segunda-feira, 29 de maio de 2023

Arthur Schopenhauer

Arthur Schopenhauer – (1788 a 1860) d.C

Autor: Alysomax Soares

Introdução

Foi um filósofo alemão do período contemporâneo pertencente às correntes de pensamento da filosofia idealista. Teria seguido sua teoria por uma linha voltada para o pessimismo. Também transitou sua filosofia na direção de ideias baseadas no “irracionalismo”. Relacionou conceitos da filosofia oriental com pensamentos idealistas do filósofo Emanuel Kant. Criticou fortemente as teorias do filósofo Friedrich Hegel. Segundo alguns biógrafos, ele teria crescido em um ambiente voltado para o mundo mercantilista, e antes de cursar Filosofia, estudou as áreas de Contabilidade e Medicina. Chegou a viajar por vários lugares da Europa. Teve como amigo o escritor Goethe e exerceu grande influência nos filósofos Friedrich Nietzsche e Sigmund Freud. O filósofo Nietzsche teria lhe dado o codinome de "o cavaleiro solitário", pois ele vivia de maneira solitária e preferia ter como companhia apenas os animais, ao invés de outros seres humanos. Era visto como um indivíduo antissocial e demasiadamente desconfiado. Conseguiu grande reconhecimento de suas obras apenas no final de sua vida. Era Filho de um comerciante chamado Henrich Floris Schopenhauer com uma escritora chamada Johanna Henriette Trosenier. Nasceu na localidade de Danzig, região da antiga Prússia, em 1788 e faleceu em Frankfurt, por volta de 1860, morreu aos 72 anos, vitimado por uma pneumonia, seguido de um ataque cardíaco, tendo ao seu lado apenas seu cachorro.  

Filosofia do Pessimismo

Sua ideia de pessimismo vinha da compreensão que ele tinha de atribuir um valor negativo à vida e à existência. Ele pensava o mundo dos fenômenos como sendo permeada por uma espécie de “vontade maligna” que estaria relacionada com o plano metafísico. Seus principais temas discutiam questões ligadas ao amor, ao sofrimento e a felicidade. Embasado na sua obra principal denominada de “O Mundo como Vontade e Representação”, ele dissertava que não era possível ao homem conhecer verdadeiramente a realidade e seus fenômenos, pois o homem possuía certos limites, desse modo, poderia apenas criar representações das coisas ao seu redor, caracterizando o mundo e seus fenômenos de maneira ilusória. Nesse sentido, ele afirmava que: “o mundo é uma representação individual”. Pontuava que existiria uma forte relação entre os sonhos e a realidade. Os sentidos do corpo serviam apenas como instrumentos sensoriais que permitiam ao homem conhecer o mundo dentro de suas capacidades tangíveis. Dissertava que a solidão seria um elemento fundamental para se chegar à felicidade, e com isso, alcançar a verdadeira liberdade.

Filosofia Moral

A tese de Schopenhauer estava estruturada na ideia de “filosofia da vontade”, pois, segundo ele, a vontade seria a origem de todos os males e dores que afligiam a alma humana. Boa parte de suas teorias foram influenciadas pelas filosofias ligadas ao budismo e as filosofias indianas. Afirmava que “a vontade é um cego robusto que carrega um aleijado que enxerga”, essa metáfora esclarecia que a consciência humana seria o aleijado e que a vontade humana seria o que justificava no homem o sentimento dele querer viver. Ele acreditava que a consciência humana tinha a capacidade de descobrir a vontade como sendo a causa do mal, porém seria através dessa descoberta que o homem conseguia produzir meios para se libertar da escravidão de suas “paixões”. A ideia de liberdade poderia ser representada de várias maneiras, sendo o “pessimismo” uma das formas do homem encarar sua condição humana e limitada, assumindo conscientemente seu papel de negação perante a vida.

Nesse contexto, Schopenhauer desenvolveu seu pensamento afirmando que: “A vontade é a coisa em si”, ou seja, para ele, a vontade seria uma força essencial da natureza que teria como características metafísicas a ideia de infinitude e singularidade, isto é, seria uno e incompreensível ao homem. Também seria insaciável, por isso a vontade gerava no homem dor e sofrimento. A realidade era permeada por uma espécie de irracionalidade, e aquilo que era finito, não passava de simples ilusão aparente da realidade. Desse modo, a moral estaria conectada com os elementos do que seria real e concreto, ou seja, a realidade era guiada não pela razão, mas sim pela vontade. Dentro de sua abordagem moral, ele pontuava que o Direito positivado serviria como um regulador da sociedade, e que este, estaria ancorado no próprio Direito Natural. O chamado filósofo da vontade era visto como um grande defensor do direito dos animais.

Filosofia do Conhecimento

O conhecimento se daria pela relação existente entre o sujeito e o objeto, dessa relação surgiria à representação das coisas. Desse modo, não seria permitido ao homem sair de “si mesmo” para compreender verdadeiramente como o mundo realmente seria fora dele. O homem dependeria do “tempo e do espaço” para entender o fenômeno das coisas, além disso, seu entendimento também teria relação com os efeitos gerados pela “causalidade”. Nesse contexto, ele explicava que o sujeito estaria fora da ideia de “tempo e espaço”, por isso a objetividade de um conhecimento existia apenas na consciência dos sujeitos, sendo externalizada simplesmente, em forma de uma representação, ou seja, o mundo seria percebido pelo sujeito como um sistema de representações intuitivas que se originava do tempo, do espaço e da consciência. A representação era compreendida como sendo a realidade dentro da consciência. Dessa forma, o conhecimento gerado pela arte seria oposto aos saberes elencados pela ciência. Nesse sentido, ele dizia que: “Todo objeto, seja qual for a sua origem, é, enquanto objeto, sempre condicionado pelo sujeito e, assim, essencialmente, apenas uma representação do sujeito.”

Filosofia Teológica

Embora tivesse uma visão ateísta, ele teria sofrido influência da literatura indiana que era conhecida como “os Upanishads”. Desse modo, ele introduziu pensamentos indianos e alguns dos conceitos budistas na metafísica alemã, agregando ensinamentos do Budismo e do Hinduísmo, em seus estudos. Buscava unir elementos de uma filosofia baseada na força interior do homem com conceitos ligados a suspenção do juízo, chegando até mesmo, a propor o silêncio como um meio de obter a paz interior. Não acreditava na imortalidade da alma, mas defendia a ideia de que a filosofia podia ajudar o homem a entender o fenômeno da morte. A sua ideia de amor era entendida apenas com a finalidade material de reprodução das espécies, porém ele enaltecia uma espécie de amor relacionada à piedade, explicando que esse amor seria o menos egoístico. Para ele, o curso da história da filosofia não teria dado a devida importância para o conceito de compaixão. Nessa perspectiva, Arthur abraçou essa visão e construiu uma teoria embasada na “ética da compaixão”.

Filosofia Sapiencial

+ “A vida é necessidade e dor”

+ “A estupidez não tem limites”

+ “O mundo é minha representação”

+ “A vida oscila entre a dor e o tédio”.

+ “O amor é a compreensão da morte”.

+ “A vida é um processo constante de morte.”

+ “A vida é um velejar em direção ao naufrágio”

+ “A história é acaso cego e o progresso é ilusão”.

+ “Quanto mais elevado é o espírito mais se sofre”.

+ “É a perda que nos ensina sobre o valor das coisas.”

+ “A solidão é a sorte de todos os espíritos excepcionais”.

+ "Nove décimos da nossa felicidade dependem da saúde".

+ “A música é a vitória do sentimento sobre o conhecimento”.

