ele afirmava que: “não conhecemos os objetos como eles verdadeiramente são, mas como ele nos parecem ser, não a essência deles, e sim a aparência deles”.

De acordo com Protágoras, cada indivíduo possuiria uma subjetividade única que tornaria seu pensamento uma particularidade. Devido o relativismo do seu pensamento, ele acreditava que os homens deveriam desenvolver seus conceitos e opiniões, para que assim, pudessem ser produtores de suas próprias histórias e construtores de seus destinos no mundo. Além dos seus estudos centrados na subjetividade do ser, ele também se empenhou nas questões direcionadas ao “não-ser”. Por exemplo, no seu conceito de “homo-mensura” (O homem é a medida de todas as coisas) ele definia que a “medida” seria o juízo e que as “coisas” eram as experiências das pessoas. Dentro de sua visão teórica, ele explicava maneiras de argumentar e também ensinava técnicas de convencimento, desse modo, afirmava que o sofismo tinha a capacidade de expressar ideias com justiça. Nesse contexto, contrariando os ideais sobre a verdade absoluta, ele explicava que o que existia eram conceitos oportunos para um momento específico, ou seja, a verdade seria aquela útil para uma ocasião específica. Por isso, o verdadeiro sábio, para ele, seria uma pessoa que conseguisse convencer os outros indivíduos sobre uma determinada vantagem para cada momento singular. Segundo sua visão, cada homem fazia seu julgamento conforme seu próprio modo de ver as coisas, isto é, de acordo com seu entendimento. Nessa perspectiva, seus estudos foram muitos importantes para o desenvolvimento da epistemologia.

Filosofia da Linguagem

Em sua obra “As antilogias”, ele defendia a ideia de que o debate sobre um assunto se resumia a duas ideias coerentes em si mesmas, mas que se contradiziam uma com a outra, ao mesmo tempo. Como se o contraditório pudesse coexistir, assim sendo ele dividia a contradição em uma antilogia¹. Daí, nesse jogo de antilogias, o homem seria como um peso em uma balança, em que decidiria qual caminho escolher. A cada argumento se oporia outro de igual força, dessa maneira, Protágoras sofreu influência de Heráclito de Éfeso, pois afirmava que o princípio e o fim de todas às coisas estaria na imanência reciproca dos contrários. Por isso, a retórica seria a principal virtude do homem, desse modo, ele conseguia tornar mais forte o argumento que a princípio parecia mais fraco. De acordo com suas ideias, seria possível apresentar razões diferentes que se anulam de maneira recíproca, ou seja, tanto seria possível defender um argumento como também contradizer o mesmo argumento. A virtude do homem sábio estaria na habilidade de fazer valer qualquer raciocínio, tanto de um ponto de vista, como também do contrário. Segundo Protágoras, a antilogia designaria o método de produzir argumentos a favor e contra qualquer questão, para tornar mais forte o argumento mais fraco.

Filosofia da Religião

Afirmava que as religiões e os deuses eram criados por convenções humanas. Protágoras foi acusado no seu tempo de ser ateísta, e por isso foi perseguido, tendo fugido e vivido no exílio. Por conta de seu ceticismo religioso, acabou tendo suas obras queimadas em praça pública. Acreditava que o homem não poderia afirmar se Deus existia ou não, pois a resposta para essas questões dependeria de uma soma de outras incertezas e obscuridades. Dizia que as questões divinas estavam além da capacidade de compreensão do ser humano, desse modo, o homem possuiria limitações para esses saberes. Nesse sentido, o homem estaria sempre criando argumentos de afirmação a favor e contra a existência dos deuses. Seu pensamento de que o homem era a medida de todas as coisas, inaugurava a ideia de que a razão dependeria de uma experiência individual e própria de cada ser. Esse relativismo estava ligado a um ponto de vista de cada um. Explicava que o fato da vida humana ser breve limitava o ser humano a compreender as experiências relacionadas às divindades. Por isso, seu suposto ateísmo estaria relacionado apenas, à ideia de que a razão humana possuiria limites para compreensão dos fenômenos metafísicos. Dessa maneira, não seria possível ao homem determinar de forma absoluta, o que era o bem e o mal. Para alguns pesquisadores, Protágoras não se encaixava propriamente em uma vertente de pensamento ateísta, mas sim em uma concepção denominada agnóstica.  

