terça-feira, 18 de julho de 2023

Kagemni do Egito

Kagemni do Egito - (2600 a 2500) a.C

Autor: Alysomax Soares

Introdução

Foi um filósofo egípcio da antiguidade que escreveu uma obra de instrução sapiencial chamada de “Instruções de Kagemni”. Acredita-se que ele tenha vivido aproximadamente entre a IV e a VI dinastia egípcia, no chamado médio império.  Seu nome também é transliterado como “Kagemni-Memi”. Exercia a função de vizir no reino do faraó Seneferu, esse cargo acumulava várias atribuições como o de ministro, conselheiro, administrador, superintendente e juiz. Sua obra possuía algumas semelhanças com as máximas de Ptahotep, porém se diferenciava das obras de outros pensadores da época. Foi escrito no formato de “sebayt” que era um típico gênero literário egípcio, escrito com a finalidade didática de ensinar. Teria sido produzida em um estilo de escrita denominado de “hierático arcaico”. Parte de sua obra se encontra compilado no famoso Papiro de Prisse. Sua esposa era conhecida pelo nome de “Nebtynubkhet Sesheshet” e acredita-se que ela, provavelmente era filha do faraó Teti. O nome de sua esposa foi descoberto ocasionalmente, por arqueólogos, em uma pedra detectada de maneira independente. A múmia de Kagemni foi adulterada, tendo sido retirados do local os amuletos e outros objetos preciosos.

Filosofia Moral

Segundo algumas fontes, Kagemni foi considerado o primeiro pensador pacifista do antigo Egito. A servidão ao próximo era um exercício humano que, segundo ele, agradava a Deus. Defendia a teoria de que era preciso ter respeito e compaixão por todos os seres vivos. Por isso, também era visto como um forte defensor da natureza e dos animais. Sua obra foi agrupada em um compilado de máximas instrutivas que revelavam conselhos proverbiais para a condução de uma vida boa. A escrita retravava ensinamentos práticos para a vivência, orientando sobre como obter moderação e praticar a virtude da modéstia. As instruções são fontes importantes para os padrões morais e éticos do antigo Egito. Ele explicava que o homem virtuoso seria aquele que conseguia cultivar o silêncio, pois este sabia ter moderação, praticando o autocontrole e a calma. Advertia também sobre como evitar os vícios da gula, ensinava a respeito de saber como se alimentar bem, praticando bons hábitos alimentares. Esse seu tratado, a respeito da arte de viver bem, trazia recomendações sobre comportamentos sociais, explanando algumas regras de etiqueta. Defendia um conceito ético de que o ser humano deveria realizar ações corretas quando acreditasse que verdadeiramente estava certo, deveria se policiar para não buscar interesses egoísticos ou vantagens pessoais. Exercitava o hábito da simplicidade como sendo uma qualidade necessária para o homem se tornar um sábio. Recriminava a corrupção moral que era ocasionada pelo orgulho desmedido.   

Filosofia da História

Seu túmulo está localizado em uma mastaba, situada em um sítio arqueológico do Egito conhecido como “Saqqara”. As mastabas são espécies de tumbas do antigo Egito que possuíam um formato piramidal. A mastaba de Kagemni é uma das mais conhecidas e procuradas por turistas, tendo um labirinto de quartos e antessalas que servem de visitação. Logo na entrada, há uma pintura que descreve Kagemni segurando na mão direita um cetro, simbolizando o poder e na mão esquerda um longo bastão, representando a arte do ofício. Nas salas de sua mastaba se encontram vários quadros pintados que retratam cenas do cotidiano político de Kagemni, juntamente com elementos da natureza. Os temas teriam sido sugeridos pelo próprio Kagemni com a finalidade de descrever a arquitetura local, a fertilidade do campo e a riqueza de bens.  A fauna descrita apresenta animais selvagens e domésticos, como peixes, sapos, crocodilos, insetos, pássaros, gansos, hienas, hipopótamos e vacas. Os quadros também exprimem peças de artes cênicas como pessoas praticando acrobacias e danças variadas.

Alguns historiadores afirmam que provavelmente teriam existido duas pessoas com o mesmo nome, chamados de Kagemni I e Kagemni II, outros pesquisadores acreditam que esse nome, seria na verdade um sobrenome de família que descrevia uma linhagem tradicional do antigo Egito. Contudo, à maioria dos especialistas apontam que Kagemni produziu suas obras com o objetivo de ser lembrado pelos seus descendentes, por isso, houve, em outros períodos da história antiga, algumas comemorações de ancestralidade, em homenagem a sua memória, esse fato é que pode ter gerado tal dubiedade.

Filosofia Sapiencial

+ “São as nossas ações que falam por nós”

+ “O homem sábio não se exalta e nem se gaba”.

+ “Não se gabe de sua força no meio de jovens soldados”

+ “Deixe seu nome avançar enquanto você silencia tua boca”

+ “O homem tímido prospera e é louvado quem sabe se adaptar”.

+ “As ações que levam seu nome são melhores que palavras ao vento”

+ “O homem humilde floresce, e aquele que age com retidão é elogiado”

+ “Reserve um momento para conter seu coração e sua ganância ignóbil”

+ “As tendas são abertas ao silencioso e espaçoso é o assento do satisfeito”

+ “Uma coisa boa significa bondade, o que é bom, e o pouco substitui o muito”

+ “Leva apenas um breve momento para conter o coração e é vergonhoso ser ganancioso”.

+ “Quando for chamado não venha com grande personalidade, para que não seja desafiado”

+ “As facas estão afiadas contra o imprudente, e ninguém avança rapidamente se não é a seu tempo”.

+ “Cuidado para não criar conflitos; não se sabe o que pode acontecer, o que o Deus fará quando castigar”

+ “Um copo de água aplaca a sede, a glutonaria é grosseira e censurável e um punhado de vegetais fortalece o coração”.

+ “É desprezível aquele cujo ventre continua cobiçando depois que passou a hora de comer: Esquece-se daqueles que vivem na casa quando devoras”.

+ “Se você se sentar com um glutão, coma quando ele terminar; se você se sentar com um bêbado, aceite apenas uma bebida, e seu coração ficará satisfeito”.

+ “Se um homem carece de boa comunhão, nenhum discurso tem qualquer influência sobre ele. Ele é azedo para os de bom coração que são gentis com ele. Ele é uma dor para sua mãe e seus amigos”.

+ “Não seja arrogante entre seus pares por causa de sua força. E tome cuidado para agir de maneira a incentivar a oposição. Pois não se sabe o que acontecerá ou as coisas que Deus fará para punir o mal”.

Fontes:

ALLEN, James Peter. Egípcio Médio: Uma Introdução à Língua e à Cultura dos Hieróglifos. Inglaterra: Universidade de Cambridge, 2000.

ASANTE, Molefi Kete. Os filósofos egípcios: Vozes Antigas Africanas para Estes Tempos de Imhotep a Akhenaten. Site: Docero Brasil. Internet: Acesso em 2023.

BROWN, Brian. A Sabedoria dos Egípcios. Nova Iorque: Brentano, 1923.

CARPICECI, Alberto Carlos. Arte e História do Egito. Florença: Editora Bonechi, 1994.