+ “Quem escreve para tolos sempre encontra um grande público”.

+ "A humanidade aprendeu comigo coisas que nunca irá esquecer".

+ “A vida é esmola que prolonga a vida para seguirmos no tormento”.

+ "As religiões são como vaga-lumes: para brilhar precisam das trevas."

+ “A vida é luta contínua pela existência, com a certeza da derrota final”.

+ "Se eu mantiver silêncio sobre meu segredo, ele será meu prisioneiro”.

+ “Esperança é a confusão do desejo de uma coisa com sua probabilidade.”

+ “A vida oscila como um pêndulo para a frente e para trás entre a dor e o tédio.”

+ “Uma pré-condição para ler bons livros é não ler os livros ruins: pois a vida é curta.”

+ “Quem quer que dê muito valor às opiniões dos outros presta-lhes muita honra.”

+ "A riqueza influencia-nos como a água do mar. Quanto mais bebemos, mais sede temos".

+ “Quanto menos inteligente um homem é, menos misteriosa lhe parece à existência”.

+ “Cada homem leva os limites de seu próprio campo de visão para os limites do mundo.”

+ "O que torna as pessoas sociáveis é a sua incapacidade de suportar a solidão e, nela, a si mesmos."

+ “As pessoas comuns pensam apenas como passar o tempo. Uma pessoa inteligente tenta usar o tempo”.

+ "O médico vê o homem em toda a sua fraqueza; o jurista o vê em toda a sua maldade; o teólogo, em toda a sua imbecilidade."

+ “A consciência é a mera superfície de nossa mente, da qual, como da terra, não conhecemos o interior, mas apenas a crosta”.

+ "Vá bater nos túmulos e perguntar aos mortos se querem ressuscitar: eles sacudirão a cabeça em um movimento de recusa."

+ “A consciência é a mera superfície de nossa mente, da qual, como da terra, não conhecemos o interior, mas apenas a crosta”

+ “Então, o problema não é tanto ver o que ninguém viu, mas pensar o que ninguém ainda pensou sobre o que todos veem.”

+ “Para a maioria dos homens, a vida não é outra coisa senão um combate perpétuo pela própria existência, que ao final será derrotada.”

+ “Um homem só pode ser ele mesmo enquanto estiver sozinho; e se ele não ama a solidão, não amará a liberdade; pois é somente quando ele está sozinho que ele é realmente livre.”

+ "Uma filosofia, entre cujas páginas não se ouvem as lágrimas, o uivo e o ranger dos dentes, e o terrível barulho do crime universal de todos contra todos, não é uma filosofia".

+ “A mais rica biblioteca, quando desorganizada, não é tão proveitosa quanto uma bastante modesta, mas bem ordenada. Da mesma maneira, uma grande quantidade de conhecimentos, quando não foi elaborada por um pensamento próprio, tem muito menos valor do que uma quantidade bem mais limitada, que, no entanto, foi devidamente assimilada”.

+ “Imaginemos, por um instante, que a humanidade fosse transportada a um país utópico, onde os pombos voem já assados, onde todo o alimento cresça do solo espontaneamente, onde cada homem encontre sua amada ideal e a conquiste sem qualquer dificuldade. Ora, nesse país, muitos homens morreriam de tédio ou se enforcariam nos galhos das árvores, enquanto outros se dedicariam a lutar entre si e a se estrangular, a se assassinar uns aos outros.”

+ "As pessoas farão todo o tipo de tentativas frustradas e farão violência ao seu carácter em detalhes; mas no geral terão de ceder a isso, é que se quisermos agarrar e possuir algo na vida, temos de deixar inúmeras coisas para a direita e para a esquerda, renunciando a elas. Mas se somos incapazes de nos decidirmos desta forma, e se nos atiramos para tudo o que nos atrai temporariamente, como fazem as crianças na feira anual, corremos desta forma em ziguezague e não chegamos a lado nenhum. Aquele que quer ser tudo pode tornar-se nada”.

Curiosidades

Segundo alguns biógrafos, Schopenhauer era um sujeito excêntrico. Conta-se que algumas vezes ele ocupava duas cadeiras na mesa para que ninguém se sentasse ao seu lado ou próximo a ele. Certo dia uma senhora resolveu sentar ao seu lado na hora do almoço, em uma mesa com vários convidados. A senhora falava muito alto se queixando dos problemas que tinha com o marido, ela não parava de tagarelar sobre seu casamento e como sofria com isso tudo. Quando ela enfim parou de falar, todos ficaram em silêncio. Ela então se vira para Schopenhauer e pergunta se ele a entendia. Ele, então, respondeu: – Não, mas entendo seu marido.

Em certa ocasião, um jovem teria lhe feito uma pergunta sobre um fato, ele então teria respondido que não sabia a resposta. O jovem então teria falado que pensava que Schopenhauer era um sábio que conhecia sobre tudo. O filósofo então respondeu:  – O conhecimento é limitado, mas a estupidez não tem limites.

Relata-se que ele costumava andar com roupas fora do padrão comum da época e gostava de frequentar um clube. Quando ia ao clube sempre levava seu cachorro, porém sempre que o cão se comportava mal, ele repreendia o animal lhe maldizendo e o chamando de humano.

Obras:

Parerga e Paralipomena; O mundo como vontade e representação; Metafísica do Amor; As dores do Mundo; Sobre a visão e as cores; Os dois princípios fundamentais da ética; Dialética erística; Sobre a vontade da natureza; O livre arbítrio; Aforismos para a sabedoria de vida; A Arte de Ter Razão; A Arte de Lidar com as Mulheres; Sobre a quadrupla raiz do princípio da razão suficiente.

Fontes:

BARBOSA, Jair. Schopenhauer: a decifração do enigma do mundo. São Paulo: Paulus, 2015.

BOSSERT, Adolphe. Introdução a Schopenhauer. Rio de janeiro: Editora Contraponto, 2011.

BREDA, Juliana Fernandes. Amor e morte em Schopenhauer. Dissertação de Mestrado. Marília-SP: Universidade Estadual Paulista, 2012.

DEBONA, Vilmar. Schopenhauer e as formas da razão: o teórico, o prático e o ético-místico. São Paulo: Editora Annablume, 2010.

MAGEE, Bryan. A filosofia de Schopenhauer. São Paulo: Martins Fontes, 1997.

MANN, Thomaz. O pensamento vivo de Schopenhauer. São Paulo: Editora Livraria Martins, 1960.

SAFRANSKI, Rudiger. Schopenhauer e os anos mais selvagens da filosofia. São Paulo: Editora Geração, 2011.

SALVIANO, Jarlee Oliveira Silva. O niilismo de Schopenhauer. Dissertação de Mestrado. São Paulo: USP, 2001.  

SCHOPENHAUER, Arthur. O mundo como vontade e como representação. São Paulo: Editora UNESP, 2005.

TANNER, Michael. Schopenhauer. Col. Grandes Filósofos. São Paulo: Editora Unesp, 2001.