Filosofia da Educação

Afirmava que o Estado deveria ser o principal responsável pela formação dos cidadãos. Entre suas ideias, ele ressaltava a importância da pena como instrumento de recuperação do criminoso, juntando esse conceito com uma doutrina sobre a educação pública. Portanto, ele definia a moral e a justiça como virtudes que poderiam ser adquiridas pela “Paidéia”, ou seja, pela educação grega. Sua teoria do “homem-mensura” inaugurou o relativismo e o subjetivismo como ideias na teoria do conhecimento, desse modo, ele estabeleceu que o objeto de seu estudo fosse à prudência. Seu relativismo é visto por alguns teóricos como sendo muito radical, pois negava a existência tanto do que era a verdade, bem como também, do que seria falso. Assim, não poderia existir um critério comparativo para definir o que seria verdadeiro e o que seria falso. Ninguém estaria absolutamente errado, mas cada um estaria com a verdade, ou seja, a sua verdade relativa. Cada um seria seu próprio critério para definir o que é certo e errado. Nesse sentido, não existiria nenhum critério absoluto que pudesse presumir se algo seria falso ou verdadeiro. Seguindo seu raciocínio, as convenções sociais ditavam as regras morais que serviam de norte para orientar a educação dos homens.

Protágoras - Diálogo platônico

A obra de Platão descrevia um diálogo entre alguns personagens que tratavam sobre ideias relacionadas à virtude e a sabedoria. Entre os principais personagens estavam Sócrates e Protágoras. O principal questionamento da obra era sobre, a possibilidade ou não, de ser possível ensinar a virtude, de acordo com as definições pensadas entre os interlocutores. Protágoras no início do debate acreditava que a virtude poderia sim ser ensinada, já Sócrates achava que não era possível. No final do diálogo, eles mudam de opinião e Protágoras reconhece sua ignorância e passa, então, a achar que a virtude, talvez, realmente não possa ser ensinada, enquanto que Sócrates passa, então, a acreditar que existe uma possibilidade da virtude ser ensinada. O impasse persiste entre eles sem que se chegue a uma conclusão concreta. Ao final, Sócrates se aproxima de uma possível definição de que sabedoria e virtude talvez seja a mesma coisa. O principal conflito de ideias entre os argumentos dos dois estava na natureza da definição dada por cada um, sobre o que era a virtude ou “aretê”, após cada um explanar sua ideia e argumentar o conceito de virtude dentro de um contexto, e de sua visão de mundo, os dois passaram a analisar a questão de outra maneira, isto é, do ponto de vista do outro, porém sem chegar a uma solução definitiva ou a um denominador comum.

Filosofia Sapiencial

+ “O homem é a medida da realidade”

+ “O homem é a medida do universo.”.

+ “Existem dois lados para cada pergunta”.

+ “Sobre os deuses não posso saber se existem ou se não existem”.

+ “Toda a vida do homem tem necessidade de ordem e de adaptação”.

+ “Sobre qualquer questão existem dois argumentos contrários entre si”.

+ “Muitas coisas impedem o conhecimento, incluindo a obscuridade do tema e a brevidade da vida humana”.

+ "Tal como cada coisa se apresenta para mim, assim ela é para mim, tal como ela se apresenta para ti, assim ela é para ti.”

+ "O Homem é a medida de todas as coisas, daquelas que são por aquilo que são e daquelas que não são por aquilo que não são.”

+ “Quando se trata de considerar como administrar bem a cidade, deve-se proceder inteiramente com justiça e bom senso.”

+ “Todo o argumento permite sempre a discussão de duas teses contrárias, inclusive este de que a tese favorável e contrária são igualmente defensáveis”.

+ “Das coisas belas umas são belas por natureza e outras por lei, mas as coisas justas não são justas por causa da natureza, os homens estão continuamente disputando pela justiça e a alteram também continuamente”.

 

Obras:

- As Antilogias

- Sobre a verdade e Sobre o ser 

- Grandes discursos

- Raciocínios demolidores

- Tratado Sobre os Deuses

- Técnica Erística

- Sobre as Lutas

- Das Virtudes e Ambições

 

Fontes:

ARISTÓTELES. Metafísica. Trad. Edson Bini. São Paulo: Edipro, 2012.

CASERTANO, Giovanni. Sofistas. São Paulo: Paulus, 2010.

CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo, Editora Ática, 2000.

CASSIN, Barbara. O efeito sofístico: Sofística, filosofia, retórica, literatura. São Paulo: Editora 34, 2005.

DHERBEY, Gilbert. Os Sofistas. Trad. João Amado. Lisboa: Edições 70, 1999.

DUMONT, Jean. Paul. Elementos de história da filosofia antiga. Brasília: EdUnB, 2005.

EMPIRICO, Sexto. Esboços Pirrônicos. Cambridge: Harvard University Press, 1933.

HOBUSS, João. Introdução à história da filosofia antiga. Pelotas. Dissertatio Filosofia. 2014.

HUISMAN, Denis. Dicionário dos Filósofos. Martins Fontes, 2001.

KENNY, Anthony. História Concisa da Filosofia Ocidental. Lisboa: Temas e Debates, 1999.

KERFERD. George. O movimento sofista. trad. Margarida Oliva. São Paulo: Edições Loyola, 2003.

KIRK, Geoffrey. RAVEN, John. Os Filósofos pré-socráticos. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1994.

LAÊRTIOS, Diógenes. Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres. 2ª ed. Brasília. UnB, 2008.

RIBEIRO, Luís Felipe Bellintani. História da filosofia I. Florianópolis: Filosofia/Ead/UFSC, 2008.

PLATÃO. Protágoras. Trad. Carlos Alberto Nunes, Ed. UFPA, 2002.

_________________ Teeteto. Trad. Edson Bini. Bauru: EDIPRO, 2007.

 

Notas:

_________________

¹ Antilogia significa contradição, antilógico, ilógico, ou seja, contrário à razão.


segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Hipódamo de Mileto

Hipódamo de Mileto – (498 a 408) a.C

Autor: Alysomax Soares

Introdução

Foi um filósofo urbanista da Grécia antiga, apelidado de Hipodâmico. É considerado o pai do planejamento urbano e visto como um dos grandes arquitetos da antiguidade. Seu sistema de pensamento está voltado para as correntes de pensamento da filosofia político-social. Era titular de um vasto conhecimento erudito em muitas áreas. Estudou as áreas de Arquitetura, Planejamento Urbano, Matemática, Medicina, Meteorologia, Geopolítica e Filosofia. O filósofo Aristóteles afirma que Hipódamo foi o primeiro filósofo a escrever um tratado sobre a teoria do governo. Descreve-o como sendo um homem muito vaidoso que fazia questão de se apresentar de maneira estética com uma exótica cabeleira e com roupas de alto valor. Existem fortes indícios de que ele possa ter estudado com os pitagóricos, embora outros historiadores o classifiquem como pertencente à escola Jônica. Alguns pensadores o consideram como sendo o primeiro urbanista a criar ordem no caos. Essa metáfora retrata os conhecimentos físicos e matemáticos utilizados por Hipódamo para projetar as cidades de maneira regular em locais que antes eram considerados desorganizados. Segundo relatos, ele teria ajudado a reconstruir a cidade de Mileto após a guerra contra os persas. Seu modelo de planejamento teria sido aplicado em algumas colônias gregas e se estendido também para outras regiões da Grécia. Nasceu no ano de 498 a.C, em Mileto e faleceu por volta de 408 a.C.

Filosofia Política

Hipódamo estudou os problemas funcionais das cidades e estabeleceu relações com a estrutura administrativa da “polis”. Sua ideia de arquitetura urbana privilegiava uma estrutura de funcionalidade para a cidade juntamente com os aspectos políticos. Desenvolveu essa relação funcional da “polis” com as teorias de administração do Estado. Também associou os conhecimentos matemáticos e físicos com o planejamento urbanístico. Seu modelo de pensamento trabalhava os conceitos de perfeição, simetria, luxo, e conforto, assim sendo, sua filosofia tentava unir ideias de uma sociedade produtiva, em que os aspectos políticos e ambientais pudessem manter certo bem-estar social. Sua proposta de pensamento levava o conceito de “polis” a projetar cidades que pudessem levar conforto ao maior número possível de cidadãos. Ele ficou conhecido por ser o introdutor de uma planificação apoiada em ruas largas que se cruzavam em ângulos retos. Devido ao fato de possuir um formato quadricular ou retangular semelhante a um tabuleiro de xadrez, seu modelo de planejamento urbano ficou conhecido como “plano de grelha”. Além disso, também é visto como um dos primeiros filósofos que idealizaram uma cidade com traços de uma matriz ortogonal.