CARREIRA, José Nunes. Filosofia Antes dos Gregos. Lisboa: Editora Europa-América, 1994.

CELADA, Benito. Literatura Egípcia: Origem, Características, Autores e Obras. Espanha: Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes, 1935.

DIOP, Cheikh Anta. História Geral da África. São Paulo: Editora Ática/UNESCO, 1980.

GUNN, Battiscombe. A Instrução de Ptah-Hotep e a Instrução de Kagemni: Os livros mais antigos do mundo. Londres: A Sabedoria do Oriente, 2009.

KASTER, Joseph. A Sabedoria do Antigo Egito. Reino Unido: Editora Michael O'Mara, 1995.

PACHECO, Francklim. Os ensinamentos para kagemni: Textos de Sabedoria. Egito: Comissão Diocesana da Cultura, 2016.

TALLET, Pierre. História da cozinha faraônica. São Paulo: Editora SENAC, 2002.

Teixeira de Azevedo

Teixeira de Azevedo – (1715 a 1800) d.C

Autor: Alysomax soares

Introdução

Gaspar Teixeira de Azevedo foi um filósofo brasileiro ligado a corrente de pensamento da Filosofia da História. Fundamentou-se por um sistema de ideias entre o campo da Historiografia Regional e da Filosofia Racional. Estudou as áreas da Filosofia, Teologia e História. Buscou conciliar algumas teorias científicas entre a fé e a razão, ancorando-se entre os pensamentos filosóficos do espiritualismo, materialismo, positivismo, sensualismo, ecletismo e da escolástica. Iniciou seus estudos no chamado Colégio da Companhia de Deus, na região de Santos. Fez parte da chamada Academia dos Renascidos na Bahia e da Academia Real de Ciências de Lisboa. Ganhou destaque como sendo um grande orador sacro. Laborou como escritor e monge beneditino. Após se formar padre, ficou conhecido pelo codinome de “O Frei Gaspar da Madre de Deus”. Era avesso a honrarias, tendo recusado várias homenagens e também alguns dos cargos que lhe foram oferecidos. Chegou a atuar como professor substituto das disciplinas de Filosofia e Teologia, tendo, logo depois, concluído o curso de Mestrado e de Doutorado. Com isso, assumiu os ministérios de mestre do mosteiro de São Bento, e Abade Provincial, na cidade do Rio de Janeiro. Deixou escrito, em torno de vinte obras, porém apenas algumas dessas obras ainda se encontram conservadas. Era filho do Militar Domingos Teixeira de Azevedo, ficou órfão de seu pai, ainda cedo, tendo sido criado por sua mãe, a Senhora Ana de Siqueira e Mendonça. Nasceu na localidade de São Vicente, em São Paulo, por volta de 1715 e veio a falecer também nessa região de São Paulo, em 1800, com 85 anos. 

Filosofia da História

Escreveu uma obra sobre a História da Capitania de São Vicente, que posteriormente passou a se chamar o Estado de São Paulo. Nos seus escritos, procurou desconstruir o mito negativista que existia em torno dos paulistas, que eram vistos como preguiçosos e covardes. Fomentou uma concepção teórica chamada de “lenda dourada” que mostrava um paulistano guerreiro e valente, o qual possuía coragem e força, e que buscava desbravar novas terras, em busca de riquezas e metais preciosos. Sua principal obra, embora retrate a história da antiga capitania de São Vicente, ela tem um viés autobiográfico, pois a família de Gaspar foi uma das primeiras famílias que povoaram a região de Santos, em São Paulo. Desse modo, a vida do Frei Gaspar se contextualiza com a formação dessa capitania.

Fez notáveis pesquisas históricas, investigando arquivos e documentos com a finalidade de contribuir com formação do pensamento historiográfico brasileiro. Desenvolveu dois métodos inovadores de pesquisa para a época, a chamada “verificação documental” e a “regionalização perquisitória”. Suas pesquisas corroboraram para esclarecer pontos difusos e lacunas que havia em partes da história escrita. Sua obra foi muito importante no processo de formação e preparação das elites dirigentes do país. Seu posicionamento histórico evidenciava a política de ocupação do território pelos portugueses, retratando fatos da vida diária, dos quais eram experienciados na colônia.

Filosofia da Educação

O Frei ficou muito conhecido nos centros intelectuais da época, por conta de ter desenvolvido importantes mudanças nos métodos de ensino da Filosofia. A concepção pedagógica da época se estruturava em torno dos estatutos pombalinos e da Universidade de Coimbra. As alterações que foram por ele implementadas tinham como finalidade fomentar a produção de conhecimento científico. A disseminação desses novos saberes pedagógicos visava renovar o conhecimento educacional, para efetivar um saber mais utilitário. Desse modo, ele investiu na formação técnica e fundou duas principais oficinas de trabalho: a de pintor e a de encadernador.

Seus estudos ajudaram na compreensão da doutrinação indígena e como isso afetou o processo de formação da educação brasileira. Retratou as características pedagógicas que se fundamentavam na ordem beneditina. Pontuando as orientações e as regulamentações que eram implantadas nos currículos educacionais. Na época colonial, não existia uma clara separação entre política e religião, e nem entre a igreja e a coroa portuguesa. Nesse contexto, Gaspar explicava como a coroa portuguesa tinha utilizado a catequese como instrumento político de administração do território e como um meio de controle social. Ele evidenciou, de maneira crítica, importantes fatos que mostravam como o pensamento intelectual brasileiro estava se formando, a partir do sincretismo entre os homens religiosos e os homens públicos.

Filosofia Sapiencial

+ “A boa fé com que escrevo obriga-me a não ocultar outra notícia que pareça destruir tudo quanto fica dito”.

Obras:

Notícias dos anos em que se descobriu o Brasil; Dissertação e Explicações; Extrato Genealógico; Memórias da História da Capitania de São Vicente; Fundação da Capitania de São Vicente; Memórias para a História da Capitania de São Vicente; Curso de Filosofia; Filosofia Platônica; Catálogo dos capitães-mores e generais do Rio de Janeiro; Entradas das religiões e suas fundações; Oração fúnebre, exéquias e Sermões.

Fontes:

AZEVEDO, Gaspar Teixeira. Memorias para a História da Capitania de São Vicente. Biblioteca Histórica Paulista. São Paulo: Editora Livraria Martins, 1976.

BEZERRA, Alcides. A filosofia na fase colonial. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 1935.

BRASIL. Catálogo do Patrimônio Bibliográfico Nacional: Plano Nacional de Recuperação de Obras Raras. Site do CPBN. Brasília: Fundação da Biblioteca Nacional, Acesso em 2023.

BUARQUE, Sergio. História geral da civilização brasileira. Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil, 2012.

FRANÇA, Jean Marcel Carvalho. Livraria de Frei Gaspar da Madre de Deus. Col. Memória Atlântica. Marília: Editora Cultura Acadêmica, 2019.

LEME, Pedro Taques de Almeida Paes. História da capitania de S. Vicente desde a sua fundação por Martim Affonso de Souza em 1531. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro: IHGB, 1847.