YALON, Irvin. A cura de Schopenhauer. Trad. Beatriz Horta. Brasília: Harper Collins, 2019. 

domingo, 7 de maio de 2023

John Locke

John Locke - (1632 a 1704) d.C

Autor: Alysomax Soares

Introdução

Foi um filósofo inglês do período moderno ligado a corrente de pensamento chamada de empirismo. Era considerado também um dos pais do liberalismo político. Suas ideias a respeito do conhecimento foram muito importantes para os estudos da Gnosiologia e da Epistemologia. Partes de seu empirismo se confrontavam diretamente com elementos da filosofia racionalista. Completou seus primeiros estudos na Escola de Westminster, em Londres, ingressando posteriormente na universidade de Oxford. Defendeu questões polêmicas para seu tempo como a liberdade individual e a tolerância religiosa. Passou um período de sua vida exilado na França e na Holanda, devido a perseguições políticas, retornando posteriormente para a Inglaterra. Estudou as áreas da Filosofia, Teologia, Medicina e Ciências Naturais. No campo da química teria auxiliado Boyle em importantes pesquisas sobre o sangue humano. Seu pai era um conceituado advogado e Militar da cavalaria e sua mãe era filha de um padre anglicano que se afeiçoava com o puritanismo. Nasceu na cidade de Wrington, na Inglaterra, em 1632 e faleceu na localidade de Essex, também na Inglaterra, por volta de 1704, aos 72 anos.  

Filosofia do Conhecimento

As ideias de Locke influenciaram de maneira substancial os pensadores iluministas. Ele escreveu uma obra a respeito da Teoria do Conhecimento intitulada de: “Ensaio Sobre o Conhecimento Humano”. Segundo sua visão, o conhecimento humano era determinado a partir das experiências. Ele não acreditava que as ideias pudessem ser originadas de maneira inata, pois a mente humana nascia como uma página em branco ou como uma tábula rasa, que iria aos poucos sendo preenchida pelas experiências vividas. Dessa maneira, ele dizia que: “O homem não nasce com ideias inatas, mas com uma mente em branco que é preenchida com a experiência sensorial.” Os homens também nasceriam bons e iguais, sendo a sociedade a principal responsável pela formação do indivíduo.

Sua filosofia defendia a tese de que a experiência seria a única fonte verdadeira para se chegar ao conhecimento, essa corrente de pensamento ficou conhecida como “empirismo”. O termo “empirismo” provém do grego antigo “empeiria”, que significa experiência. Para Locke, a percepção humana se iniciava a partir da “sensação” que era provocada por um estímulo externo ao indivíduo, e também pela reflexão que era gerada através de fatores internos do ser humano. Tanto a sensação como a reflexão seriam percepções simples que ao se relacionarem, criavam ideias mais complexas. Nesse sentido, o conhecimento se formaria de fora para dentro. Desse modo, ele explicava que as experiências científicas deveriam ser formuladas através da “observação” dos fenômenos no mundo. Por conseguinte, não poderiam ser concebidas com base apenas em especulações ou simples deduções.

Filosofia Política

Teve grande destaque no desenvolvimento da filosofia política, ele teria sistematizado as bases do “liberalismo político”. Além disso, seus pensamentos desenvolveram uma linha de ideias voltadas para o contratualismo. Sua principal obra, nessa área, foi intitulada de: “Dois Tratados sobre o Governo”.  Segundo Locke, o conceito de Estado nasceria a partir de acordos entre os atores sociais, culminado numa espécie de contrato social. Nesse contexto, o contrato social entre o povo e o governo, desencadearia obrigações entre as partes, isto é, a população concederia poder ao Estado para que ele pudesse proteger os direitos das pessoas, e o governo teria responsabilidades para com a população. A sociedade seria formada naturalmente pela união de homens livres, nesse contexto, só deveria fazer parte dela quem aceitasse livremente suas regras.

Apoiou o sistema político da monarquia representativa e constitucional, desenvolvendo, com isso, a noção de Estado de Direito. Argumentou em defesa da tese de divisão dos poderes em três: legislativo, executivo e judiciário, com o objetivo de impor limites ao Estado e prevenir o abuso de poder. Dessa teoria também nasceria às bases do constitucionalismo.  Defendeu a separação entre Estado e Igreja, pois acreditava que isso daria ao homem mais liberdade religiosa. O Estado teria como finalidade, por fins aos conflitos de ordem religiosa e política. A religião daria ao homem sua consciência de âmbito moral e espiritual, enquanto o Estado teria como objetivo promover a paz pública na esfera material.  

Filosofia do Direito

Estabeleceu a tese doutrinária sobre alguns direitos naturais do homem, desse modo, descrevia concepções sobre o direito a vida, a liberdade e a propriedade, sendo estes, considerados os direitos naturais do ser humano. Esses direitos eram vistos como inalienáveis, por isso deveriam ser protegidos pelo Estado. Caso o Estado não cumprisse com as suas obrigações, os cidadãos poderiam desconstituir o governante. Dessa forma, a verdadeira soberania não estaria nas mãos do Estado ou de seu representante legal, mas sim da população, isto é, nas mãos do povo. A supremacia do Estado estaria condicionada e subordinada ao respeito às leis e ao cumprimento de suas obrigações. Por isso, os poderes estatais possuíam limites, devido estarem sujeitos à lei. Desse modo, em uma sociedade bem formada, a revolução seria uma possibilidade de ação para a população, que em defesa de seus direitos, agiria contra as práticas ilegítimas ocasionadas pelo Estado, ou seja, se o Estado agisse de maneira autoritária e fomentasse o abuso de poder, os cidadãos, para, se protegerem e para assegurarem seus direitos naturais, poderiam negar obediência ao Estado e realizarem uma revolução.  

O pensamento de Locke sobre as leis naturais tentava estabelecer alguns mecanismos de proteção para os direitos do homem. Seu sistema de pensamento defendia teses que asseguravam a liberdade de consciência que era utilizada como escudo de proteção para que a ordem civil fosse mantida, culminado, na questão da liberdade, numa relação de interdependência. A liberdade religiosa, por exemplo, dependeria da liberdade econômica, ou seja, a liberdade coletiva dependeria da liberdade individual. Sendo, então, o Estado o regulador e um garantidor desses direitos, para que o direito de um indivíduo não invadisse a liberdade de outro, gerando ou prevenindo, com isso, conflitos, desordens e desarmonias sociais. Nesse sentido, seu jus-naturalismo pregava que o Estado não apenas possuía limites, mas também era responsável por impor limites nas condutas humanas, pois o homem também possuía falhas, tendo em sua consciência moral certas imperfeições, sendo preciso que o Estado legislasse a respeito de algumas questões. Utilizando a lei como um instrumento regulador de obediência aos pactos sociais que eram estabelecidos, em prol de um mundo civilizado.

Filosofia Sapiencial

+ “A educação começa no berço.”

+ “O que te preocupa, te escraviza”.

+ "Onde não há lei, não há liberdade".

+ “A lógica é a anatomia do pensamento”.

+ “É preciso metade do tempo para usar à outra”.

+ “Os homens nascem livres e iguais em direitos”.

+ “O objetivo do governo é proteger a propriedade”.

+ “Devemos interpretar os homens através das suas ações”.

+ “Uma coisa é encontrar o erro, outra é encontrar a verdade”

+ “A virtude é mais difícil de ser corrompida do que a riqueza”.

+ “Todo homem tem uma propriedade em sua própria pessoa”.

+ “A melhor defesa contra os perigos do mundo é conhecê-los”.

+ “A felicidade é uma condição da mente e não das circunstâncias”.

+ “Os homens vivem em sociedade para protegerem sua propriedade”

+ "Não se revolta um povo inteiro a não ser que a opressão seja geral".

+ “O objetivo do governo é proteger os direitos naturais dos indivíduos.”

+ “Nossas ações são as melhores interpretações de nossos pensamentos”.

+ “Um ser se torna ele mesmo e distinto dos demais pelo mero fato de existir”

+ “A propriedade é um direito natural que surge do trabalho e da propriedade pessoal”

+ “A ignorância do passado faz com que as pessoas repitam os mesmos erros.”

+ "A leitura fornece conhecimento à mente. O pensamento incorpora o que lemos".