Com isso, ele estabeleceu a arte de traçar diferentes quarteirões em uma cidade com o objetivo de marcar as divisões. Além da arte de projetar cidades, ele também se dedicava ao ofício de investigar a melhor forma de governo para uma "polis". Para ele, a planta de uma cidade poderia formalmente materializar e explicar uma ordem social e lógica da urbe. Ele também era considerado um pioneiro no estudo sobre o planejamento urbano, tendo inclusive idealizado conceitos de cidades perfeitas. Esse modelo era embasado em blocos habitacionais entre si, onde casas e espaços públicos poderiam adquirir formatos padronizados que passaram a ser chamados, entre os arquitetos, de “traçados hipodâmicos”.

Filosofia Social

Em sua cidade ideal ele afirmava que o número máximo de habitantes deveria ser de dez mil. Dizia que os cidadãos que produzissem coisas úteis na sociedade deveriam ser recompensados. Com relação às leis ele defendia a existência de apenas três formas de ações judiciais: ações de injúria, insulto e homicídio. A suprema corte deveria ser composta por anciães e os demais magistrados eleitos pelos cidadãos. Ensaiou noções jurídicas a respeito das leis sobre patentes. Propôs a divisão dos cidadãos em três classes sociais: soldados, artesãos e lavradores. Além disso, projetou o solo urbano também em três partes: sagrado, público e privado. Em relação ao solo sagrado, explicava que ele deveria ser utilizado para o culto aos deuses, já o solo público deveria ser utilizado para o uso dos guerreiros, e o solo privado seria destinado aos agricultores. Advogava a favor da tese de que os filhos dos cidadãos mortos em combate deveriam ser sustentados pelo Estado. As ideias de Hipódamo em relação ao planejamento das cidades gregas eram de uma ordem que regularizavam o cenário confuso das antigas cidades. Entre os principais estudos de planejamento realizado por ele, destaca-se o planejamento urbano da cidade de Pireu e o planejamento urbano da colônia de Túrio. Nesses estudos ele utilizou fórmulas polinomiais para a construção e infraestrutura hidráulica dessas cidades. O filósofo Aristóteles fez duras críticas aos sistemas pensados por Hipódamo, pontuando várias disfunções que poderia existir nesses modelos de sistemas.

Fontes:

ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. 5º ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

ALBUQUERQUE, Marcelo. Roma Antiga para artistas, arquitetos e viajantes. Arte e Culturas. Independently published, 2020.  

ARISTÓTELES. A política. Trad. Nestor Chaves. Bauru: EDIPRO, 2ª ed. 2009.

BARNES, Jonathan. Filósofos pré-socráticos. Trad. Julio, Fischer. São Paulo: Martins Fontes. 1997.

BENEVOLO, Leonardo. História da cidade. 5ª ed. São Paulo: Perspectiva, 2011.

CHISHOLM, Hugh. Hipódomo. Enciclopédia Britânica. 11ª ed. Cambridge: University Press, 1911.

ESTRABÃO. Geografia. Coleção livros III ao X. Grécia antiga. Universidade de Coimbra.

GLOTZ, Gustave. A cidade grega. Rio de Janeiro: Editora Difel, 1980.

JAEGER, Werner. Paidéia: A formação do homem grego. São Paulo, Martins Fontes, 1989.

LAÊRTIOS, Diógenes. Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres. 2ª ed. Brasília. UnB. 2008.

MENENDEZ, José Luiz. Fontes antigas sobre o urbanismo de Hipódamo. Universidade de Barcelona. 1997.

SILVA, Kalina Vanderlei. Dicionário de Conceitos Históricos. São Paulo: Contexto, 2010.

TUCÍDIDES. História da Guerra do Peloponeso. Tradução, R.M.R. Fernandes e M.G.P. Granwehr. Coimbra: Fundação Calouste Gulbenkian, 2010.

VERNANT, Jean. Pierre. As origens do pensamento grego. Rio de Janeiro: Difel, 20ª ed. 2002.

VERA, Luiz Cevera. As Cidades Teóricas de Hipódamo ​​de Mileto. Hungria: Academia Real de Belas Artes, 1987. 