PITA, Sebastião da Rocha. História da América Portuguesa. Belo Horizonte: Editora Itatiaia; São Paulo: EDUSP, 1976.

RODRIGUES, José Honório. A historiografia paulista: História da História do Brasil - Historiografia colonial. São Paulo: Editora Nacional, 1979.

TAUNAY, Afonso de. Frei Gaspar da Madre de Deus. São Paulo: Revista do IHGSP, 1915.

VARNHAGEN, Francisco Adolfo de. Historia geral do Brasil. Rio de Janeiro: Editora Laemmert, 1854. 

domingo, 2 de julho de 2023

José de Alencar

José de Alencar - (1829 a 1877) d.C

Autor: Alysomax Soares

Introdução

José Martiniano de Alencar Júnior foi um filósofo cearense que fez parte do movimento literário chamado de romantismo brasileiro, tendo se destacado por uma linha denominada de indianismo. Utilizou-se da arte literária para comunicar suas ideias. Ficou conhecido como “o patriarca da literatura brasileira”, deixando registrado na literatura nacional uma simbiose de romances indianistas, históricos, regionalistas e urbanos, em que retrava temas relacionados a literatura, a política, a arte teatral e questões sociais. Laborou como escritor, professor, dramaturgo, advogado, filólogo e político. Concluiu seus primeiros estudos na cidade do Rio de Janeiro, posteriormente foi para São Paulo onde terminou o curso de Direito. Fundou uma revista literária chamada de “Ensaios Literários”. Chegou a lecionar a cadeira de Direito Mercantil. Teria sido eleito patrono da cadeira de número 23 na Academia Brasileira de Letras (ABL), pelo renomado escritor Machado de Assis. Chegou a utilizar o pseudônimo “Ig” e “Sênio” para escrever algumas obras.   

O pai de Alencar trabalhou por um tempo como Padre, tendo posteriormente se tornado Senador do Império e Governador do Ceará, era conhecido como José Martiniano de Alencar e casou-se com a Sra. Ana Josefina. O escritor José de Alencar nasceu na localidade de Messejana, em Fortaleza, por volta de 1 de maio de 1829. Faleceu no Rio de Janeiro, em 12 de dezembro de 1877, aos 48 anos, vitimado por uma tuberculose. Seu corpo foi enterrado no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. Foi estabelecido, em sua homenagem, o dia de seu nascimento como sendo o dia nacional da literatura brasileira. Além disso, outras muitas homenagens foram prestigiadas a ele, em reverência a sua grande contribuição para arte literária.

Filosofia Literária

Problematizou em seus textos situações da vida cotidiana, pontuando questões ligadas ao comportamento humano e suas relações interpessoais. Sua vasta obra produzida tratava sobre diversos temas, tendo ganhado mais destaque os aspectos nacionais e a literatura indianista. Por isso, alguns pesquisadores apontam o idealismo e o nacionalismo como sendo marcas que qualificam sua obra. Sua literatura foi muito importante para caracterização da identidade brasileira, auxiliando no processo de nacionalização da literatura e a consolidação do romantismo no Brasil. Enalteceu a figura do índio como sendo um típico herói Brasílico. Relacionou em sua literatura, a história cultural e o folclore brasileiro com a vida urbana e rural que se construía no cenário nacional. Também descreveu personagens tipicamente brasileiros como a figura do sertanejo nordestino. Utilizou uma linguagem local com o objetivo de simplificar a comunicação que explicava a realidade brasileira. Nesse contexto, a obra de Alencar serviu como ferramenta de investigação de alguns acontecimentos históricos que permearam o Brasil. Seus escritos influenciaram não apenas o movimento literário, mas também foram fundamentais no processo emancipatório da nação brasileira.  

Escreveu uma obra autobiográfica intitulada de “Como e por que sou romancista”, em que descreveu de maneira clara seu vasto conhecimento profundo sobre os vários temas em que dissertou. Demonstrando que tinha consciência e entendimento do papel literário que sua obra possuía no contexto brasileiro, pontuando com intensa lucidez o desempenho que sua obra demonstrava no cenário literário. Esse livro foi muito importante para compreender não apenas a obra de Alencar, mas também algumas características da literatura brasileira.

Filosofia Política

Ingressou na vida política pelo Partido Conservador, assumindo o cargo de Deputado Federal e posteriormente de Ministro da Justiça. Mesmo defendendo a consolidação de um governo forte, ele dissertou a respeito de algumas questões democráticas. Alencar sofreu duras críticas de opositores, tanto na sua atuação como escritor, bem como também no seu desempenho como político. Ao contrário do que muitos especulavam sobre a ideia de que Alencar era a favor da escravidão, na verdade ele era a adepto do parecer de que a abolição da escravatura deveria se dar de forma gradativa, essa era a visão da maioria dos conservadores da época, pois defendiam o ponto de vista de que os escravos não deveriam ser jogados na sociedade, todos ao mesmo tempo, a própria sorte, sem terem políticas sociais adequadas, como moradia, alimentação, trabalho e outras condições básicas. A escrita romântica foi o instrumento que Alencar se apropriou para desempenhar sua atuação na política. Construindo teorias que ajudaram a criar a ideia de nação unificada. Até mesmo para os críticos, é difícil dissociar o Alencar escritor do Alencar político. Seu lado político teria sido influenciado não apenas pela literatura, mas também pela história de vida de sua vó (Barbará de Alencar), e de seu Pai José Martiniano de Alencar, bem como também de seu tio (Tristão Gonçalves de Alencar Araripe).

Filosofia Sapiencial

+ “A ocasião faz o homem”.

+ "Tudo passa sobre a Terra"

+ “Amar é comprazer-se na perfeição”.

+ “Tinha-a eu amado para ter o direito de odiá-la”.

+ “O ciúme não nasce do amor, e sim do orgulho”.

+ “Tenho fé no amor, com ele vencerei o impossível”

+ “O amor sem esperança não tem outro refúgio senão a morte”.

+ “É na idade da ambição que se prova a têmpera dos homens”.

+ “Só a ignorância aceita e a indiferença tolera, o reinado da mediocridade”.

+ “Toda arte é bela e sublime, logo que se eleva à altura do espírito e do coração”.

+ “O sábio ensina, por onde passa, os segredos da paz, e o herói, as façanhas da guerra”.

+ “O elogio é um meio muito usado, mas sempre novo, de render homenagem à vaidade alheia”.

+ “A vida não é como a página de um livro, que podemos voltar e reler aquilo que não entendemos”.

+ “O homem é que faz sua profissão; a sua inteligência é que a eleva; a sua honestidade é que a enobrece”.

+ “Todo discurso deve ser como o vestido das mulheres; não tão curto, que nos escandalizem, nem tão comprido, que nos entristeçam”.

+ “É o entusiasmo que faz o poeta e o artista, o sábio e o guerreiro; é o entusiasmo que faz o homem-ideia diferente do homem-máquina”.

+ “O sucesso nasce do querer, da determinação e persistência em se chegar a um objetivo. Mesmo não atingindo o alvo, quem busca e vence obstáculos, no mínimo fará coisas admiráveis”.

+ “A imaginação é um prisma brilhante, que reflete todas as cores que decompõem os menores átomos de luz, que faz cintilar um raio de pensamento por cada uma de suas facetas diáfanas”.