+ “A necessidade de procurar a verdadeira felicidade é o fundamento da nossa liberdade”

+ "As ações dos seres humanos são as melhores intérpretes de seus pensamentos".

+ “Acredito que a verdadeira fonte da lei é a razão e que ela não deve ser encontrada nas convenções ou nos costumes.”

+ “As representações do real são derivadas das percepções sensíveis, sendo que essa é a única fonte para o conhecimento.”

+ “Eu devo dizer que, de todos os homens que encontro, noventa por cento do que eles são, bons ou maus, deve-se à educação”.

+ “A liberdade é a possibilidade de agir de acordo com a sua própria vontade, desde que essa vontade não viole as leis ou a liberdade de outra pessoa”.

Obras:

Cartas sobre a tolerância; Ensaio Sobre o Entendimento Humano; Dois tratados sobre o governo civil; Pensamentos sobre a Educação; Da Conduta do Entendimento; Sobre a Liberdade Civil e a Propriedade; Um Discurso Sobre o Poder Político; Um Projeto para o Estabelecimento da Paz Perpétua na Europa.

 

Fontes:

BOBBIO, Norberto. Locke e o Direito Natural. Brasília: UnB, 1997.

BRUM, Fábio Antônio. Liberdade de Consciência e a Lei Natural em John Locke. Dissertação de Mestrado. Curitiba: UFPR, 2011.

CINTRA, Rodrigo Suzuki. Liberalismo e Natureza: A propriedade em John Locke. São Paulo: Editora Ateliê, 2010.

FORSTROM, Joanna. John Locke e a identidade pessoal. New York, Continuum, 2010.

HOBSBAWM, Eric. A Era dos Extremos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

LOCKE, John. Dois tratados sobre o governo. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

PAIM, Antônio. Evolução Histórica do Liberalismo. Belo Horizonte: Itatiaia, 1987.

RAWLS, Jonh. O liberalismo político. trad. Dinah de Abreu Azevedo. Brasília: Editora Ática, São Paulo, 1993.

STRAUSS, Leo. Direito Natural e História. Trad. Bruno Costa Simões. São Paulo: Martins Fontes, 2014.

WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Pioneira, 1987.


sábado, 15 de abril de 2023

Rocha Lima

Rocha Lima – (1855 a 1878) d.C

Autor: Alysomax Soares

Introdução

Raimundo Antônio da Rocha Lima foi um filósofo cearense ligado a corrente de pensamento da filosofia positivista. Teria sido bastante influenciado pela filosofia de Augusto Comte. Realizou seus estudos secundários no Liceu do Ceará e no Ateneu Cearense. Escreveu sua Magna Opus intitulada de “Crítica e Literatura”, em que refletia sobre a literatura no Brasil. Era considerado um dos fundadores da Academia Francesa do Ceará. Trabalhou como poeta, filósofo e escritor cearense. Considerado patrono da cadeira de número 30 da Academia Cearense de Letras e patrono da cadeira número 22 da Academia Maçônica de Letras do Estado do Ceará (AMLEC).

Residiu na sua infância na antiga rua da misericórdia que é atualmente conhecida como “Rua Castro e Silva” próximo a praça do passeio público. Foi criado pela sua mãe e pela sua vó, tendo também uma tia que foi sua professora. Era filho de Miguel Antônio da Rocha Lima com a Senhora Maria Bezerra da Rocha Lima. Foi neto de Miguel Antônio da Rocha Lima que governou o Ceará como vice-presidente da província em 1831. Tinha um grau de parentesco com a família dos “Bezerras de Menezes” por parte de sua mãe. Nasceu em Fortaleza, no ano de 1855 e veio a falecer, em Maranguape, por volta de 1878.

Filosofia Positivista

Segundo Capistrano de Abreu, Rocha Lima sofreu inicialmente grande influência do pensador Étienne Vacherot, principalmente nas questões ligadas a filosofia da religião. Ele teria estudado com afinco as ideias que determinado tempo exerceriam em um indivíduo, caracterizando como a raça e o meio poderiam influenciar no momento de vida desse sujeito. Posteriormente se afeiçoou com as concepções da filosofia positivista, migrando seus pensamentos para as linhas cunhadas por Comte e Spencer. Foi batizado com o codinome de “gladiador do pensamento”, por conta de sua vasta atuação em várias agremiações literárias, culturais e filosóficas. Nessas associações, eram defendidas questões relacionadas à liberdade de pensamento com a finalidade de transformação da realidade sensível. Desenvolveu uma teoria sobre a criação de uma civilização ideal. Essa sociedade seria fruto de uma evolução da humanidade que transformaria sua realidade através da liberdade de pensamento. Desse modo, ele explicava que os cidadãos deveriam utilizar à escrita e a oratória como instrumentos de combate as imposições sociais. As ferramentas da escrita e do discurso seriam os principais meios de transformação social para a emancipação da sociedade. Através do conceito de “palavra-ação” o homem teria o dever de analisar, compreender e propor alternativas para lapidar as mudanças geradas na sociedade.

Filosofia da Educação

Defendia o altruísmo como sendo uma base sólida de sustentação da educação, pois segundo ele, o altruísmo predispõe o espírito humano a cultivar a inteligência e conhecer a racionalidade humana. Fundou juntamente com os membros da Padaria Espiritual um típico centro educacional chamado de “Escola Popular” que era direcionada ao ensino gratuito de operários e pessoas em situações de vulnerabilidade social. As aulas eram priorizadas no horário noturno com o objetivo de favorecer os desvalidos. A escola influenciou o cenário político da época, tanto recebendo críticas de jornais, bem como também, ajudando pessoas. Nesse contexto, grandes nomes da intelectualidade cearense fecundavam as sementes do saber no coração de Fortaleza. A Grécia alencarina nascia conquistando mentes e corações, sistematizando debates e reflexões sobre os mais variados temas filosóficos. Idealizou a criação de um partido político chamado de “partido provincial” com o objetivo de ajudar na estruturação dos projetos solidários.

Filosofia do Conhecimento

Inspirado em teóricos que fundamentaram seu saber filosófico, Rocha Lima ensaiou alguns entendimentos sobre a relativização do conhecimento. Ele explicava, em seus estudos, que todo conhecimento possui por axioma uma duplicidade, isto é, um par de opostos. Exemplificava essa tese pontuando os opostos como o frio e o calor, o alto e o baixo, o bom e o mau. Nesse contexto, ele aduzia explanações afirmando que: “quanto mais uma ideia se contrasta ou se distingue de outra, mais ela se torna clara”, desse conceito ele extraia a diferença existente entre o que era o discernimento e o que seria a similaridade. O primeiro era definido pelo entendimento que o homem teria da diferença existente entre uma coisa e os outros objetos. O segundo seria a compreensão gerada pela generalização provocada no processo de assimilação do objeto conhecido.

Filosofia Sapiencial

+ “A arte é para a sociedade o que a planta é para o solo e para o clima”

+ “Quanto mais uma ideia se contrasta ou se distingue de outra, mais ela se torna clara”

+ “Nós havemos de aportar na ilha feliz da perfeição moral, tendo como bússola a inteligência”.

+ “Se a natureza determina a vontade, a inteligência também pode determinar os motivos de suas ações”.

+ “O mal reside em nossa própria natureza, nos restos de sombra e de animalidade que nos coube por destino”.

+ “Assim como não é bom colher o fruto antes de amadurecer, não é conveniente interromper o artista na produção de sua obra”

+ “A inteligência é o legislador, o intérprete e o juiz do código moral, sem sua sanção qualquer mandamento é letra morta perante a consciência”.