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Demócrito de Abdera

Demócrito de Abdera – (460 a 370) a.C

Autor: Alysomax Soares

Introdução

Foi um filósofo da Grécia antiga que viveu no período de transição entre os pré-socráticos e a filosofia clássica. Ele foi discípulo de Leucipo de Mileto e mestre do sofista Protágoras de Abdera. Além disso, também teria exercido grande influência na obra do filósofo Epicuro. Demócrito juntamente com seu mestre Leucipo são os fundadores do atomismo. Suas obras são consideradas como sendo de caráter materialista, mecanicista e determinista, pois explicavam a ordem do cosmos através da natureza. A frase que sintetizou seu pensamento foi: “há apenas átomos e vazio”. Possuía uma boa condição de vida o que lhe permitiu realizar muitas viagens pelo mundo antigo, com isso aperfeiçoou os diversos saberes que assimilava. Historiadores apontam que ele teria escrito aproximadamente noventa obras, porém apenas alguns fragmentos se conservaram no tempo. O descrito atomista também estudou as áreas da Matemática, Astronomia, Música, Línguas, História, Geografia e Ética. Entre seus principais temas de estudo estavam o problema da ética, da natureza e da educação. O nome “Demócrito” no grego antigo significava: “o escolhido do povo”. Demócrito ficou conhecido como o “filósofo hilário”, pois vivia rindo de tudo, até das suas próprias explicações sobre filosofia. Acreditava que o sorriso atraía conhecimento. Nasceu na cidade de Abdera, por volta do ano 460 a.C e veio a falecer, em 370 a.C.

Filosofia Atomista

A partir dos ensinamentos de seu mestre, ele desenvolveu e sistematizou a “teoria atômica” que também ficou conhecida como “atomismo”. Esse modelo de pensamento era explicado apenas no campo filosófico, pois ainda era um pensamento primitivo em relação às ideias atômicas que viriam a surgir na modernidade. Segundo Demócrito, a matéria poderia ser dividida até chegar a uma partícula mínima que seria indivisível, essa partícula era chamada de átomo, isto é, sem divisão. A palavra átomo significa indivisível e vem da junção de “a” que quer dizer “não” e “tomos” que tem o sentido de “parte”, ou seja, parte “não-divisível”.

A teoria atomista foi desenvolvida por ele quando ao observar a natureza Demócrito teria visto um raio de sol penetrando por uma fresta na porta de um quarto, daí notou as pequenas partículas de poeira dispersas no ar e obteve o seguinte raciocínio: “os átomos são como partículas de poeira, um turbilhão de partículas que se colidem de forma aleatória, eles também se expelem, porém existem alguns que nunca se tocam”.  O pensador Aristóteles explicou algumas ideias a respeito da obra de Demócrito, demonstrando que para a matéria se deslocar no espaço, seria necessário existir um grande vazio, ou seja, um vácuo infinito onde uma quantidade infinita de átomos se deslocaria nesse espaço. Dessa forma, deveria então existir partes vazias para que assim fosse possível existir o movimento entre os átomos, porém se a matéria se dividisse em partes cada vez menores, e de forma infinita, então não haveria consistência nessa matéria, nesse sentido, a matéria não poderia se formar de outras partes menores, em razão do espaço vazio sofrer pressão da formação infinita de divisões. Desse modo, a divisão da matéria não poderia ser infinita, ao contrário, deveria ser finito, consequentemente, esse fenômeno de divisão mínima da matéria, seria entendido como sendo os átomos. O conceito de vazio definido pelo Demócrito teria relação com a ideia de espaços que existiam entre os átomos.

Nas suas obras, ele explicava que os átomos possuíam um formato geométrico, daí esse aspecto simétrico permitiria que existisse encaixe entre eles, assim sendo, esses átomos ao serem combinados, produziriam outras substâncias que eram geradas por processos mecânicos. Sua visão do átomo se assemelhava ao que atualmente se chama de partes de uma molécula. Demócrito tentou resolver a oposição de ideias que existia entre Heráclito e Parmênides, desse modo, ele afirmou que o universo seria composto por dois elementos básicos, o átomo que era o “ser” e o vácuo denominado de “não-ser”. Além de ser indivisível, o átomo de Demócrito também apresentava as seguintes características, ele seria: invariável, individual, invisível, incompreensível, indestrutível, eterno e estaria em movimento constante, tendo tamanho e formatos diferentes, ocupando ordenamento e posições variadas, em vista disso, a matéria seria construída pela combinação desse modelo de átomo que era esférico, leve e aquecido. Através desse estudo físico e mecânico, ele afirmava que o átomo seria indestrutível, e que eles teriam pesos diferentes. Era eterno porque nada poderia ter surgido do nada.