+ “O amor, porém, é contagioso, com especialidade na solidão, onde a alma tem necessidade de uma companheira, e quando de todo não a encontra, divide-se ela própria para ser duas: uma, esperança; outra, saudade”.

Fatos e Curiosidades:

Acredita-se que a maioridade do D. Pedro II tenha sido articulada na casa de José de Alencar quando ele ainda era criança. Seu pai promovia, em sua residência, alguns encontros políticos, tendo acontecido, em um desses encontros, a realização dessa tramitação.

Obras:

Cinco Minutos; Mãe; Til; Os Contrabandistas; Cartas de Erasmo; Alma de Lázaro; As Minas de Prata; Os Filhos de Tupã; Iracema; O Guarani; Ubirajara; Senhora; A Guerra dos Mascates; O Ermitão da Glória; O Sertanejo e O Gaúcho; A Viuvinha; Lucíola; Encarnação; Verso e Reverso; O Demônio Familiar; As Asas de um Anjo; Diva; O Juízo de Deus; A Pata da Gazela; O Tronco do Ipê; Sonhos d'Ouro; Alfarrábios; Ao Correr da Pena; Cartas Sobre a Confederação dos Tamoios; O jesuíta; O Crédito; A expiação; O sistema Representativo; Visão de Jó.

Fontes:

ABREU, Capistrano de. Ensaios e Estudos: crítica e história. Brasília: Editora INL, 1976.

ALENCAR, José. Como e porque sou romancista. Rio de Janeiro: Typografia de O. Leuzinger & Filhos, 1893.

AMORA, Antônio Soares. O Romantismo. São Paulo: Editora Cultrix, 1973.

BOSI, Alfredo. História do Brasil Nação. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2012.

CÂMARA Cascudo. O folclore na obra de José de Alencar. Rio de Janeiro: Editora José Olympio, 1953.

CANDIDO, Antônio. Formação da literatura brasileira. Rio de Janeiro: Editora Itatiaia, 1997.

COUTINHO, Afrânio. Introdução à literatura no Brasil. Rio de Janeiro: Bertrand, 1990.

FREIRE, Gilberto. Reinterpretando José de Alencar. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura, 1955.

PELOGGIO, Marcelo. José de Alencar: um historiador a sua maneira. Revista Alea. Vol. 06. Rio de Janeiro: Scielo, 2004.

SANTOS, Wanderley Guilherme dos. Dois escritos democráticos de José de Alencar: O sistema representativo e a Reforma eleitoral. Rio de Janeiro: UFRJ, 1991.

VIANA, Filho Luís. A vida de José de Alencar. Rio de Janeiro: Editora José Olympio, 1979.

sexta-feira, 9 de junho de 2023

Justiniano de Serpa

Justiniano de Serpa – (1852 a 1923) d.C

Autor: Alysomax Soares

Introdução

Justiniano José de Serpa foi um filósofo cearense ligado à filosofia do Direito. Atuou como escritor, jurista, político e educador. Sua obra foi escrita em formato de ensaios jurídicos, críticas políticas e poesias. Era considerado de origem pobre, tendo demonstrado desde criança um talento para os estudos. Visto como autodidata, são inúmeras as histórias que falam a respeito de seus esforços diante das dificuldades da vida. Trabalhou na infância tangendo gado com seu pai e na adolescência como caixeiro. Formou-se em Direito na Faculdade de Direito do Recife, por volta de 1888. Chegou a exercer a função de professor no Liceu do Amazonas e também lecionou na faculdade de Direito da cidade de Belém. Assumiu o cargo de Governador do Ceará entre os anos de 1920 a 1924, sendo visto como um grande democrata, em sua gestão. Laborou também como Procurador da República no Brasil.

Participou como relator da comissão de revisão do projeto de Código Civil elaborado pelo jurista Clóvis Beviláqua. Ganhou muito prestígio entre os intelectuais sendo citado como exemplo de vida, tendo recebido várias homenagens. Foi considerado por biógrafos como “um grande Poeta Abolicionista, Orador Republicano e Educador Patriota”. Fez parte de agremiações como o Instituto Histórico do Ceará e a Academia Cearense de Letras. Durante sua passagem pelo centro literário, ele teria ajudado a reacender as atividades da ACL. Era filho do Sr. Manuel da Costa Marçal. Nasceu na cidade de Aquiraz, em 1852 e faleceu no Rio de Janeiro, por volta de 1923. Recebeu em sua homenagem o nome de ruas e escolas, em várias cidades do Ceará.

Filosofia do Direito

Na esfera do Direito realizou grandes atividades que colaboraram para o desenvolvimento das ciências jurídicas no Brasil, tendo inclusive exercido o trabalho de jurisconsulto na área criminal, civil, cambial e financeira. Serpa, em sua administração, fez uma série de reformas na legislação estadual do Ceará. A mais polêmica teria sido a revogação do artigo que permitia a reeleição do Governador do Estado, que naquela época era chamado de “Presidente do Estado”. Revogou também o artigo que permitia a alteração da constituição estadual pelas leis ordinárias. Fez pulso forte contra a demissão de funcionário públicos sem o devido processo legal e administrativo. Colaborou na área do Direito também em outros Estados, desempenhando funções jurídicas em alguns locais da região Norte do país.

Filosofia Política

Depois de acumular experiência na vida pública, Serpa passou a ter contato com a elite política e intelectual alencarina. Resolveu, então, fazer parte do Partido Conservador Cearense. Paralelamente a isso, atuou no movimento abolicionista e lutou em defesa do republicanismo. Era visto como um grande orador que conseguia seduzir as massas. Apoiou as causas científicas e artísticas, ajudando a desenvolver a educação cearense. Foi considerado um político inovador que modernizou a história politica do Ceará. Alinhou seus discursos políticos e literários com a finalidade de promover o progresso civilizatório local. Seus pensamentos foram influenciados pelas correntes positivistas e evolucionistas que permeavam o cenário regional. Nesse ínterim, ele combateu os pensamentos comunistas de linhagem sovietistas, advogando sua bandeira em defesa dos ideais nacionalistas. Migrou posteriormente para uma visão política mais liberal, propondo mudanças em algumas áreas que estariam estagnadas. Sua visão modernizadora ajudou a desenvolver as áreas industriais, tecnológicas e econômicas do Ceará. Certa vez, fez o seguinte discurso:

“Devo dizer-lhes que, aceitando a candidatura à Presidência do Ceará, de acordo com o sr. Presidente da República, o fiz no intuito e com o objetivo exclusivo de bem servir à nossa terra, que governarei sem esposar ódios de ninguém. Não tenho preocupações partidárias, nem prevenções e preferências. Procurarei aproximar, congraçar os bons elementos políticos do Estado.”( Justiniano de Serpa).