+ “A vida não passa de um estado efêmero da matéria, sujeita a desagregação, e o homem tem por matéria prolongar este estado, e transformá-lo pela inteligência”.

+ “O que dizemos das formas artísticas se aplica com igual evidência nas formas literárias, pois os meios históricos fazem brotar certas formas literárias, assim como o meio ambiente faz expandir a vegetação”.

+ “A ciência é uma concepção do universo, representado por fórmulas. A arte também é uma concepção do universo, porém sob formas sensíveis. A religião, ainda sim, também é uma concepção do universo, no entanto debaixo de símbolos que inspiram fé”.

+ “Quando a Terra for semeada de almas luminosas, como o firmamento é de estrelas, quando a lei da atração, que governa os astros no espaço, governar os homens em sociedade, no livro de luz e de lágrimas em que estiver escrita a história de nossa redenção, o vosso nome estará gravado pela gratidão popular”.

+ “Desejo, em minha solidão, como plano de vida, atravessar a vida com os olhos fixos na honra e no dever, evitar não só as fraquezas, mas também as aparências de fraquezas. Impor-me pelo caráter puro e pelos sentimentos elevados à estima dos adversários e dos amigos. Obrigá-los a reconhecerem que a minha alma não é da mesma tempera que a deles”. 

Obras:

- Crítica e Literatura;

- O Direito de Punir;

- Discursos.

Fontes:

ACL. Pesquisa Histórica. Rocha Lima. Site: Academia Cearense de Letras. Fortaleza: Copyright, acesso em 2023.

ARAÚJO, Ariane Bastos Gonçalves. Territórios Sensíveis: a escrita do Gladiador do Pensamento Rocha Lima 1874-1878. Tese de Mestrado Acadêmico em História e Culturas da Universidade Estadual do Ceará. Fortaleza: UECE, 2013.

CASTELO, Plácido. A História do ensino no Ceará. Fortaleza: IOCE, 1970.

JAIME. Jorge. História da Filosofia no Brasil. Vol. 1. Petrópolis: Vozes, 1997.

LIMA, Rocha. Crítica e Literatura. Maranhão: TYP. do País Imp. Christino V. de Campos, 1878.

LINS, Ivan. História do Positivismo no Brasil. Rio Branco: Companhia Nacional, 1926.

MONTENEGRO, João Alfredo de. Rocha Lima: a obra e a época. São Paulo: Instituto Brasileiro de Filosofia, 1978.

NOBRE, Geraldo. Rocha Lima: Desfazendo Equívocos. Revista Instituto do Ceará. Fortaleza: Instituto do Ceará, 1992.

SÁ, Adísia. O lugar da Filosofia na Escola Média Cearense Contemporânea. Fortaleza: Imprensa/UFC, 1972.

STUDART, Guilherme. Dicionário Bio-Bibliográfico Cearense. Fortaleza: Typografia, 1910.


quinta-feira, 6 de abril de 2023

Policarpo de Esmirna

Policarpo de Esmirna – (69 a 155) d.C

Autor: Alysomax Soares

Introdução

Foi um filósofo teológico da igreja Cristã que viveu no período de transição da filosofia helenística para a filosofia medieval. Teria sido discípulo do apóstolo João e um grande amigo de Inácio de Antioquia. Acredita-se que tenha sido mestre do santo Irineu, bispo de Lyon. Figura na lista dos chamados “Padres Apostólicos”, os quais foram considerados os primeiros padres da igreja e discípulos diretos dos apóstolos. Após ser martirizado, ficou conhecido como “São Policarpo”. Também ficou afamado como o santo protetor dos ouvidos e das queimaduras. Seu nome era uma derivação do prefixo “poli” (muitos) com o sufixo “carpo” (frutos), desse modo, seu nome significava “muitos frutos”. Além disso, ele também teria recebido o título de "campeão da ortodoxia". Era filho de uma senhora de nome Theodora e sua família tinha grandes posses. Nasceu na cidade de Esmirna, em 69 a.C e faleceu por volta de 155 a.C, tendo vivido aproximadamente 86 anos.

Filosofia Eclesiológica

Exerceu um trabalho muito importante na história do cristianismo primitivo, tendo fortalecido a fé do chamado rebanho cristão. Dedicava-se a uma labuta diária em prol da construção da fé em Cristo, sendo um exemplo íntegro de amor e fé católica em nome da vida eterna. Era visto como um respeitado líder da igreja que possuía um vasto saber. Combateu as heresias e divulgou o Evangelho entre os pagãos. Conservou zelosamente as doutrinas ensinadas pelos apóstolos, sendo considerado um doutrinador ortodoxo. Defendia a prática festiva da páscoa como forma de celebrar a ressureição de Cristo. Serviu como um elo forte entre a igreja primitiva e o mundo helenístico, ajudando na sistematização da doutrina católica e na organização do novo testamento. Ele teria sido persuadido por autoridades influentes a negar as suas crenças, porém ele se manteve firme, como um homem forte, tendo respondido o seguinte dizer, aos seus algozes: “tu me ameaças com o fogo que queima por um curto tempo e logo se extingue. Mas nada sabes sobre o fogo eterno e a punição sem fim que aguarda os maus”. Após as várias tentativas de seus adversários de lhe fazerem negar suas crenças, os próprios inimigos passaram a admirá-lo, por conta de sua grande coragem.

Filosofia Ascética

Defendeu algumas ideias litúrgicas que se traduziam na união da igreja em nome da fé, tendo, com isso, regado seu martírio literalmente com sangue, suor e lágrimas. Chegou a desempenhar a função de bispo, atuando de maneira confiante e aguerrida contra os infortúnios de sua árdua missão. Segundo Policarpo, a fé do homem deveria ser confirmada através de ações diárias como o trabalho e a devoção em servir a Deus. Instruía a igreja a respeitar as autoridades constituídas tanto na esfera eclesiástica, bem como também, no âmbito civil. Desse modo, ele advertia o povo dizendo:

“Sigam o exemplo do Senhor, permanecendo firmes e imutáveis na fé, amando o próximo, e permanecendo unidos uns aos outros, gozando juntos da verdade, mostrando a mansidão do Senhor nas suas relações com o próximo, sem desprezar ninguém. Que o Deus, edifique-os na fé e na verdade, e em toda mansidão, gentileza, paciência, magnanimidade, tolerância e pureza. Orem por todos os santos. Orem também pelos reis, e pelas autoridades, e príncipes, e por aqueles que vos perseguem e vos odeiam, e pelos inimigos da cruz, de modo que seu fruto seja manifestado a todos, e que vocês busquem ser perfeitos, assim como foi Cristo Jesus e a ele toda a glória”. (Policarpo de Esmirna).

Descreveu algumas condutas que deveriam ser seguidas pelos casais, viúvas, diáconos, presbíteros e os jovens, pontuando os deveres e mandamentos que se traduziam em preceitos morais. Disciplinou regras sobre o senso de justiça e verdade que deveria ser cuidadosamente semeado entre os cristãos. Exortou a comunidade da igreja a buscarem serem imitadores dos “santos mártires” e também serem perseverantes em Cristo. Disseminou certos princípios que estavam ligados ao amor fraternal entre os membros.

Filosofia Sapiencial

+ “Coitado é aquele por quem o nome do Senhor é blasfemado!”

+ “Ensinai a todos a sobriedade, na qual também vós deveis viver”.

+ “Os diáconos devem ser inocentes, sendo servos de Deus e de Cristo, e não dos homens.”

+ “Quando podeis fazer o bem, não o deixeis para depois, porque a esmola liberta da morte”.