Filosofia Cosmológica

Para Demócrito, o universo era formado por infinitos átomos de diversos formatos que se chocavam e se repeliam o tempo todo. Alguns átomos, como um jogo de quebra-cabeça, possuiriam afinidade com outros átomos e poderiam se unir formando uma diversidade de matéria. Da mesma forma que a matéria se formaria com o choque aleatório de átomos afins, a matéria também se desintegraria com o movimento dos átomos.  Para ele, a consistência dos aglomerados de átomos era o que fazia com que algo se parecesse com os “Estados da Matéria”, isto é, o sólido, o líquido, o gasoso e o anímico (estado de espírito), a matéria seria então determinada pelo formato (figura) e arranjo dos átomos envolvidos, logo, os átomos poderiam ter os seguintes formatos:

Os átomos de aço possuíam um formato que se assemelhava a ganchos, que os prendiam solidamente entre si. Os átomos de água eram lisos e escorregadios. Os átomos de sal como demonstravam o seu gosto, seriam ásperos e pontudos. Os átomos de ar seriam pequenos e pouco ligados, penetrando todos os outros materiais. Os átomos da alma e do fogo eram esféricos e muito delicados. (Demócrito).

Seu modelo cosmológico descrevia o vácuo como um vazio que ele denominou de “não-ser”. Para ele, esse vácuo era uma espécie de oposição aos átomos. Ele também chegou à conclusão de que existiriam aglomerados gigantes de estrelas, ou seja, galáxias que devido a distância delas em relação à Terra, elas pareceriam pequenas, por isso eram confundidas com as estrelas. Além da teoria do atomismo, ele também acreditava que o universo era infinito e que existiam muitos mundos iguais ao nosso por todo o universo.

Filosofia teleológica

Ao contrário do que afirmavam muitos filósofos de seu tempo, Demócrito acreditava que não existia uma causa primeira ou inteligente para tudo, pois assim como os átomos seriam eternos, assim também a natureza se autorrevelaria, isto é, ela sempre existiu, de maneira que tudo “sempre foi, é, e sempre será”. Segundo o filósofo Diógenes de Laércio, Demócrito acreditava que tudo acontecia por força da necessidade, essa força seria como um vórtice gerador da gênese de todas as coisas. Dessa maneira, argumentava que o fim absoluto de tudo era a serenidade da alma, que poderia ser adquirida pelo equilíbrio e pela calma. Essa calma seria a ausência de emoções que perturbavam a alma, como o medo e as superstições.

Sua visão materialista explicava os fenômenos através das leis naturais, por isso os átomos poderiam se unir e se separar de maneira harmônica, porém eram indivisíveis em seu aspecto físico. Nesse sentido, a causa de tudo seria resultado das leis naturais e a mecânica do mundo poderia explicar os fenômenos da natureza. Para Demócrito, a física explicava de forma material como era feito a realidade e a lógica definia os fundamentos do que poderia ser conhecido como verdade. Através da união desses saberes, seria formada a ideia de moral. Ele também acreditava que a alma humana era feita de átomos e que por isso ela sofreria um processo de decomposição e adaptação. Embora os átomos fossem eternos, os corpos poderiam perecer, mas sua essência não, pois a alma era formada por átomos semelhantes ao aspecto volátil do fogo. Desta forma, os átomos da alma se dispersam no espaço, isto é, quando uma pessoa morre, os átomos de sua alma se espalham para todas as direções, podendo se agrupar ou se agregar a outra alma. Dito isto, compreende-se que na sua visão, a alma não seria imortal.