 

Filosofia da Educação

Na área educacional ele promoveu várias reformas e muitos incentivos que ajudaram a ampliar os horizontes de desenvolvimento dessa pasta. Devido sua propensão ao universo literário, ele direcionou sua atenção maior para esse campo. Fundou vários grêmios literários e espaços em livrarias que serviam de encontros e reuniões onde eram estimuladas as discursões intelectuais entre os atores sociais. Viabilizou o encontro de pessoas em cafeterias com a finalidade de estimular as tertúlias culturais. Empossou o conceituado pedagogo e educador “Lourenço Filho”, em um cargo de grande prestígio na área da educação, com o objetivo de fomentar uma reestruturação no ensino público. A educação passou por renovações no ensino primário, tendo uma formação mínima básica no currículo e contendo instruções de ordem cívica. Houve também o aperfeiçoamento de novos saberes pedagógicos e outros métodos de ensino. As novas diretrizes educacionais encampavam uma formação de professores mais totalizante que englobava os saberes teóricos e práticos. No campo logístico se voltava para a aquisição de novos materiais didáticos que auxiliavam no aprendizado do aluno de maneira integral. A finalidade de suas reformas era combater o grande índice de analfabetismo que existia naqueles tempos, e construir um espírito civilizado no trabalhador brasileiro, que estava a ocupar as grandes fábricas que se instalavam na capital. Essa visão alimentou um ideal social que articulou vários setores da sociedade a participar ativamente das mudanças geradas por essa reforma educacional.


Filosofia Sapiencial

+ “O cearense não estaciona é do seu espírito, da sua índole primitiva a agitação e o esforço”.

+ “Eis porque vejo na Escola um bem, o futuro, a vida! Do deserto - isto consola – ‘Surge a Terra Prometida’.”

+ “Eis-me na Escola, no templo da divindade e Instrução. Vês o preceito e o exemplo, que fascinam, como um clarão!”.

+ “O ensaio das letras, não é uma quimera nem uma utopia. Ela tem em seu grande alcance a latitude da evolução do espírito”.

+ “O cearense é, como se justifica, o povo mais laborioso, mais altivo, de toda a comunhão brasileira, porque tem por lema a legenda: ‘liberdade ainda que tardia’.”

Curiosidades

Conta-se que Justiniano, ainda quando criança, enquanto ajudava seu pai a tanger o gado, perambulava pelas trilhas das cidades montado em um jumento e levava consigo livros e cartilhas que lia ao longo do trajeto. Relata-se que era um garoto sonhador que ambicionava alcançar a esfera social. Procurava os professores pelos centros das cidades, abordando e pedindo ajuda, para que lhe ensinassem a ler e escrever.

Obras

O poeta e a virgem; Oscilações; Três liras; Sombras e clarões; Sob os ciprestes; Reforma da legislação cambial; Questões de direito e legislação; Discursos e Periódicos; A educação brasileira e o nosso meio literário.


Fontes:

AMORA, Manoel Albano. A Academia Cearense de Letras: Síntese Histórica (1894 – 1954). Revista da academia cearense de letras. Fortaleza: ACL, 1954.

BARREIRA, Dolor. História do Ceará. Fortaleza: Instituto do Ceará, 1986.

BARROSO Parsifal. Uma história Política do Ceará. Fortaleza: Editora BNB, 1984.

CASTELO, Plácido. A História do ensino no Ceará. Fortaleza: IOCE, 1970.

FILHO, Martins. O outro lado da história. Fortaleza: Editora UFC, 1983.

FLORES, Moacyr. Dicionário de História do Brasil. Porto Alegre: PUCRS, 2008.

GIRÃO, Raimundo. A Academia de 1894. Fortaleza: ACL, 1975.

MORAES, Kleiton de. Justiniano de Serpa. Site da internet, acesso em 2018.

SOUSA, Eusébio. Instituto do Ceará. Revista Trimensal do Instituto do Ceará, Fortaleza: Tipografia Minerva, 1925.

STUDART, Guilherme. Dicionário Bio-Bibliográfico Cearense. Fortaleza: Typografia, 1910.

segunda-feira, 29 de maio de 2023

Arthur Schopenhauer

Arthur Schopenhauer – (1788 a 1860) d.C

Autor: Alysomax Soares

Introdução

Foi um filósofo alemão do período contemporâneo pertencente às correntes de pensamento da filosofia idealista. Teria seguido sua teoria por uma linha voltada para o pessimismo. Também transitou sua filosofia na direção de ideias baseadas no “irracionalismo”. Relacionou conceitos da filosofia oriental com pensamentos idealistas do filósofo Emanuel Kant. Criticou fortemente as teorias do filósofo Friedrich Hegel. Segundo alguns biógrafos, ele teria crescido em um ambiente voltado para o mundo mercantilista, e antes de cursar Filosofia, estudou as áreas de Contabilidade e Medicina. Chegou a viajar por vários lugares da Europa. Teve como amigo o escritor Goethe e exerceu grande influência nos filósofos Friedrich Nietzsche e Sigmund Freud. O filósofo Nietzsche teria lhe dado o codinome de "o cavaleiro solitário", pois ele vivia de maneira solitária e preferia ter como companhia apenas os animais, ao invés de outros seres humanos. Era visto como um indivíduo antissocial e demasiadamente desconfiado. Conseguiu grande reconhecimento de suas obras apenas no final de sua vida. Era Filho de um comerciante chamado Henrich Floris Schopenhauer com uma escritora chamada Johanna Henriette Trosenier. Nasceu na localidade de Danzig, região da antiga Prússia, em 1788 e faleceu em Frankfurt, por volta de 1860, morreu aos 72 anos, vitimado por uma pneumonia, seguido de um ataque cardíaco, tendo ao seu lado apenas seu cachorro.  

Filosofia do Pessimismo

Sua ideia de pessimismo vinha da compreensão que ele tinha de atribuir um valor negativo à vida e à existência. Ele pensava o mundo dos fenômenos como sendo permeada por uma espécie de “vontade maligna” que estaria relacionada com o plano metafísico. Seus principais temas discutiam questões ligadas ao amor, ao sofrimento e a felicidade. Embasado na sua obra principal denominada de “O Mundo como Vontade e Representação”, ele dissertava que não era possível ao homem conhecer verdadeiramente a realidade e seus fenômenos, pois o homem possuía certos limites, desse modo, poderia apenas criar representações das coisas ao seu redor, caracterizando o mundo e seus fenômenos de maneira ilusória. Nesse sentido, ele afirmava que: “o mundo é uma representação individual”. Pontuava que existiria uma forte relação entre os sonhos e a realidade. Os sentidos do corpo serviam apenas como instrumentos sensoriais que permitiam ao homem conhecer o mundo dentro de suas capacidades tangíveis. Dissertava que a solidão seria um elemento fundamental para se chegar à felicidade, e com isso, alcançar a verdadeira liberdade.

Filosofia Moral

A tese de Schopenhauer estava estruturada na ideia de “filosofia da vontade”, pois, segundo ele, a vontade seria a origem de todos os males e dores que afligiam a alma humana. Boa parte de suas teorias foram influenciadas pelas filosofias ligadas ao budismo e as filosofias indianas. Afirmava que “a vontade é um cego robusto que carrega um aleijado que enxerga”, essa metáfora esclarecia que a consciência humana seria o aleijado e que a vontade humana seria o que justificava no homem o sentimento dele querer viver. Ele acreditava que a consciência humana tinha a capacidade de descobrir a vontade como sendo a causa do mal, porém seria através dessa descoberta que o homem conseguia produzir meios para se libertar da escravidão de suas “paixões”. A ideia de liberdade poderia ser representada de várias maneiras, sendo o “pessimismo” uma das formas do homem encarar sua condição humana e limitada, assumindo conscientemente seu papel de negação perante a vida.