+ “Sede bendito para sempre, ó Senhor. Que o Vosso Nome adorável seja glorificado por todos os séculos”.

+ “Continuemos perseverando em nossa esperança, nas primícias da justiça, que é Jesus Cristo. Sejamos imitadores de Sua paciência”.

+ “Os presbíteros devem ser compassivos e misericordiosos com todos, trazendo de volta aqueles que saíram do caminho reto, visitando os doentes, sem desprezar a viúva, o órfão, ou o pobre”

+ “Sejamos zelosos na busca do que é bom, mantendo-nos longe das causas de ofensa, de falsos irmãos, e daqueles que hipocritamente proclamam o nome do Senhor, fazendo os homens vãos caírem no erro”

+ “Fique firme, e na sua conduta siga o exemplo do Senhor, firme e imutável em sua fé, ame seu irmão, amando a cada um e a todos, unidos na verdade e ajudando a cada um com a bondade do Senhor Jesus, não desprezando a nenhum homem”.

+ “Sigam o exemplo do Senhor, permanecendo firmes e imutáveis na fé, amando o próximo, e permanecendo unidos uns aos outros, gozando juntos da verdade, mostrando a mansidão do Senhor nas suas relações com o próximo, sem desprezar ninguém.”

+ “O princípio de todos os males é o amor ao dinheiro. Sabendo, portanto, que nada trouxemos ao mundo e que nada podemos levar dele, armemo-nos com as armas da justiça e ensinemos primeiro a nós mesmos a caminhar conforme o mandamento do Senhor”.

+ “Se um homem não se mantém longe da avareza, ele se desonra pela idolatria, e deve ser julgado como um dos pagãos. Mas quem de nós está ignorando o julgamento do Senhor? Não sabemos nós que os santos devem julgar o mundo? como Paulo ensina.”

+ “Eu os exorto, portanto, a obedecerem atenciosamente à palavra da justiça, e a exercitarem a paciência, assim como vocês têm visto diante de seus olhos, não somente no caso dos abençoados Inácio, Zózimo e Rufo, mas também no caso dos outros que estão entre vocês, no próprio Paulo, e no restante dos apóstolos.”

Curiosidades:

Após ser intercalado pelos seus algozes de que escaparia com vida se por acaso negasse a Cristo, então, o bispo de Esmirna teria respondido a eles: “Tenho seguido a Cristo por oitenta e seis anos sem que ele tenha me feito mal algum; por que eu haveria de negá-lo agora?”.

Narra-se que certo dia, caminhando pelas ruas de Roma, ele se deparou inesperadamente com um influente político e perseguidor herege, que era muito conhecido no local, cuja heresia causava, em sua época, um grande mal-estar para a igreja. Policarpo fingiu não ter visto o herege, e seguiu adiante com indiferença; este, então, sentindo-se muito ferido em seu amor-próprio, adiantou-se na frente de Policarpo, e impedindo sua passagem, o interpelou: “ - o quê! Tu não me conheces?”. Então, de pronto São Policarpo retrucou: “- Sim, conheço! Tu és o primogênito de Satanás”.

Relata-se que três dias antes de ser preso, Policarpo teve uma premonição. Ele teria caído em um sono profundo, durante seu estado de transe, teve uma visão que mostrava um travesseiro em chamas ao redor de sua cabeça. Quando acordou, disse a seus discípulos: “serei queimado vivo”. Existem várias versões sobre o dia fatídico do seu martírio, sendo a mais aceita, a que se conta que no dia em que ele foi condenado a morte, o bispo teria sido amarrado a uma fogueira, e enquanto ele cantava sobre ela, demostrando que não sentia dor, milagrosamente as chamas não o tocavam, então, veio um dos soldados romanos e lhe furou com a ponta de uma lança, após ser apunhalado, seu sangue começou a jorrar com uma intensidade que apagou as chamas da fogueira. Os guardas ficaram assustados e não conseguiram mais acender a pira de fogo. Imediatamente foi ordenado pelo encarregado que o Policarpo fosse decapitado.

Comentários de Filósofos:

- Policarpo foi educado pelos apóstolos e conviveu com muitos daqueles que viram o Senhor. (Eusébio de Cesareia).

Obras:

Epístola de Policarpo aos Filipenses.

Fontes:

BABTISTA, João. Curso de Patrologia: História da Literatura antiga da Igreja. Braga: Escola tipográfica das oficinas de São José, 1943.

BRASIL. Policarpo de Esmirna: Epístola aos Filipenses. Site: E- Cristianismo. Internet: BibleGateway, Acesso em 2023.  

CESARÉIA, Eusébio de. História Eclesiástica. São Paulo: Novo Século, 2002.

FANTINI, Fernando. São Policarpo, mártir do século II, protetor dos ouvidos e das queimaduras. Site canção nova. Internet: santo do dia, 2022.

FERREIRA, Franklin. Gigantes da Fé. São Paulo: Editora Vida, 2006.

IRINEU, Lião de. Contra as Heresias. São Paulo: Paulus, 2021.

LITFIN, Bryan. Conhecendo os mártires da igreja primitiva: Uma introdução evangélica. São Paulo: Vida Nova, 2019.

POLICARPO DE ESMIRNA. Padres Apostólicos. Col. Patrística. São Paulo: Paulus, 1995.

SGARBOSSA, Mário; GIOVANNINI, Luigi. Um santo para cada dia. São Paulo: Paulus, 1997.

TERTULIANO. Apologéticos e o Pálio. Col. Patrística. São Paulo: Paulus, 1995.

domingo, 19 de março de 2023

Gonçalves de Magalhães

Gonçalves de Magalhães - (1811 a 1882) d.C

Autor: Alysomax Soares

Introdução

Domingos José Gonçalves de Magalhães foi um filósofo brasileiro considerado o introdutor do “Romantismo no Brasil”. Destacou-se como um dos principais poetas da primeira geração romântica. Ficou conhecido como o “Visconde de Araguaia”. Atuou como professor, filósofo, escritor, médico, político, historiador e diplomata. Teria sido muito influenciado pela filosofia de “Monte Alverne”, sendo inclusive considerado um de seus discípulos. Escreveu suas obras em formato de poemas, romances, revistas, ensaios literários e filosóficos. Obteve o título de Doutor em Medicina pela Faculdade do Rio de Janeiro, em 1832. Era visto como um dos pioneiros da dramaturgia brasileira, tendo escrito várias peças de teatro. Foi nomeado, em 1838, para o cargo de professor de Filosofia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, exercendo o magistério por um curto período. Chegou a assumir também o cargo de secretário do Duque de Caxias. Segundo algumas biografias, ele seria filho de Pedro Gonçalves de Magalhães Chaves, porém não se sabe ao certo o nome exato de sua mãe. É considerado o patrono da cadeira de número nove da Academia Brasileira de Letras. Gonçalves de Magalhães nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 13 de agosto de 1811. Faleceu na cidade de Roma, em 10 de julho de 1882.

Filosofia da Linguagem

Desenvolveu partes da literatura brasileira pontuando conceitos que ampliaram o campo de atuação da arte literária, dando, com isso, mais autonomia ao movimento do romantismo no Brasil. Sua obra de título “suspiros poéticos e saudade” é vista como um marco que deu inicio ao movimento do romantismo no Brasil. Seu trabalho associava aspectos ascéticos com conceitos naturalistas, descrevendo uma literatura poética que abordava as relações entre “Deus e a Natureza”. Ele refletia sobre as características de formação da literatura nacional, tecendo críticas e propondo mudanças que pudessem emancipar a literatura brasileira para que ela se desprendesse da influência europeia, o qual ela estaria associada. Levantou indagações que serviram de base para a análise reflexiva de seus ensaios, esclarecendo através de apontamentos históricos como a opressão da época atrasava o desenvolvimento intelectual do Brasil. Entre as principais questões retratadas em sua obra, estava o individualismo, a infância, o patriotismo, o sentimentalismo, o nacionalismo e o historicismo.