Filosofia Moral

Para Demócrito, não seria possível ao homem ter um livre-arbítrio absoluto, pois a liberdade de escolha era uma ilusão, já que não seria possível ao homem alcançar todas as causas que o levam a uma decisão plena. Porém, o indivíduo poderia controlar seus impulsos e desejos, pois a alma exerceria uma ordenação capaz de direcionar o homem em um caminho ético e moral na sociedade. Sustentava que se deveria buscar a felicidade na moderação dos desejos e no reconhecimento da superioridade da alma sobre o corpo. Para ele, os sentidos enganam os indivíduos em relação à compreensão dos átomos, desta forma, ele dizia que cada sentido que o corpo possuía poderia ser entendido pelo formato específico de cada átomo, logo, o homem teria uma sensação sobre os fenômenos. Nesse contexto, ele observava que:  “os homens acreditam que branco e o preto, o doce e o amargo e todas as outras qualidades do gênero, são algo de real, quando na verdade só o que existe é o ente e o nada”.

Filosofia do Conhecimento

Ele definia duas formas de conhecimento, que seria o conhecimento inteligível, e o conhecimento sensível. Daí explicava que apenas o inteligível seria de fato verdadeiro, pois o conhecimento sensível dependeria dos sentidos, e os sentidos não captavam a realidade de maneira totalmente real, apenas de forma simples. Afirmava que o pensamento era um processo físico e que o objetivo da vida seria a felicidade. Boa parte da ciência moderna foi bastante influenciada pelos pensamentos de Demócrito. Ele foi considerado um escritor prolífico e visto por muitos como o pai da ciência. Tinha uma forma de escrita em formato de poema na qual desenvolvia suas ideias científicas e filosóficas.

Filosofia da Matemática

O pensamento de Demócrito foi influenciado pela escola pitagórica no sentido do formato geométrico dos átomos. Além disso, Demócrito também chegou a estudar alguns ramos da Matemática como, por exemplo, os problemas relacionados aos volumes das figuras geométricas e suas relações com cálculos infinitesimais. Também estudou conceitos ligados aos números irracionais e dissertou a respeito das tangentes. Na geometria, ele descreveu que o volume de um cone é um terço do volume de um cilindro de mesma base e altura, e que o volume de uma pirâmide seria um terço do volume de um prisma de mesmas base e altura.

Curiosidades:

Demócrito era um homem muito viajado, por isso se envaidecia como sendo o filósofo que mais tinha percorrido o mundo da época e também o que mais tinha conversado com sábios de todos os lugares. Conta-se que certa vez, tendo ido a Atenas, desapontou-se porque ninguém na cidade o conhecia.

Obras:

 - Pequena ordem do mundo

- Da forma e do entendimento

- Do bom ânimo,

- Preceitos.

- Sobre Pitágoras

Filosofia Sapiencial 

+ “O homem é um microcosmo.”

+ “A palavra é à sombra da ação.”

+ “A ignorância do bem é a causa do mal.”

+ “A alegria é mais sábia que a sabedoria”.

+ “O sol visita a latrina e não se contamina.”

+ “O caráter de um homem faz o seu destino.”

+ “Os homens, ao fugir da morte, perseguem-na.”

+ “O prazer do amor é apenas uma curta epilepsia.”

+ "É sinal de alma elevada suportar os excessos dos outros".

+ “Os grandes prazeres nascem de contemplar as belas obras”.

+ "Tudo o que existe no universo é fruto do acaso e da necessidade”

+ “Desejar violentamente uma coisa é tornar-se cego para as demais.”

+ “Bom não é apenas não ser injusto, mas, também, não querer sê-lo.”

+ “Na realidade, não conhecemos nada, pois a verdade está no íntimo”

+ "Não se poderá jamais chegar, a saber, o que cada coisa realmente é"

+ “Quem faz o homem feliz não é o dinheiro: é a retidão e a prudência.”

+ "Devemos nos distanciar dos erros, não por medo, mas por obrigação"

+ “A felicidade não reside nas posses e nem em ouro, ela mora na alma”.

+ “Sábio é quem não se aflige com o que lhe falta e se alegra com o que possui”.

+ “Toda a terra está ao alcance do sábio, já que o pai de uma alma elevada é o universo.”

+ "A virtude deve ser provada através de fatos e atitudes e não apenas por palavras".

+ “Se você sofreu alguma injustiça, console-se; a verdadeira infelicidade é cometê-la.”

+ “O bem não significa simplesmente não fazer o mal, mas antes não desejar fazer o mal".

+ "É uma questão de sensatez cedermos diante da lei, diante do governante e diante do mais sábio".

+ “Falsos e hipócritas são aqueles que tudo fazem com palavras, mas na realidade nada fazem.”