Nesse contexto, Schopenhauer desenvolveu seu pensamento afirmando que: “A vontade é a coisa em si”, ou seja, para ele, a vontade seria uma força essencial da natureza que teria como características metafísicas a ideia de infinitude e singularidade, isto é, seria uno e incompreensível ao homem. Também seria insaciável, por isso a vontade gerava no homem dor e sofrimento. A realidade era permeada por uma espécie de irracionalidade, e aquilo que era finito, não passava de simples ilusão aparente da realidade. Desse modo, a moral estaria conectada com os elementos do que seria real e concreto, ou seja, a realidade era guiada não pela razão, mas sim pela vontade. Dentro de sua abordagem moral, ele pontuava que o Direito positivado serviria como um regulador da sociedade, e que este, estaria ancorado no próprio Direito Natural. O chamado filósofo da vontade era visto como um grande defensor do direito dos animais.

Filosofia do Conhecimento

O conhecimento se daria pela relação existente entre o sujeito e o objeto, dessa relação surgiria à representação das coisas. Desse modo, não seria permitido ao homem sair de “si mesmo” para compreender verdadeiramente como o mundo realmente seria fora dele. O homem dependeria do “tempo e do espaço” para entender o fenômeno das coisas, além disso, seu entendimento também teria relação com os efeitos gerados pela “causalidade”. Nesse contexto, ele explicava que o sujeito estaria fora da ideia de “tempo e espaço”, por isso a objetividade de um conhecimento existia apenas na consciência dos sujeitos, sendo externalizada simplesmente, em forma de uma representação, ou seja, o mundo seria percebido pelo sujeito como um sistema de representações intuitivas que se originava do tempo, do espaço e da consciência. A representação era compreendida como sendo a realidade dentro da consciência. Dessa forma, o conhecimento gerado pela arte seria oposto aos saberes elencados pela ciência. Nesse sentido, ele dizia que: “Todo objeto, seja qual for a sua origem, é, enquanto objeto, sempre condicionado pelo sujeito e, assim, essencialmente, apenas uma representação do sujeito.”

Filosofia Teológica

Embora tivesse uma visão ateísta, ele teria sofrido influência da literatura indiana que era conhecida como “os Upanishads”. Desse modo, ele introduziu pensamentos indianos e alguns dos conceitos budistas na metafísica alemã, agregando ensinamentos do Budismo e do Hinduísmo, em seus estudos. Buscava unir elementos de uma filosofia baseada na força interior do homem com conceitos ligados a suspenção do juízo, chegando até mesmo, a propor o silêncio como um meio de obter a paz interior. Não acreditava na imortalidade da alma, mas defendia a ideia de que a filosofia podia ajudar o homem a entender o fenômeno da morte. A sua ideia de amor era entendida apenas com a finalidade material de reprodução das espécies, porém ele enaltecia uma espécie de amor relacionada à piedade, explicando que esse amor seria o menos egoístico. Para ele, o curso da história da filosofia não teria dado a devida importância para o conceito de compaixão. Nessa perspectiva, Arthur abraçou essa visão e construiu uma teoria embasada na “ética da compaixão”.

Filosofia Sapiencial

+ “A vida é necessidade e dor”

+ “A estupidez não tem limites”

+ “O mundo é minha representação”

+ “A vida oscila entre a dor e o tédio”.

+ “O amor é a compreensão da morte”.

+ “A vida é um processo constante de morte.”

+ “A vida é um velejar em direção ao naufrágio”

+ “A história é acaso cego e o progresso é ilusão”.

+ “Quanto mais elevado é o espírito mais se sofre”.

+ “É a perda que nos ensina sobre o valor das coisas.”

+ “A solidão é a sorte de todos os espíritos excepcionais”.

+ "Nove décimos da nossa felicidade dependem da saúde".

+ “A música é a vitória do sentimento sobre o conhecimento”.

+ “Quem escreve para tolos sempre encontra um grande público”.

+ "A humanidade aprendeu comigo coisas que nunca irá esquecer".

+ “A vida é esmola que prolonga a vida para seguirmos no tormento”.

+ "As religiões são como vaga-lumes: para brilhar precisam das trevas."

+ “A vida é luta contínua pela existência, com a certeza da derrota final”.

+ "Se eu mantiver silêncio sobre meu segredo, ele será meu prisioneiro”.

+ “Esperança é a confusão do desejo de uma coisa com sua probabilidade.”

+ “A vida oscila como um pêndulo para a frente e para trás entre a dor e o tédio.”

+ “Uma pré-condição para ler bons livros é não ler os livros ruins: pois a vida é curta.”

+ “Quem quer que dê muito valor às opiniões dos outros presta-lhes muita honra.”

+ "A riqueza influencia-nos como a água do mar. Quanto mais bebemos, mais sede temos".

+ “Quanto menos inteligente um homem é, menos misteriosa lhe parece à existência”.

+ “Cada homem leva os limites de seu próprio campo de visão para os limites do mundo.”

+ "O que torna as pessoas sociáveis é a sua incapacidade de suportar a solidão e, nela, a si mesmos."

+ “As pessoas comuns pensam apenas como passar o tempo. Uma pessoa inteligente tenta usar o tempo”.

+ "O médico vê o homem em toda a sua fraqueza; o jurista o vê em toda a sua maldade; o teólogo, em toda a sua imbecilidade."

+ “A consciência é a mera superfície de nossa mente, da qual, como da terra, não conhecemos o interior, mas apenas a crosta”.

+ "Vá bater nos túmulos e perguntar aos mortos se querem ressuscitar: eles sacudirão a cabeça em um movimento de recusa."

+ “A consciência é a mera superfície de nossa mente, da qual, como da terra, não conhecemos o interior, mas apenas a crosta”

+ “Então, o problema não é tanto ver o que ninguém viu, mas pensar o que ninguém ainda pensou sobre o que todos veem.”

+ “Para a maioria dos homens, a vida não é outra coisa senão um combate perpétuo pela própria existência, que ao final será derrotada.”

+ “Um homem só pode ser ele mesmo enquanto estiver sozinho; e se ele não ama a solidão, não amará a liberdade; pois é somente quando ele está sozinho que ele é realmente livre.”

+ "Uma filosofia, entre cujas páginas não se ouvem as lágrimas, o uivo e o ranger dos dentes, e o terrível barulho do crime universal de todos contra todos, não é uma filosofia".

+ “A mais rica biblioteca, quando desorganizada, não é tão proveitosa quanto uma bastante modesta, mas bem ordenada. Da mesma maneira, uma grande quantidade de conhecimentos, quando não foi elaborada por um pensamento próprio, tem muito menos valor do que uma quantidade bem mais limitada, que, no entanto, foi devidamente assimilada”.