Filosofia Indianista

Descreveu conceitos indianistas em sua obra, especificando que o índio seria uma espécie de bom selvagem. Sua filosofia também marcou o período de transição entre o arcadismo e o romantismo, enaltecendo pontos que estabeleceram certo patriotismo, o qual estava sendo engendrado no Brasil, e que colocava o índio como sendo um forte herói nacional. Para ele, o índio seria um bravo guerreiro que defendia sua terra contra a força opressora do colonizador. Na obra “Confederação dos Tamoios”, por exemplo, ele abordou um levante indígena que lutou contra os portugueses. Nessa perspectiva, sua obra também trazia descrições sobre elementos da natureza, associando a natureza com a exaltação dos feitos indígenas. A idealização da figura do índio tinha como símbolos sua coragem, honra, pureza e beleza. Acreditava que o índio brasileiro descendia de um ancestral humano comum a todas as raças, ancorando sua tese, baseando-se nas correntes de pensamento do monogenismo.

Filosofia Política

Pautou partes de sua obra na construção política da independência artística nacional, em relação a Portugal. Mesmo sendo considerado por alguns teóricos como um reformador da literatura nacional, sua obra tratou de conservar aspectos relacionados ao sistema político vigente. Transitou seu sistema de pensamento por ideias espiritualistas que se relacionavam com a política. Desse modo, era caracterizado por alguns como sendo um nacionalista conservador, e por outros como um conciliador de ideias. Defendia que a educação letrada tinha um papel fundamental na formação do homem político. Por isso, posicionava-se também a favor da implementação de uma religião oficial no império, para que ela servisse de apoio na construção moral do homem. Explicava que as desigualdades sociais se originavam de certas disfunções da liberdade, e que esta, estaria condicionada as necessidades humanas.

Filosofia Espiritualista

Para Gonçalves, o espírito humano possuía uma característica infinita e como tal, ele se revelava no homem através de uma dimensão finita, ou seja, por um fato psíquico. Nessa linha de pensamento, sua filosofia encontrava apoio na relação existente entre o sensualismo e o materialismo, abordando os temas da “Alma e do Cérebro” com as concepções ligadas às áreas de filosofia, ciência, religião e moral. Refletia a respeito da consciência humana e suas reverberações no conhecimento. Desse modo, ele esclarecia em seus apontamentos que os aspectos materialistas dos conhecimentos fisiológicos estariam subordinados aos saberes metafísicos da filosofia da mente. Ilustrava que a memória conectava o mundo dos fenômenos sensíveis com a inteligência, servindo como uma ponte entre a realidade e o cérebro. Chegou a registrar elementos históricos, culturais e sociais sobre os lugares que passou, comparando suas vicissitudes com os saberes ligados aos vícios e paixões da alma.  

Filosofia Sapiencial

+ “A religião é indispensável à sociedade, que nela contêm todos os elementos da civilização, que é a fonte da filosofia, a base da moral, a origem do entusiasmo, e a criadora das artes”.

+ “Se a Providência não outorgou maior poder de execução ao nosso livre-arbítrio, foi porque previu o abuso que dele faríamos, como o provam aqueles que pelo tácito consentimento dos seus semelhantes se elevam ao absoluto mando”.

+ “Oh infantil vaidade! Vós, oh jovens, cuidais que sabeis tudo, As páginas de um livro apenas lendo. Dos velhos desprezais os sãos conselhos, E orgulhosos dizeis: — Hoje a velhice Lições deve tomar da juventude; Hoje de nossos pais acima estamos. Moço sou, como vós sábio julguei-me; Como vós iludi-me”.

+ “Cada povo tem sua literatura, como cada homem tem o seu caráter, cada árvore o seu fruto. Mas esta verdade, que para os primitivos povos é incontestável, e absoluta, todavia alguma modificação experimenta entre aqueles, cuja civilização apenas é um reflexo da civilização de outro povo”.

+ “Com efeito, sem a memória dos fenômenos sensíveis não haveria para nós experiência possível, nem linguagem articulada, e faltariam à nossa inteligência as condições indispensáveis para o seu exercício, e produção das ideias de tempo, de espaço, de cousa, de substância, do justo, e de outras muitas ideias puramente racionais”

+ “Da filosofia dependem mais ou menos todas as ciências, principalmente as morais e políticas, das quais tanto precisa um povo livre, que aspira a tomar um lugar distinto entre as nações civilizadas; o que só se consegue com a elevação da inteligência a tudo o que é belo, bom e justo; e todos podem cultivar a filosofia sem prejuízo, antes com muita vantagem, de todas as outras ciências e interesses”. 

Obras:

Poesias avulsas; Amância; Discurso sobre a Literatura no Brasil; Os indígenas do Brasil perante a História; Suspiros Poéticos e Saudades; Opúsculos Históricos e Literários; Antônio José ou o poeta e a Inquisição; Olgiato (1839); A Confederação dos Tamoios; Fatos do Espírito Humano; Os mistérios; A alma e o cérebro; Urânia; Cânticos fúnebres; A alma e o cérebro; Comentários e pensamentos; Os Mistérios; Napoleão em Waterloo; Revista Niterói.


Fontes:

AMORA, Antônio Soares. O romantismo. São Paulo: Cultrix, 1977.

BENJAMIN, Walter. Magia técnica, arte e política. São Paulo: Brasiliense, 1994.

CAIRO, Luiz Roberto. Domingos José Gonçalves de Magalhães e a História da Literatura no Brasil. Revista Signótica. Vol. 15 N; 01. Recife: UNESP, 2003.

CÂNDIDO, Antônio. Formação da Literatura Brasileira. São Paulo: Martins, 1969.

CASTELLO, José Aderaldo. Gonçalves de Magalhães: Trechos Escolhidos. Goiânia: Editora Agir, 1961.

HADAD, Jamil Almansur. História poética do Brasil. São Paulo: Letras Brasileiras, 1943.

KODOMA, Kaori. Um discurso sobre ciência, religião e liberdade no segundo reinado: A alma e o cérebro de Gonçalves Magalhães. Revista da SBHC. Vol. 03. N; 02. Rio de Janeiro: PUC – Rio, 2005.

MAGALHÃES, Gonçalves. A alma e o Cérebro: Estudos de Psicologia e Fisiologia. Rio de Janeiro : Livraria de B. L. Garnier, 1876.

MOREIRA, Maria Eunice. Nacionalismo e crítica romântica. Porto Alegre: IEL, 1991.

ROMERO, Silvio. Autores Brasileiros. Rio de Janeiro: Imago, 2002.