+ “Para todos, o belo e o verdadeiro são a mesma coisa, mas o agradável é diferente para cada um”.

+ “A amizade de um único ser humano inteligente é melhor do que a amizade de todos os insensatos”.

+ “Um homem é digno de fé ou não o é, não somente pelo que faz, mas também é pelo que quer”.

+ “A verdadeira formosura e o ornamento mais precioso da mulher é falar pouco e ponderadamente.”

+ “Todo país da terra está aberto ao homem sábio, porque a pátria do homem virtuoso é o universo inteiro”.

+ “Quem de boa vontade se lança a obras justas e lícitas, dia e noite está alegre, seguro e despreocupado”.

+ "Toda belicosidade é insensata; pois enquanto se busca prejudicar o inimigo, esquecemos o nosso próprio interesse."

+ “O animal é tão ou mais sábio do que o homem: conhece a medida da sua necessidade, enquanto o homem a ignora.”

+ “A morte não nos concerne, pois quando vivemos, a morte não está aqui. E quando ela chega, não estamos mais vivos.”

+ “Ainda que estejas só, não deves dizer nem fazer nada ruim. Aprende a envergonhar-te mais ante ti do que ante os demais.”

+ “A natureza e a educação são algo semelhante, pois a educação transforma o homem e o transformando lhe constitui a natureza”.

+ “A vida má, sem moderação, desprovida de entendimento e de respeito pelo sagrado não é uma vida má, mas um morrer lentamente.”

+ "Por trás das melhores razões, muitas vezes estão às ações mais vergonhosas cometidas pelos formuladores de tais razões".

+ “Convém ao homem dar maior atenção à alma do que ao corpo, pois a excelência da Alma corrige a fraqueza do corpo; a fraqueza do corpo, contudo, sem a razão, é incapaz de melhorar a Alma.”

+ “Quem evita o injusto apenas por temor à lei provavelmente cometerá o mal em segredo; quem, ao contrário, for levado ao dever pela convicção provavelmente não cometerá o injusto nem em segredo nem abertamente. Por isto, quem agir corretamente em compreensão e entendimento mostrar-se-á corajoso e correto de pensamento”. 

Fontes:

ARISTÓTELES. Metafísica. Trad. Edson Bini. São Paulo: Edipro, 2012.

BARNES, Jonathan. Filósofos pré-socráticos. Tradução: Julio, Fischer. São Paulo: Martins Fontes. 1997.

BORNHEIM, Gerd. Os Filósofos Pré-Socráticos. São Paulo: Cultrix, 1967.

CIVITA, Victor. Pré-Socráticos: Os pensadores. São Paulo: Nova Cultura LTDA. 1996.

DUMONT, Jean. Paul. Elementos de história da filosofia antiga. Brasília: EdUnB, 2005.

DURANT, Will. História da Filosofia: A Vida e as Ideias dos Grandes Filósofos. São Paulo: Editora Nacional, 1926.

FRANCA, Leonel. Noções de História da Filosofia. Rio de Janeiro: Livraria agir editora: 1954.

HARVEY, Paul. Dicionário Oxford de Literatura Clássica Grega e Latina. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1987.

LAÊRTIOS, Diógenes. Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres. 2ª ed. Brasília: UnB. 2008.

MCKIRAHAN, Richard. A filosofia antes de Sócrates: uma introdução aos textos. São Paulo: Paulus, 2013.

PLUTARCO. Vidas Paralelas. Trad. Carlos Alcade Martín e Marta González González. Madrid: Gregos, 2010.

REALE, Giovanni. História da filosofia grega e romana. São Paulo: Loyola. 2010.

RIBEIRO, Daniel. Demócrito de Abdera. Revista Ciência elementar. Vol. 3. N; 03. Porto: casa das ciências, 2015.

SANTOS, Eberth Eleutério. Leucipo, Démocrito e Kant: Uma reflexão sobre a equivalência entre ser e não-ser. Campina Grande: UFCG, 2015.

SPINELLI, Miguel. Filósofos Pré-Socráticos. Primeiros Mestres da Filosofia e da Ciência Grega. 2ª Ed. Porto Alegre: Edipucrs, 2003.

VERNANT. Jean Pierre. Mito e pensamento entre os Gregos. Rio de Janeiro: PUC. 1965.