+ “Imaginemos, por um instante, que a humanidade fosse transportada a um país utópico, onde os pombos voem já assados, onde todo o alimento cresça do solo espontaneamente, onde cada homem encontre sua amada ideal e a conquiste sem qualquer dificuldade. Ora, nesse país, muitos homens morreriam de tédio ou se enforcariam nos galhos das árvores, enquanto outros se dedicariam a lutar entre si e a se estrangular, a se assassinar uns aos outros.”

+ "As pessoas farão todo o tipo de tentativas frustradas e farão violência ao seu carácter em detalhes; mas no geral terão de ceder a isso, é que se quisermos agarrar e possuir algo na vida, temos de deixar inúmeras coisas para a direita e para a esquerda, renunciando a elas. Mas se somos incapazes de nos decidirmos desta forma, e se nos atiramos para tudo o que nos atrai temporariamente, como fazem as crianças na feira anual, corremos desta forma em ziguezague e não chegamos a lado nenhum. Aquele que quer ser tudo pode tornar-se nada”.

Curiosidades

Segundo alguns biógrafos, Schopenhauer era um sujeito excêntrico. Conta-se que algumas vezes ele ocupava duas cadeiras na mesa para que ninguém se sentasse ao seu lado ou próximo a ele. Certo dia uma senhora resolveu sentar ao seu lado na hora do almoço, em uma mesa com vários convidados. A senhora falava muito alto se queixando dos problemas que tinha com o marido, ela não parava de tagarelar sobre seu casamento e como sofria com isso tudo. Quando ela enfim parou de falar, todos ficaram em silêncio. Ela então se vira para Schopenhauer e pergunta se ele a entendia. Ele, então, respondeu: – Não, mas entendo seu marido.

Em certa ocasião, um jovem teria lhe feito uma pergunta sobre um fato, ele então teria respondido que não sabia a resposta. O jovem então teria falado que pensava que Schopenhauer era um sábio que conhecia sobre tudo. O filósofo então respondeu:  – O conhecimento é limitado, mas a estupidez não tem limites.

Relata-se que ele costumava andar com roupas fora do padrão comum da época e gostava de frequentar um clube. Quando ia ao clube sempre levava seu cachorro, porém sempre que o cão se comportava mal, ele repreendia o animal lhe maldizendo e o chamando de humano.

Obras:

Parerga e Paralipomena; O mundo como vontade e representação; Metafísica do Amor; As dores do Mundo; Sobre a visão e as cores; Os dois princípios fundamentais da ética; Dialética erística; Sobre a vontade da natureza; O livre arbítrio; Aforismos para a sabedoria de vida; A Arte de Ter Razão; A Arte de Lidar com as Mulheres; Sobre a quadrupla raiz do princípio da razão suficiente.

Fontes:

BARBOSA, Jair. Schopenhauer: a decifração do enigma do mundo. São Paulo: Paulus, 2015.

BOSSERT, Adolphe. Introdução a Schopenhauer. Rio de janeiro: Editora Contraponto, 2011.

BREDA, Juliana Fernandes. Amor e morte em Schopenhauer. Dissertação de Mestrado. Marília-SP: Universidade Estadual Paulista, 2012.

DEBONA, Vilmar. Schopenhauer e as formas da razão: o teórico, o prático e o ético-místico. São Paulo: Editora Annablume, 2010.

MAGEE, Bryan. A filosofia de Schopenhauer. São Paulo: Martins Fontes, 1997.

MANN, Thomaz. O pensamento vivo de Schopenhauer. São Paulo: Editora Livraria Martins, 1960.

SAFRANSKI, Rudiger. Schopenhauer e os anos mais selvagens da filosofia. São Paulo: Editora Geração, 2011.

SALVIANO, Jarlee Oliveira Silva. O niilismo de Schopenhauer. Dissertação de Mestrado. São Paulo: USP, 2001.  

SCHOPENHAUER, Arthur. O mundo como vontade e como representação. São Paulo: Editora UNESP, 2005.

TANNER, Michael. Schopenhauer. Col. Grandes Filósofos. São Paulo: Editora Unesp, 2001.

YALON, Irvin. A cura de Schopenhauer. Trad. Beatriz Horta. Brasília: Harper Collins, 2019. 

domingo, 7 de maio de 2023

John Locke

John Locke - (1632 a 1704) d.C

Autor: Alysomax Soares

Introdução

Foi um filósofo inglês do período moderno ligado a corrente de pensamento chamada de empirismo. Era considerado também um dos pais do liberalismo político. Suas ideias a respeito do conhecimento foram muito importantes para os estudos da Gnosiologia e da Epistemologia. Partes de seu empirismo se confrontavam diretamente com elementos da filosofia racionalista. Completou seus primeiros estudos na Escola de Westminster, em Londres, ingressando posteriormente na universidade de Oxford. Defendeu questões polêmicas para seu tempo como a liberdade individual e a tolerância religiosa. Passou um período de sua vida exilado na França e na Holanda, devido a perseguições políticas, retornando posteriormente para a Inglaterra. Estudou as áreas da Filosofia, Teologia, Medicina e Ciências Naturais. No campo da química teria auxiliado Boyle em importantes pesquisas sobre o sangue humano. Seu pai era um conceituado advogado e Militar da cavalaria e sua mãe era filha de um padre anglicano que se afeiçoava com o puritanismo. Nasceu na cidade de Wrington, na Inglaterra, em 1632 e faleceu na localidade de Essex, também na Inglaterra, por volta de 1704, aos 72 anos.  

Filosofia do Conhecimento

As ideias de Locke influenciaram de maneira substancial os pensadores iluministas. Ele escreveu uma obra a respeito da Teoria do Conhecimento intitulada de: “Ensaio Sobre o Conhecimento Humano”. Segundo sua visão, o conhecimento humano era determinado a partir das experiências. Ele não acreditava que as ideias pudessem ser originadas de maneira inata, pois a mente humana nascia como uma página em branco ou como uma tábula rasa, que iria aos poucos sendo preenchida pelas experiências vividas. Dessa maneira, ele dizia que: “O homem não nasce com ideias inatas, mas com uma mente em branco que é preenchida com a experiência sensorial.” Os homens também nasceriam bons e iguais, sendo a sociedade a principal responsável pela formação do indivíduo.

Sua filosofia defendia a tese de que a experiência seria a única fonte verdadeira para se chegar ao conhecimento, essa corrente de pensamento ficou conhecida como “empirismo”. O termo “empirismo” provém do grego antigo “empeiria”, que significa experiência. Para Locke, a percepção humana se iniciava a partir da “sensação” que era provocada por um estímulo externo ao indivíduo, e também pela reflexão que era gerada através de fatores internos do ser humano. Tanto a sensação como a reflexão seriam percepções simples que ao se relacionarem, criavam ideias mais complexas. Nesse sentido, o conhecimento se formaria de fora para dentro. Desse modo, ele explicava que as experiências científicas deveriam ser formuladas através da “observação” dos fenômenos no mundo. Por conseguinte, não poderiam ser concebidas com base apenas em especulações ou simples deduções.