SACRAMENTO, Blake. Dicionário Bibliográfico Brasileiro. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1902.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

Shuruppak da Suméria

Shuruppak da Suméria – (2600 a 2500) a.C

Autor: Alysomax Soares

Introdução

Foi um filósofo sumeriano da antiguidade que deixou uma obra com instruções sapienciais. Seu compilado textual ficou conhecido como “as instruções de Shuruppak”. Essa obra está inserida na lista dos livros mais antigos da humanidade. Utilizou-se da literatura da sabedoria para escrever seus ensinamentos sobre a filosofia moral. Sua obra foi escrita em formato de “sebayt” que eram manuais de instruções faraônicas tidas como um gênero tipicamente egípcio. Essas instruções sapienciais era uma prática tradicional muito difundida na antiga Mesopotâmia. Seu nome representava uma grande cidade da antiga Suméria que teria sido inundada. Esse nome era transcrito de várias formas como “Xurupaque, Churupaque ou Shuruppak”. Seu pai era conhecido pelo nome de “Ubara-Tutu”, e Shuruppak teria recebido as instruções como forma de tradição oral para ser ensinada também ao seu filho conhecido por “Ziusudra”. Floresceu aproximadamente em meados do século XXVI a.C, em uma região da antiga Mesopotâmia que atualmente fica localizado no Iraque.

Filosofia Moral

Sua filosofia era apoiada em uma lista de conselhos sobre sabedoria antiga. Muitas lições se assemelhavam com os chamados ensinamentos proverbiais. As dicas relatavam práticas sobre preceitos morais e terminavam com uma mensagem aforística. Seus textos aconselhavam sobre regras morais como a virtude, a piedade e a obediência às leis. Revelavam ensinamentos populares que se misturavam com temas da natureza. No contexto social, tratava sobre dualidades entre os conceitos de justiça e sabedoria. Mostrava algumas formas de como administrar e organizar bem um reino. As concepções morais se baseavam numa relação dialética e dialógica entre os costumes e as leis. Além desses temas, também eram discutidas ideias sobre família, servidão e civismo social.

Filosofia da Educação

Essa obra era vista como uma ferramenta de ensino que advertia a respeito da arte de viver bem e de como ter uma boa educação. Relacionava os ensinamentos das experiências de vida com reflexões e prolóquios. Tratava-se de transmitir a sabedoria tradicional para as novas gerações. A tradição oral e a escrita, nesse tempo, reproduzia os textos de maneira repetitiva com o objetivo de reiterar o que era ensinado. Havia em seus textos diversos conselhos sobre cuidados que os homens deveriam ter com as mulheres. Também continha ensinamentos a respeito da submissão que homem deveria ter com a ordem natural do universo. Alguns dos ensinamentos se iniciavam com palavras negativas que transmitiam através de um reforço ou conduta, uma sentença positiva, culminando didaticamente numa espécie de pedagogia primitiva, exemplos:

“Não se sente sozinho em um aposento com uma mulher casada e não sorria com uma jovem que é casada, pois um falso caluniador pode causar uma mentira séria; Não compre uma prostituta, ela é o lado afiado de uma foice; Não construas a tua casa próxima da praça pública - existe sempre muita gente por lá; Não deverás falar de forma imprópria, poderá ser perigoso para ti mais tarde”. (Shuruppak)


Filosofia do Direito

As máximas, além de abrangerem a dicotomia existente entre o ignorante e o sábio, também transmitiam uma contraposição entre o bem e o mal. Desse modo, os textos revelavam uma preocupação de construir um padrão de ordem social que teriam sido influenciados pela mitologia sumeriana, em que uma deidade conhecida como “Utu” simbolizava a justiça. Nessa época, os egípcios construíram um grande legado jurídico de regulação civil. Nesse sentido, foram encontrados alguns escritos cuneiformes que faziam alusão a espécies de contratos de compra e venda de imóveis, em que teria o nome de Shuruppak como sendo uma das partes, e servindo como modelos para serem utilizados. Seu legado jurídico também advertia sobre a prática dos crimes violentos e suas consequências, servindo como bússola orientadora das práticas primitivas do Direito consuetudinário.

Filosofia da História

Estudos arqueológicos descobriram fragmentos das instruções em tabloides que foram escavados na localidade de Abu Salabikh e Adab.  A escrita teria sido registrada em formato de cunhas que eram reportadas em placas de barro. Despois de achados, e após serem conservados, os registros foram enviados para grandes universidades para serem transliterados e traduzidos. Partes dos fragmentos possuem abreviações, por isso ainda não foi possível decifrar algumas informações que estão contidas nas tabuinhas. Segundos os arqueólogos, devido ao fato de algumas partes estarem ilegíveis, os registros também possuem lacunas imprecisas e difíceis de elucidar. As Instruções datavam como sendo originárias do início do terceiro milênio a.C, sendo consideradas um dos escritos mais antigos da civilização sumeriana.

Filosofia Sapiencial

+ “O negligente arruína sua família”.

+ "Não compre um burro que zurra e freia demais”.

+ “O dom de palavras é algo que acalma a mente”

+ “Um povo sem rei é como um rebanho sem pastor”.

+ “Meu filho, não amaldiçoe o dia antes de ver a noite”.

+ “Não se sente em um aposento com uma mulher casada”.

+ “Não sorria com uma jovem que é casada; a calúnia é errada”.

+ “Não compre uma prostituta; ela é o lado afiado de uma foice”.

+ “As instruções de um ancião são preciosas; você deve cumpri-las”

+ “O Destino é como a margem de um rio, pode fazer-nos escorregar”

+ “Se um rei ignorar a lei, seu povo cairá no caos e seu país ficará devastado”.

+ “Peguei areia e levantei sal, mas não é nada mais pesado do que uma dívida”!

+ “Um coração amoroso mantém uma família; um coração odioso destrói uma família”.

+ “O rato que colhe grãos nos campos ridiculariza a vespa picando o fruto do pomar”.

+ “Um fio triplo não se rompe rapidamente. A corda tripla dificilmente pode ser cortada”.

+ “O filho que é educado e que é colocado em um obstáculo terá sucesso na vida”.

+ “Não construas a tua casa próxima da praça pública - existe sempre muita gente por lá”

+ “Não tenha relações sexuais com sua escrava, ela o vai tratar com desrespeito”. 

+ “A língua do rei é doce, mas pode quebrar as costelas de um dragão. É como a morte que não pode ser vista”.

+ “Se um rei desrespeita a lei de seu país. Então, o rei dos destinos, mudará seu destino e não parará de persegui-lo com sua hostilidade”.

+ "Você não deve cultivar em uma estrada; Você não deve fazer uma casa no campo: as pessoas podem causar danos nele e prejudicar você”.

+ “Meu filho, não diga tudo o que vem à mente, porque há olhos e ouvidos por toda parte. Cuidado com a boca, para que não falhe. Acima de tudo, cuide da sua boca e do que você ouviu, seja discreto; pois uma palavra é ave, e quem a larga é insensato”.

 

Fontes:

ALSTER, Bendt. As instruções de Shurrupak: uma coleção de provérbios sumerianos. Copenhagen: Akademisk Forlag, 1974.

ANDRÉ. Fontes de Antiguidade Oriental. Site: Antiguidade Oriental: Livros das fontes na rede. Rio de Janeiro: UERJ, acesso em 2023.

ARAÚJO, Emanuel. Escrito para a eternidade: a literatura no Egito faraônico. Brasília: UnB, 2000.

BUENO, André. Textos Sobre a História das Mulheres. Rio de Janeiro: Ebook, 2016.

CARREIRA, José Nunes. Filosofia Antes dos Gregos. Lisboa: Europa-América, 1994.

DONNER, Herbert. História de Israel e dos povos vizinhos. São Leopoldo: Sinodal, 2004.

GIORDANI, Mário. História da Antiguidade Oriental. Petrópolis: Vozes, 1969.

GOETZ, Walter. História Universal: O despertar da humanidade. Madrid:  Espassa-Calpe, 1950.

SITCHIN, Zecharia. O 12 Planeta. Rio de Janeiro: Best Seller, 1976.  

ZABATIERO, Júlio. Uma história cultural de Israel. São Paulo: Paulinas, 2013.