Filosofia Política

Teve grande destaque no desenvolvimento da filosofia política, ele teria sistematizado as bases do “liberalismo político”. Além disso, seus pensamentos desenvolveram uma linha de ideias voltadas para o contratualismo. Sua principal obra, nessa área, foi intitulada de: “Dois Tratados sobre o Governo”.  Segundo Locke, o conceito de Estado nasceria a partir de acordos entre os atores sociais, culminado numa espécie de contrato social. Nesse contexto, o contrato social entre o povo e o governo, desencadearia obrigações entre as partes, isto é, a população concederia poder ao Estado para que ele pudesse proteger os direitos das pessoas, e o governo teria responsabilidades para com a população. A sociedade seria formada naturalmente pela união de homens livres, nesse contexto, só deveria fazer parte dela quem aceitasse livremente suas regras.

Apoiou o sistema político da monarquia representativa e constitucional, desenvolvendo, com isso, a noção de Estado de Direito. Argumentou em defesa da tese de divisão dos poderes em três: legislativo, executivo e judiciário, com o objetivo de impor limites ao Estado e prevenir o abuso de poder. Dessa teoria também nasceria às bases do constitucionalismo.  Defendeu a separação entre Estado e Igreja, pois acreditava que isso daria ao homem mais liberdade religiosa. O Estado teria como finalidade, por fins aos conflitos de ordem religiosa e política. A religião daria ao homem sua consciência de âmbito moral e espiritual, enquanto o Estado teria como objetivo promover a paz pública na esfera material.  

Filosofia do Direito

Estabeleceu a tese doutrinária sobre alguns direitos naturais do homem, desse modo, descrevia concepções sobre o direito a vida, a liberdade e a propriedade, sendo estes, considerados os direitos naturais do ser humano. Esses direitos eram vistos como inalienáveis, por isso deveriam ser protegidos pelo Estado. Caso o Estado não cumprisse com as suas obrigações, os cidadãos poderiam desconstituir o governante. Dessa forma, a verdadeira soberania não estaria nas mãos do Estado ou de seu representante legal, mas sim da população, isto é, nas mãos do povo. A supremacia do Estado estaria condicionada e subordinada ao respeito às leis e ao cumprimento de suas obrigações. Por isso, os poderes estatais possuíam limites, devido estarem sujeitos à lei. Desse modo, em uma sociedade bem formada, a revolução seria uma possibilidade de ação para a população, que em defesa de seus direitos, agiria contra as práticas ilegítimas ocasionadas pelo Estado, ou seja, se o Estado agisse de maneira autoritária e fomentasse o abuso de poder, os cidadãos, para, se protegerem e para assegurarem seus direitos naturais, poderiam negar obediência ao Estado e realizarem uma revolução.  

O pensamento de Locke sobre as leis naturais tentava estabelecer alguns mecanismos de proteção para os direitos do homem. Seu sistema de pensamento defendia teses que asseguravam a liberdade de consciência que era utilizada como escudo de proteção para que a ordem civil fosse mantida, culminado, na questão da liberdade, numa relação de interdependência. A liberdade religiosa, por exemplo, dependeria da liberdade econômica, ou seja, a liberdade coletiva dependeria da liberdade individual. Sendo, então, o Estado o regulador e um garantidor desses direitos, para que o direito de um indivíduo não invadisse a liberdade de outro, gerando ou prevenindo, com isso, conflitos, desordens e desarmonias sociais. Nesse sentido, seu jus-naturalismo pregava que o Estado não apenas possuía limites, mas também era responsável por impor limites nas condutas humanas, pois o homem também possuía falhas, tendo em sua consciência moral certas imperfeições, sendo preciso que o Estado legislasse a respeito de algumas questões. Utilizando a lei como um instrumento regulador de obediência aos pactos sociais que eram estabelecidos, em prol de um mundo civilizado.

Filosofia Sapiencial

+ “A educação começa no berço.”

+ “O que te preocupa, te escraviza”.

+ "Onde não há lei, não há liberdade".

+ “A lógica é a anatomia do pensamento”.

+ “É preciso metade do tempo para usar à outra”.

+ “Os homens nascem livres e iguais em direitos”.

+ “O objetivo do governo é proteger a propriedade”.

+ “Devemos interpretar os homens através das suas ações”.

+ “Uma coisa é encontrar o erro, outra é encontrar a verdade”

+ “A virtude é mais difícil de ser corrompida do que a riqueza”.

+ “Todo homem tem uma propriedade em sua própria pessoa”.

+ “A melhor defesa contra os perigos do mundo é conhecê-los”.

+ “A felicidade é uma condição da mente e não das circunstâncias”.

+ “Os homens vivem em sociedade para protegerem sua propriedade”

+ "Não se revolta um povo inteiro a não ser que a opressão seja geral".

+ “O objetivo do governo é proteger os direitos naturais dos indivíduos.”

+ “Nossas ações são as melhores interpretações de nossos pensamentos”.

+ “Um ser se torna ele mesmo e distinto dos demais pelo mero fato de existir”

+ “A propriedade é um direito natural que surge do trabalho e da propriedade pessoal”

+ “A ignorância do passado faz com que as pessoas repitam os mesmos erros.”

+ "A leitura fornece conhecimento à mente. O pensamento incorpora o que lemos".

+ “A necessidade de procurar a verdadeira felicidade é o fundamento da nossa liberdade”

+ "As ações dos seres humanos são as melhores intérpretes de seus pensamentos".

+ “Acredito que a verdadeira fonte da lei é a razão e que ela não deve ser encontrada nas convenções ou nos costumes.”

+ “As representações do real são derivadas das percepções sensíveis, sendo que essa é a única fonte para o conhecimento.”

+ “Eu devo dizer que, de todos os homens que encontro, noventa por cento do que eles são, bons ou maus, deve-se à educação”.

+ “A liberdade é a possibilidade de agir de acordo com a sua própria vontade, desde que essa vontade não viole as leis ou a liberdade de outra pessoa”.

Obras:

Cartas sobre a tolerância; Ensaio Sobre o Entendimento Humano; Dois tratados sobre o governo civil; Pensamentos sobre a Educação; Da Conduta do Entendimento; Sobre a Liberdade Civil e a Propriedade; Um Discurso Sobre o Poder Político; Um Projeto para o Estabelecimento da Paz Perpétua na Europa.

 

Fontes:

BOBBIO, Norberto. Locke e o Direito Natural. Brasília: UnB, 1997.

BRUM, Fábio Antônio. Liberdade de Consciência e a Lei Natural em John Locke. Dissertação de Mestrado. Curitiba: UFPR, 2011.

CINTRA, Rodrigo Suzuki. Liberalismo e Natureza: A propriedade em John Locke. São Paulo: Editora Ateliê, 2010.

FORSTROM, Joanna. John Locke e a identidade pessoal. New York, Continuum, 2010.

HOBSBAWM, Eric. A Era dos Extremos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

LOCKE, John. Dois tratados sobre o governo. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

PAIM, Antônio. Evolução Histórica do Liberalismo. Belo Horizonte: Itatiaia, 1987.

RAWLS, Jonh. O liberalismo político. trad. Dinah de Abreu Azevedo. Brasília: Editora Ática, São Paulo, 1993.

STRAUSS, Leo. Direito Natural e História. Trad. Bruno Costa Simões. São Paulo: Martins Fontes, 2014.

WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Pioneira, 1987.